A imanência da causa primeira

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Apesar do Sistema ter desmoronado, permaneceu no fundo dele a imanência da causa primeira que o gerou e que está em nós sempre presente e ativa, para reconstruí-lo.

No plano físico a via natural de cura é a expressão de Deus imanente, pois ele está em nosso interior sempre atento à restauração da forma, que é protegida, porque é manifestação de vida no plano em que devemos elaborar-nos, para reerguer-nos.

Não é possível existir em nosso universo a não ser como um vir-a-ser, pois a criação não é um fenômeno estático, mas de incessante formação, que não se pode reger nem se explicar sem esta permanente e operosa presença de Deus no Seu aspecto imanente.

Quem mais poderia assim tudo reconstruir?

É verdade que a morte ameaça continuamente a vida, mas é verdade também que a vida acaba vencendo, reduzindo a morte a um meio de renovação, sendo justamente isto o que determina a evolução, que avança para a superação da morte.

Esta presença de Deus patenteia-se não só no campo físico, mas também no moral, pois com a culpa, vindo da ideia do pecado, nos leva à concepção de uma punição, quase uma vingança de um Deus que, com isto, egoisticamente defende a Sua ordem violada e a justiça por Ele representada, defendendo mais a Si próprio do que a criatura.

E assim, explica-se a dor, a qual devemos compreender, que se trata de um remédio que nos cura e de uma escola que nos instrui.

A reação da Lei significa a salutar intervenção de Deus imanente a infligir-nos uma dor proporcionada e adequada ao fim, para que, através dela, o Sistema possa reconstruir-se precisamente no ponto violado e, assim, o ser possa reentrar no caminho da sua salvação.

Todos os nossos males não passam, pois, de expedientes corretivos para retificar posições erradas, assumidas por nós, e para nos ensinar a viver na ordem divina, onde só pode haver felicidade. Assim, em qualquer campo, este impulso divino interior e restaurador nos acompanha para nos curar.

A própria moléstia é uma sua reação para curar o nosso corpo. E, quando o dano ultrapassou os limites permitidos e, assim, a ordem (saúde) não pode mais ser rapidamente restabelecida, essa mesma força, que denominamos natureza, resolve igualmente o mal, de maneira mais radical, por meio da morte, que permite recomeçar a vida sadia de novo.

Desta forma, no campo moral, todo excesso é compensado por uma proporcionada e específica carência. Mas não basta dizer que isto é justiça e reconstrução da ordem. É necessário dizer também que a razão pela qual a dor nos flagela, e essa reside na operação do restabelecimento de nós mesmos, para nos fazer voltar à ordem, somente onde podemos ser felizes.

Com o erro não violamos apenas uma lei que pertence a Deus, mas demolimos a ordem em nós, a ordem que é a nossa felicidade. E Deus não pensa egoisticamente na reconstrução da Sua ordem violada, mas sim em nosso bem estar, obrigando-nos, pela dor, a reconstruir a ordem e a felicidade.

De tudo isto se depreende que a dor deve ser dosada, isto é, diminuir quando superiores às nossas forças, pois a vida, que é sagrada, jamais deve ser ameaçada. Isto porque a dor não é reação cega, punição que esfacela, mas constrição ao esforço que educa e endireita.

Em nossas dores, devemos ter sempre presente que não estamos tratando com forças inimigas e inconscientes, mas com forças boas, justas e sábias.

A dor, se bem compreendida, deve fazer-nos sentir mais próxima a presença ativa e salvadora de Deus imanente, à qual mais nos devemos unir.

Que maravilha para o intelecto e que conforto para o coração chegar a compreender que a dor é um ato de amor com que Deus nos agracia, para nos induzir a retomar o caminho certo de nossa felicidade, que havíamos abandonado!

Então, o intelecto compreenderá, efetivamente, por que as provas jamais podem superar as nossas forças e como elas se desvanecem tão logo se tenha realmente aprendido a lição.

Compreenderá por que a Providência costuma tardar tanto, salvando-nos somente no último momento, ao cairmos sob o peso da cruz, pois é necessário esgotar antes todos os recursos na aprendizagem da lição.

Uma Providência que no poupasse tal esforço trairia o nosso restabelecimento e prejudicaria a nossa evolução.

Enfim, o coração encontrará em meio à dor o imenso conforto do amor, sentindo Deus a seu lado; Deus, que, no Seu aspecto de Filho, em Cristo, ampara a nossa cruz e a arrasta conosco, compartilhando de nossa dor.

Pois que Deus imanente desceu a sofrer na forma, no íntimo do ”eu” da criatura decaída, para reerguer-se nela ao Seu aspecto originário e perfeito de Deus transcendente.

Livro: Deus e Universo

http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/DeuseUniverso.pdf

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