A Revolta (2)

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Se as criaturas, sobre as quais pesava o perigo de uma desobediência, eram perfeitas porque constituídas de substância divina, elas possuíam uma perfeição relativa.

Eram perfeitas em relação à sua posição na hierarquia, e a função que deviam executar no organismo. Em si mesmas, em relação às suas posições, eram totalmente perfeitas, mas não o eram diante da perfeição de Deus, a única absoluta.

Esta é a consequência lógica da estrutura hierárquica do sistema, o que dava lugar a uma subordinação de posições no todo, tanto como função a executar, quanto como perfeição ou como conhecimento.

Com relação à sua posição e função a executar, as criaturas possuíam em grau perfeito as qualidades necessárias e o completo conhecimento. Mas não possuíam as qualidades do Ser Supremo, e diante de Deus não sabiam tudo. Daí a necessidade da aceitação de algumas partes da Lei apenas por obediência, nos pontos que seu conhecimento não atingia, como acontece com as células dos tecidos musculares que obedecem às células nervosas, embora todas juntas obedeçam ao “eu” central do ser.

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A Revolta (1)

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Procuremos agora compreender como ocorreu a revolta e como se deu. Começamos aqui com as dúvidas, as dificuldades, as críticas. Aqui principia a revolta contra a teoria da revolta.

Resumamos. Os conceitos desenvolvem-se presos numa concatenação estritamente lógica. Deus deve ser tudo. Se algo existir além Dele, que não esteja em função Dele e que não dependa Dele, então Deus não é mais Deus. Esse algo poderia ser Seu inimigo. E isto destruiria a Sua Onipotência. Nasceria daí um dualismo que destruiria a Sua unidade.

 Se, pois, nada pode existir fora de Deus, Ele teve de criar dentro de Si mesmo. Isto significa ser a criação derivada da própria substância de Deus. Nós podemos criar coisas novas tomando uma substância fora de nós, porque somos uma parte no todo. Mas se fôssemos tudo, teríamos de retirar a substância de dentro de nós mesmos.

Não podemos admitir ser esta substância divina de natureza material, mas apenas espiritual. Ora, a não ser que admitíssemos ser Deus de natureza material, o que não poderíamos compreender e não saberíamos como o nosso universo, constituído em grande parte de matéria, possa ter sido o resultado direto desta primeira criação – a espiritual.

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Deus Operador

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Tendo assim feito da Divindade o máximo conceito que nos é possível, seres situados no relativo, vejamos agora como Ela operou na criação. Neste Seu operar, devem reaparecer as Suas qualidades, pois Deus operou de acordo com elas, que constituíam a Sua própria natureza. Dessa forma, podemos imaginar como foi executada a criação, ou seja, aplicando-lhe as características próprias de Deus.

Eis então como, mediante simples imagens, podemos fazer uma representação mental de como ocorreu a criação.

Em ilimitada planície deserta, onde nada havia, nem uma casa, nem um fio de erva, nem ser algum, uma planície tão igual que impossível fosse ali estabelecer qualquer ponto de referência ou de distância, nesse espaço incomensurável havia um bloco imenso, sendo ele a única coisa que podia existir.

Só ele existia ali. Além dele, nada mais havia, sendo tudo o que podia existir ali. Dizemos “só”, porque vivemos em relação com outros seres, mas não estava só, pois compreendia dentro de si todos os seres. Uma parte pode permanecer isolada se lhe falta qualquer outra parte, mas não o pode quem abarca tudo dentro de si, porque dessa forma, faltam-lhe, do lado de fora, pontos de referência para poder estabelecer a própria solidão em relação a eles.

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Deus Criador

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Deus fez tudo otimamente e não podia fazer melhor, e, se o ser navega na imperfeição e na dor, a culpa não pode de maneira nenhuma ser atribuída a Deus. Tudo, qualquer que seja o estado atual e por mais difícil aceitá-lo, se desenvolveu em perfeita lógica, bondade e justiça.

Tudo deriva de Deus, centro do Sistema, causa primeira de tudo, situado no vértice da pirâmide da hierarquia dos seres, que não pode ser definido. Definir significa limitar, delinear, em relação a certos pontos de referência. Ora, o infinito não pode estar limitado e não existem pontos de referência para o absoluto que abarca tudo.

As definições, tentadas a respeito de Deus, foram obtidas elevando à potência infinita as mínimas quantidades de perfeição reconquistadas pelo homem com a evolução, ou percebidas, intuitivamente, como futura realização a ser conquistada. Poderemos, assim, atribuir a Deus algumas qualidades.

