O mal gerando o bem

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A evolução procede do caos para a ordem, em todos os planos.

A primeira criação de espíritos foi um estado orgânico perfeito, em que reinava uma ordem hierárquica.  O desmoronamento convulsionou essa ordem em uma  hierarquia subvertida, uma anti-hierarquia do anti-Sistema, contraposta à hierarquia do sistema. Na anti-hierarquia o deus é Satanás e o bem é dado pelo mal e a perfeição está no caos.

A grande luta em nossa fase se trava entre os dois princípios e hierarquias, pela reconstrução do estado originário orgânico, partindo do estado inorgânico caótico, em que caímos e do qual evolvemos.

No plano social, o legislador humano repete o gesto de Deus, que enquadra a Sua criação na Lei. Legislador a principio armado de sanções ferozes e do terror das penas, para depois apoiar-se, cada vez mais, na convicção, na consciência da utilidade de seguir a lei, avançando para a livre e espontânea observância, que substitui a coação.

Desta forma se compreende como o terror de um inferno feroz e eterno, ainda que, em Deus, essa ideia ofenda o princípio fundamental do Amor, tenha sido e seja uma necessidade psicológica para disciplinar o involuído.

Assim, perguntamos por que o método do mal é o de oferecer primeiro a alegria e depois afogá-la na traição da dor, enquanto o do bem, ao contrário, é exigir primeiro o esforço, para em seguida dar a justa e proporcional recompensa?

Tudo agora se torna lógico, pois que se trata de posições opostas, nos dois polos contrários do sistema. Os métodos, efetivamente, são de oposição entre si.

O primeiro consiste em sacar o gozo a crédito, sem a intenção de pagar, método desequilibrado, desonesto, irresponsável, adaptado à consciência do involuído que, em sua ignorância, é levado a fraudar, porque o crê possível e útil.

O segundo antepõe o esforço à alegria, a fim de que tudo seja merecido, método equilibrado, honesto, de quem se sente responsável; método consentâneo com a consciência do evoluído, levado, por haver compreendido, a proceder com justiça, certo de que sé ele é útil e de que o contrário é nocivo.

No primeiro caso gera-se a confusão tanto para o indivíduo como para o sistema; no segundo, a sinceridade está em toda parte. Cada qual coloca-se em um dado ponto do sistema, segundo a própria natureza. Se for involuído, permanece na periferia com um tratamento relativo ao seu nível; se for evoluído, ascende ao centro com resultados opostos. O sistema subverte-se tanto mais, quanto mais periférico for o ser.

Em direção ao polo negativo do ser, a livre lei moral do evoluído involve de tal maneira que se precipita no determinismo da matéria, pois a condensação física é máxima, como o é a pressão gravífica, ao passo que o purgatório se eleva do lado oposto, utilizando, como na técnica reconstrutiva do sistema, o material produzido pela ação do mal, para caminhar rumo ao céu, ao bem, espiritualizando-se, à medida que se distancia da matéria.

Assim o abismamento de Lúcifer é um meio para a formação do purgatório, instrumento do bem, meio de expiação, onde o mal, em última análise, torna-se um meio utilizado para a libertação do próprio mal.

Os produtos da ação do mal, que escavou o abismo na Terra, servem para a edificação de um monte fora dela, no qual se prepara para a realização dos fins do bem.

Se soubéssemos ver em profundidade, poderíamos bem dar-nos conta deste fato, que se repete em tantos eventos de nossa vida, pelo qual o mal acaba por gerar o bem.

Livro: Deus e Universo

http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/DeuseUniverso.pdf

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