A pacificação

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Os nossos juízos sobre a ação divina se detém na superfície e se limitam ao momento, e, pretendemos com eles concluir a respeito dos problemas que desconhecemos, como o mal.

O problema é que o mal é o impulso a que o involuído mais obedece. Então, a força mobilizada não pode ser o bem, mas o mal. Por isso, as guerras, que parecem tão inúteis e homicidas, são muitas vezes úteis para determinar entre inimigos, que de outra forma se odiariam, a necessidade de coalizão com o objetivo de defesa comum, levando-os à unificação, uma das grandes vias evolutivas, que nos conduzem a Deus.

A sabedoria da Lei se revela em excitar as nossas possibilidades latentes para que o bem, que está dentro de nós, possa aflorar pelo nosso esforço. Por isso, os assaltos exteriores do mal e da dor agem sobre todos indiscriminadamente. O efeito é que difere, dependente sobretudo da reação que a natureza de cada qual estabelece.

Se o indivíduo for um involuído, tudo para ele pode tornar-se instrumento de perdição; ao contrário, se for evoluído, tudo se lhe transforma em meio de elevação. O primeiro, vendo-se acuado pelo mal, reage com o mal, descendo mais ainda. O segundo reage com o bem, elevando-se.

A mesma força pode, assim, produzir dois efeitos opostos, conforme o ser com que colide, mas, em qualquer caso, pondo a descoberto a natureza do indivíduo. Isto significa tendência a aumentar-lhe as qualidades, sejam quais forem elas, tendência a assim resolver o dualismo da existência, quer para o bem, volvendo a Deus, quer para o mal, onde o ser se anula longe de Deus.

Isto patenteia-nos que a fratura dualista do sistema tende verdadeiramente a consolidar-se, fundindo-se no Uno originário, que se reconstitui integralmente na sua primeira unidade. É verdade que o sistema fracionou-se, mas no seu seio permanece a imanência da Causa Primeira que o gerou, a qual representa um impulso permanentemente ativo na sua reconstituição integral.

Se em seu aspecto exterior o nosso universo parece degradado, entretanto, na sua estrutura íntima ele é são e poderoso, equilibrado e sábio, incorrupto e perfeito, mesmo que os seus elementos negativos, pareçam funcionar com resistência; que em última análise, agem como elementos positivos colaborando à sua maneira, com sua natureza invertida, efetivamente para o restabelecimento e  triunfo do sistema.

A íntima e divina potência criadora não se extingue e tudo sabe criar de novo! Neste sentido, dizemos que em nosso universo a criação é contínua, isto é, Deus, no Seu aspecto imanente, está permanentemente em atividade na obra da Sua reconstrução.

Que maior maravilha do que um Sistema invertido no exterior, na forma, mas que possui, em seu âmago, uma alma, representada por Deus e por Suas criaturas obedientes, capaz de endireitá-lo e restabelecê-lo, fazendo de uma ordem decaída no caos, um caos que se reconstitui na ordem de um sistema orgânico?

Que há de mais extraordinário que, num universo em que tudo está fragmentado e degradado, fazer dos escombros um excelente material de construção e das ruínas erguer um esplêndido edifício?

O bem é tão central e forte no sistema que será sempre o senhor. E o pobre mal rebelde, acreditando-se vitorioso, é reduzido à banca de prova na oficina do bem. Outra alternativa não lhe resta senão a de anular-se espontaneamente, reconhecendo-se errado, para aderir ao bem, ou de consumir-se até o anulamento, cedendo toda a substância de que se constitui ao seu inimigo, o bem.

A rivalidade só colima um objetivo – o da pacificação.

É assim que o erro da criatura é honestamente guiado para a sua automática superação.

A criação desmoronou nas trevas, mas em sua profundeza permaneceu muita luz.

O espírito caiu no mal, mas em sua intimidade ficou o bem.

Satanás desviou de Deus muitas almas, mas no interior delas Deus continua vivo, agitando-as para reconduzi-las a Ele.

Livro: Deus e Universo

http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/DeuseUniverso.pdf

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