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Teoria da queda e suas provas (9)

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Qual probabilidade existe no Sistema para que possa verificar-se para o indivíduo, um desastre de tal magnitude, qual seja a sua anulação pela revolta definitiva?

Prontamente respondemos que, embora a destruição de um espírito seja possível, a probabilidade de semelhante destruição, na prática, é apenas teórica.

É verdade que o sistema é construído de maneira que possa chegar até aí, mas não está na lógica das coisas que um espírito se deixe arrastar até esse extremo.

Ser destruído é contra o interesse e a felicidade do ser, é agir contra o princípio do “eu sou”, que o mantém em vida. É verdade que o rebelde, tendo-se colocado no negativo, automaticamente propende para essa anulação. Mas a arma da revolta ele crava na própria carne e, quanto mais ele a utiliza, tanto mais intensifica a própria dor.

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Teoria da queda e suas provas (8)

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No sistema, o princípio do mal e da dor, que se faz sentir em tudo, é utilizado como uma dificuldade a superar, como uma escola para aprender e ascender.

A realidade é que, embora Satanás e seu poder pareçam espantosos, o nosso universo está inteiramente impregnado da presença de Deus imanente, de modo que a vitória está garantida e as portas infernais não prevalecerão.

Todo o grande assalto de Satanás se reduz a um exame das forças do bem, a um sangrento banho de purificação, do qual o espírito sairá triunfante.

Desta forma, encontramos não somente uma justificação para o mal e a dor, mas também o segredo para demoli-los, transformando uma infelicidade em um meio para conquistar a felicidade.

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Teoria da queda e suas provas (7)

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Onde está Satanás?

Está em toda parte como Deus, junto de Deus como Sua negação, assim como a sombra está junto da luz e sem a qual não sabemos o que é luz. Satanás é a treva que se aninha em cada ângulo, no qual se ocultam o mal e a dor para nos golpearem traiçoeiramente.

Satanás é o veneno depositado no fundo de toda taça, a dor sempre pronta para macular as nossas alegrias.

É a moléstia que assalta a saúde, é a morte que espreita a passagem da vida.

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Teoria da queda e suas provas (6)

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O núcleo “eu sou” é o centro em torno do qual se desenvolve todo o processo do desmoronamento e da reconstrução do espírito decaído, pois:

1) Somente um “eu”  pessoal, definido nos seus atributos, pode involver e depois evolver; pode reconstruir-se, se quiser, ou então ser reabsorvido no sistema, pelo seu progressivo desgaste no atrito do anti-Sistema com o sistema;

2) Unicamente um “eu” pessoal pode ser objeto de salvação ou instrumento da necessária anulação do mal, sem o que Deus seria vencido: sem um centro pessoal, um “eu”, não pode haver mérito ou demérito, culpa, responsabilidade, experiência, evolução e retorno a Deus, ou, em caso contrário, anulação.

Sem um “eu”, tudo se dissolve no vago e nebuloso.

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Teoria da queda e suas provas (5)

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Sem a teoria da queda espiritual, nada se explica, tudo é caos e mistério, pois só ela pode explicar o dualismo dá árvore do bem e do mal, o pecado original, a continuação da revolta dos anjos e queda consequente, pecado cometido por Caim contra Abel, primeira personificação da cisão e da luta.

Assim podemos compreender Cristo e a Sua obra de redenção, destinada a sanar este dualismo e compreender que a inversão operada pelo Evangelho é uma retificação de valores.

Podemos explicar por que a Terra é o reino em que o mal triunfa e os bons sofrem, porque a seleção é nela operada pelo critério selvagem do mais forte.

Possíveis objeções a teoria da queda:

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Aplicando a teoria

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Que o pensamento humano não se move por acaso, é um fato. Mesmo a compreensão entre homens e a difusão das ideias depende de leis precisas, contidas nas teorias que estamos expondo, teorias que tão profundamente penetram em nossa vida, pois as estamos vivendo, no momento mesmo em que lhes estudamos a estrutura.

Nas próprias coisas, em seu funcionamento e desenvolvimento, há uma lógica que constitui um caminho já traçado, que não se pode deixar de seguir. Nenhum fenômeno ocorre ao acaso, mas sempre de acordo com uma sua lei que o guia e individualiza.

Nenhum momento do “tornar-se” universal se move por acaso, loucamente, mas dentro de margens que lhe disciplinam o transformismo, coordenando-o ao de todos os demais fenômenos, no seio do funcionamento do grande organismo do todo.

Todos nós vivemos e funcionamos, em cada pensamento nosso ou ação, envolvidos no seio de um sistema de conceitos e de forças, verdadeiro organismo, em função do qual existimos, em função de tudo o que existe.

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