O Absoluto fragmentado no Relativo

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O nosso universo que a ciência estuda e que aceitamos como base da pesquisa para o conhecimento, não representa a criação nem o verdadeiro estado do ser, mas apenas um estado patológico transitório, de que, só indiretamente, podemos reconstruir o estado perfeito e definitivo.

O método adotado pela ciência, o da observação e da experiência, aplicados aos fenômenos desse universo, jamais poderá conduzir-nos ao conhecimento das causas primeiras. Isto não só porque para reconstruir o plano geral, seria preciso percorrer toda a fenomenologia do universo no infinito do espaço e do tempo, mas sobretudo porque o mundo fenomênico é apenas um derivado corrompido de um estado de perfeição originária bem diferente.

No futuro, o homem usará métodos totalmente diferentes de pesquisa, pois sua atual posição no caminho da subida, se já o distancia da pedra, deixa-o ainda distante ainda dos planos espirituais que o esperam.

Nosso atual mundo pode-se considerar um composto híbrido, em parte constituído por uma ossatura material, sobre a qual a vida se está elevando e assim realizando seu trabalho de reconstrução espiritual.

Somos por isso constituídos de dupla natureza, feitas de dois termos em contraste, na qual lutam o bem e o mal, a luz e as trevas.

Nossa unidade é uma conjunção de dois elementos antagônicos, o passado que não quer morrer e o futuro que quer nascer em seu lugar. Assim, somos feitos de infinito aprisionado no finito, do absoluto fragmentado no relativo, de felicidade que chora na dor, de sabedoria que se tornou ignorância, de vida eterna despedaçada no ciclo das vidas e das mortes; somos verdadeiramente anjos decaídos.

E então para reencontrar o infinito, vamos acumulando insaciavelmente fragmentos de finito, e tentamos aproximar-nos da imortalidade agarrando-nos a esta vida breve e prolongando a recordação dela com grandes obras.

Desmoronou o gigantesco edifício, e estamos recolhendo as pedras espalhadas no chão, experimentamos reuni-las umas sobre as outras, e já levantamos algumas paredes. E prosseguimos, cimentando as pedras com lágrimas e sangue, para tornar a fazer a nossa bela morada de conhecimento, de liberdade e de bondade, donde saímos.

Estamos cansados e quereríamos parar, mas acicata-nos o horror do vazio, das trevas e da dor, da morte em que mergulhamos.

Queremos viver; e a centelha divina originária do espírito, embora sufocada nas angústias da morte, não pode morrer. Ela sobreviverá a todas as lutas e a todas as dores, até que o organismo imperfeito, correndo em busca da perfeição, a torne a encontrar, e tudo assim fique sanado, para poder reentrar no seio do grande organismo perfeito de onde saiu o Tudo-Uno-Deus.

A Grande Síntese mostra-nos o percurso desse caminho ascensional partindo da matéria, da sua origem e evolução, através das formas da energia, depois da vida mineral, vegetal e animal, subindo sempre até ao homem, ao seu espírito, ao seu mundo social e moral, até ao seu futuro nos mais altos planos da existência.

Mas uma vez registrado o pensamento de A Grande Síntese, a visão se alargou com a contínua maturação do espírito e o olhar estendeu-se para horizontes mais vastos, levando-me além dos limites de nosso universo, que vai da matéria ao espírito.

Então, uma força me arrastou e me colocou diante do pensamento de Deus. Não posso dizê-lo de outro modo, porque foi isto que me aconteceu. Tive a sensação nítida de que a fonte da inspiração não era mais Cristo, o Filho, que em A Grande Síntese falara aos homens sobre seus problemas; mas que a fonte era o Pai, o Verbo Criador, que queria lançar luzes sobre os problemas máximos, cuja solução está além das capacidades racionais e dos meios de investigação do homem.

Livro: O Sistema

http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/OSistema.pdf

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