Criação às avessas

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O livro Deus e Universo é uma síntese teológica, resolvendo numa visão suprema os problemas máximos.  A Grande Síntese representa a síntese do conhecimento humano, Deus e Universo representa a síntese do conhecimento divino. E é somente assim que o quadro está completo e que se pode ver quanto conhecimento ainda havia, além daquele primeiro tratado, pois esta última visão levou-nos para além de todas as nossas dimensões, diante do Absoluto e do Infinito.

O desmoronamento das dimensões teria sido muito mais vasto do que o possamos perceber em nosso universo, ou seja, um desmoronamento cujos dois termos extremos estão situados, como é lógico, no infinito, que é a dimensão do Tudo-Uno-Deus, donde tudo derivou e para onde tudo volta.

A Grande Síntese  desenvolve esta segunda parte do ciclo para fases que mais interessam ao homem e ao seu universo. Mas, agora podemos compreender como esses limites se dilatam ao infinito, e como o que é chamado ali de criação, no sentido comum, se refira apenas ao homem, pois exprime somente uma das fases da queda, isto é, da série das criações sucessivas.

Já notamos como se reproduzem, nas três fases do procedimento do nosso agir, os três momentos: espírito, energia e matéria, que constituem o ciclo da queda e reconstrução. Toda nossa atividade criadora, no trabalho, segue estas três fases:

1) primeiro um pensamento que concebe e projeta a ação (fase espírito);

2) depois uma vontade que executa aquele pensamento, que, de outro modo, permaneceria sem atuação, ou seja a ação que cria (fase energia);

3)enfim, uma forma concreta na qual se imprimiu a ação e o pensamento se exprimiu (fase matéria).

O primeiro modelo deste fato, que repetimos a cada momento, foi criado pela queda.

Vejamos uma correspondência entre os três momentos ou aspectos da Trindade (Espírito, Pai, Filho) e as três fases do ciclo da queda e da subida. De fato, três são as etapas do processo involução ou evolução: espírito, energia e matéria. Em ambos os casos, temos, na primeira fase, a concepção, na segunda a ação, na terceira a criação realizada. Em ambos os casos, em primeiro lugar a obra é concebida, depois executada, e finalmente realizada na forma desejada.

É evidente, pois, o seguinte fato: no ciclo da queda ecoa o motivo da criação, mas em posição invertida, ou seja, ao invés de se chegar à verdadeira criação dos espíritos, no terceiro aspecto da Divindade, o Filho, chega-se a uma pseudo-criação invertida na matéria, aquela que o homem chama criação. Constituído o primeiro modelo da Trindade, não se podia sair dele; e com efeito ele retorna, ainda que invertido, permanece sempre o mesmo.

Temos assim uma criação às avessas, que é uma corrupção da substância, e que não é construção, mas destruição; uma criação de que não nasce o espírito, mas a matéria. De fato, não podemos compreender a fundo nosso universo senão como uma inversão ao negativo, da verdadeira criação, pois esta, para poder ser logicamente atribuída a Deus, deve ser perfeita e espiritual.

Podemos compreender assim a primeira origem da estrutura trifásica do fenômeno da queda, e a razão pela qual assumiu essa forma. Mostra-nos ele a marca recebida do primeiro modelo, o da Trindade da Divindade. Mesmo na queda, o primeiro momento é  o espírito, como era o primeiro aspecto da Trindade (a concepção). O segundo momento é a energia, como era o segundo aspecto da Trindade (o Pai ou Verbo, – a ação). O terceiro momento é a matéria, como era o terceiro aspecto da Trindade (Filho – a criação realizada).

Mas se esta estrutura do fenômeno da queda nos mostra refletida em si, a Trindade do Tudo-Uno-Deus, ela no-la oferece em posição invertida, que, ao invés de concluir com a criação, conclui com a destruição.

A trindade trifásica da queda é apenas uma imagem contrafeita, de valores corruptos, bem diferente dos da primeira Trindade perfeita.

Enquanto que o terceiro momento desta pode ser figurado como uma esfera de luz, em que triunfa a Lei e o Sistema, em que se realiza o pensamento e a vontade de Deus, – o terceiro momento da Trindade da queda pode figurar-se como uma esfera de trevas, em que triunfa a revolta e o Anti-Sistema, em que se realizou o pensamento e a vontade de Satã.

Com isto, as duas visões contempladas nos dois volumes A Grande Síntese  e  Deus e Universo , aparecem fundidas numa visão única, dando-nos num só golpe de vista o quadro completo de uma síntese maior, que engloba todo o problema do conhecimento.

Mudemos, agora, a engrenagem mental, os métodos de investigação e os pontos de vista. Desçamos dos remotos planos da intuição.

Retomemos a psicologia dos seres racionais comuns, que observam e duvidam, e com ela continuemos o nosso trabalho; analisemos com a mente fria, à maneira de positivistas descrentes, os resultados obtidos, procedendo pela lógica pura, desconfiando e controlando, em busca de provas.

 

 

Livro: O Sistema

http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/OSistema.pdf

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