Teoria da queda e suas provas (1)

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Devendo axiomaticamente admitir que Deus não pode ser imperfeito e mau, mas sempre perfeito e bom e que, por conseguinte, criou por Amor e não por ódio, como se pode explicar a presença do mal e da dor em nosso universo?

E se, em absoluto se podem atribuir a Deus-Criador estas realidades, impõe-se procurar-lhes uma outra causa que não pode ser Deus.

Assim, o dilema é fatal: ou essas tristes verdades são devidas à criatura e forçoso é admitir a teoria da queda, ou, se Deus – Criador, foi causa de tudo, Ele é imperfeito e mau.

O fato indiscutível é que vivemos numa triste cadeia de males neste mundo.

Quem é a causa responsável.

Podemos tornar-nos acusadores de Deus, como causa de todos os nossos males?

Podemos sentir-nos autorizados a amaldiçoá-Lo, como inconsciente e mau?

Isto só poderá fazer quem segue Satanás, imerso no polo negativo, na ignorância e no mal. Jamais o fará uma mente iluminada, que sentiu a sabedoria, a perfeição e a bondade que reinam no funcionamento orgânico do universo.

Nos parece verdadeiramente um esboroamento do bom senso, ao ter que admitir que a humanidade deva sofrer tanto, que em virtude da insciência ou maldade de um Criador irresponsável ou perverso. Este seria o mais escandaloso triunfo da injustiça.

Devemos  axiomaticamente admitir em Deus também a unidade. Ora, o universo é inegavelmente dualístico. Como se pode explicar essa estrutura dualística em um universo cuja base deve ser unitária, se não com a teoria do desmoronamento?

Quem despedaçou o uno, como e por quê?

É absurdo um universo dualístico desde a sua primeira essência, em seu centro. Se assim fosse, pelo menos os dois termos do dualismo – bem e mal – deveriam ser iguais.

Como se explica, ao contrário, que o bem é mais forte, acaba vencendo, e que o Senhor é um só — Deus?

Também aqui, se excluirmos a queda, tudo se confunde no caos.  Então Deus se transforma em  artífice de uma obra diabólica, e se confunde Satanás com Deus.

Abolindo a teoria do desmoronamento, não se sabe mais justificar a origem e a presença de Satanás.

Quem é ele, então?

Que significa no sistema do todo?

De que nasceu, para o que tende e como acabará?

Em um sistema lógico, como pode manter-se esse anti-Deus?

Em uma construção  equilibrada que significa hostilidade desse contínuo atrito demolidor?

E que imperfeito universo seria este, sempre sujeito aos assaltos de um princípio destruidor, que se aninha em seu seio! Certamente o sistema deve parecer bem pobre e mal feito, concebido desta forma! E, no entanto, ele é pleno de obras que revelam uma sabedoria tão grande, que nem podemos compreendê-la no seu todo.

Repugna, de maneira absoluta, a um instinto fundamentalmente peculiar a todo ser de mente sã, admitir em Deus a criação do mal.

Este só pode ter surgido depois, por outras razões. Não se podendo conceber duas criações, tendo que aceitar uma única.

Como explicar que não encontremos tudo em perfeição e bem, ou então, uma imperfeição e mal, mas perfeição e bem de mistura com imperfeição e mal?

É evidente essa duplicidade de princípios precisamente opostos. Isto não se pode explicar a não ser como a inversão de uma parte do sistema.

E como no fundo da imperfeição encontramos a perfeição, isto é, uma sabedoria que possui a força de salvar a imperfeição da autodestruição, e de purificá-la reconduzindo-a ao estado de perfeição?

Livro: Deus e Universo

http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/DeuseUniverso.pdf

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