A oferta da obra

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A razão pela qual estou desenvolvendo e aceitando a teoria da queda, não é tanto por um ato de fé cega nas origens inspirativas da mesma, quanto pelo fato dela resolver muitas das minhas dúvidas, explicando muitos fatos e solucionando muitos problemas, num quadro orgânico e harmônico, reconduzindo tudo à unidade e ao mesmo tempo satisfazendo as exigências da minha mente e do meu coração.

Esta teoria me dá, de Deus, um conceito verdadeiramente grande e bom, que permanece tal apesar da maldade dos ruins dominar em nosso mundo humano. Nesse conceito, que busca afastar-se cada vez mais dos conceitos comuns antropomórficos da Divindade, vejo triunfar a bondade, a liberdade, o Amor, que um instinto irresistível me diz serem Seus atributos.

Além disso, a teoria me explica algumas coisas, que nem a razão, nem as religiões, nem a filosofia, nem a ciência sabem dar-me. Por exemplo: por que motivo nasceu a matéria?

Com isto pergunto não só de que nasceu a matéria, mas por que nosso mundo assumiu a forma de matéria. E mais: por que existe a evolução?

E por que ela progride da matéria para o espírito?

Por que esse telefinalismo na evolução, e não outro, e por que a evolução assumiu esta e não outra forma e direção?

Mais ainda: que é a vida? E por que em nosso mundo existe o contrário, a morte?

E, se Deus é perfeito, donde nasceu e como se justifica entre nós a imperfeição, o erro, o mal, a dor etc.?

Como podem as trevas ter nascido da luz da nossa vida, e tantas negações do existir, quando a suprema qualidade de Deus é afirmação?

Poder-se-ia responder que esse Deus é uma nossa projeção antropomórfica no vazio, pois nela se idealizam as aspirações humanas de perfeição, sabedoria, poder, liberdade, amor, vida, alegria etc., em compensação da carência, em nós, dessas qualidades que desejamos, porque nos fariam felizes.

 Mas, então, poder-se-ia replicar: a vida não tem finalidade? Por que lutar e sofrer tanto, senão em vista de um amanhã melhor?

A natureza humana tem exigências psicológicas, ânsias instintivas que não se podem obrigar a calar. Não podemos aceitar as sutilezas filosóficas que tudo destroem, sem nada criar.

Assim, não seria mais o homem que criaria um Deus de acordo com uma imagem tirada do emborcamento da própria imperfeição, mas seria o homem uma corrupção da perfeição de Deus, um ser decaído, que anseia por voltar à perfeição perdida.

São muitas as objeções à teoria e algumas parecem insuperáveis, mas iremos olhar melhor para a visão, focalizando melhor os pormenores, para responder às nossas perguntas e solucionar as nossas dúvidas. Elas apareceram porque ainda não havia sido visto tudo, e tudo se resume em esclarecer melhor, iluminando os pontos obscuros, que permanecem imprecisos.

Em sua primeira visão de conjunto, apresenta-se-nos a teoria com as características da organicidade e unidade, com grande poder de enquadramento dos fenômenos de toda a espécie, desde os da matéria inorgânica, até aos da vida e do espírito; dos fenômenos atômicos aos sociais e morais, reduzindo a um só sistema a infinita multiplicidade de nosso relativo.

Diante desses resultados, não posso deixar de perceber um sentido de fome satisfeita, fome de conhecimento que orienta a própria vida. É a saciedade do homem que, após haver atravessado as filosofias, as ciências, as religiões, pedindo a todos a explicação de tantos mistérios, finalmente a achou por outro caminho persuadindo-se, e agora vê claramente.

E a satisfação é tanto maior, quanto essa clareza é comunicável e pode saciar tantos outros famintos e orientar tantas outras vidas, ainda perdidas nas trevas, por falta de uma visão clara e convincente do porquê das coisas, da vida e de seus objetivos.

Confesso que uma das maiores admirações, quando nasci na Terra, ao sentir-me vivo nesta veste corpórea, foi para mim a de verificar quão pouco de positivo o homem sabia, em relação aos maiores problemas, dos quais tudo deriva e em última análise, depende a própria vida e cada ato seu.

Não compreendia como se pudesse agir sem conhecer, só com fundamento nos instintos, não se sendo orientado de forma positiva, clara e segura, em relação aos efeitos do próprio comportamento. Então, para poder viver, tive de buscar eu mesmo, o alimento para mim indispensável. Isto porque não sei conceber como se possa viver sem compreender. Assim, conquistar o conhecimento, coisa para mim indispensável, foi o maior trabalho de toda a minha vida e este é o melhor fruto que agora, no fim do meu caminho, posso oferecer, a fim de servir de alimento a todos quantos, como eu, tenham esta fome, que bem sei quanto é tremenda, para quem a sente.

Ofereçamos, pois, a fim de que os outros se saciem, o fruto maduro de nossas investigações.

A ideia é oferecida, não imposta.

Ofereço-a como a minha verdade, sem pretender que possa ser a verdade de todos.

As formas mentais são diferentes e podem ocorrer para outras formas mentais outras formas de verdade, não obstante, existirem no mundo formas mentais semelhantes. Pode acontecer, então, que estes homens encontrem, nesta exposição, a verdade adaptada a eles, os convença e satisfaça. Para estes, tal como experimentei, será grande satisfação achar o que buscavam.

Essa compreensão ocorre espontaneamente entre os espíritos do mesmo grau de evolução, sintonizados por afinidade de tipo biológico, ao longo do mesmo canal de especialização de trabalho.

Livro: O Sistema

http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/OSistema.pdf

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