Teoria da queda e suas provas (2)

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Evidentemente, pela lógica, deve ter ocorrido que Deus criou espíritos puros, tirando-os de Si.  Este era o sistema perfeito. Mas uma parte, como vimos, rebelou-se, formando o anti-Sistema do dualismo.

Ora, a parte incorrupta ficou a mais forte, porque com ela permaneceu Deus a Quem ela ficou aderente. A outra parte não tem Deus consigo, no sentido de que a sua imanência não pode funcionar, já que o ser o renegou.

Por isto o mal não pode vencer. A vitória final, é lógico, não pode deixar de caber ao único senhor do sistema – Deus. Não importa que no Todo se agitem forças opostas! O sistema tornou-se inquinado de culpa, sofre para restabelecer-se, mas continua sistema.

Ele não desmoronou no seu conjunto. Apenas uma parte dele, em seu seio, decaiu.

Mas, então, poder-se-á objetar – por que Deus, se é sempre o mais forte, o Senhor do sistema, não sana de vez o mal, anulando-o?

Não basta que uma coisa se nos torne lógica e justa, por ser cômoda. Há necessidade de que, quem criou, compreenda. Nenhuma força pode ser destruída, mas apenas corrigida. Subsiste a lei de equilíbrio e justiça, em que se baseia o sistema, que exige a sua reconstrução.

Não é com a psicologia da própria vantagem imediata, relativa e utilitária, que se podem resolver tais problemas. Recordemos que nós não somos punidos pelas nossas culpas por um Deus vingativo, mas sim, automaticamente, por essas mesmas culpas, isto é, pelas forças por nós movidas e pelas posições que quisermos assumir no sistema.

O mal não se pode extinguir por um ato arbitrário, pois que a Onipotência divina não é jamais arbitrária, mas segundo a Sua própria Lei.

O mal só se pode extinguir por reabsorção, isto é, por retificação, pela reconstrução daquilo que ruiu.  Só assim se explica como a dor pode redimir. Trata-se de um processo de cura. Eis por que a luta contra o mal é virtude, ou seja, é qualidade reconstrutora de bem.

Se o nosso universo fosse, no estado atual, consequência pura do primeiro ato criador de Deus, ele deveria ser perfeito. Não o é porque a criatura nele introduziu outras forças.

Assim, é da lógica, justiça e equilíbrio do sistema que a correção seja operada nas próprias criaturas que representam tais forças. É justo que o labor da reconstrução lhes caiba, como delas foi a revolta à ordem. Somente assim elas poderão verdadeiramente aprender a conhecer a Lei cuja compreensão já revelaram não ter desejado.

Como se vê tudo se desenvolve com cabal lógica. Muitos desejariam Deus como seu servo, e se lamentam porque Ele não lhes poupa o incômodo de trabalhar, lutar, sofrer e por isso O acusam.

Mas é fácil compreender quanto é absurdo colocar as nossas pobres comodidades como centro do sistema. Não é com tais medidas que se pode medir, nem com semelhante psicologia que se pode compreender.

Livro: Deus e Universo

http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/DeuseUniverso.pdf

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