A cura do rebelde

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O primeiro período do ciclo da revolta é a descida ou involução.

O segundo período do ciclo é representado pela subida ou evolução, onde inicia-se o grande fluxo de retorno, para reerguer os valores invertidos.

Ao contrário de antes, em que o caminho consistia no afastamento de Deus, ele consiste agora numa reaproximação progressiva. É a própria atração de Deus que estabelece a rota do “tornar-se”, que imprime seu telefinalismo a todo o processo, voltando a trazer a Si tudo que dantes Dele se afastara, até novamente se atingir o ponto de partida.

Nesse momento, está o Sistema reconstituído, a doença foi curada e o episódio termina com o ser rebelde tendo aprendido, mediante lição salutar, quanto mais vantajoso seria para ele manter-se na ordem, do que entre todos os males que derivam da desordem.

Desse modo, terá a Lei de Deus demonstrado plenamente a Sua perfeição, porque soube abranger e resolver, em seu seio, toda a desordem e tornar a trazê-la para a ordem, seu ponto de partida. Assim, a subida anula a descida, um período absorve o outro, equilibrando todo o ciclo, e a redenção cancela a revolta.

Na perfeição da Lei estavam calculados pelo pensamento de Deus até os movimentos errados e os desvios das órbitas do Sistema que havia sido dotados de meios que, automaticamente, fizessem tudo reentrar no itinerário da ordem. Assim, o movimento que se destacou de Deus, volta a Ele.

O movimento errado provocado pela vontade da criatura é corrigido e saneado pela vontade do Criador. Este é o significado profundo do conceito de redenção.

Então, a soma dos dois períodos forma o ciclo completo, feito de um movimento que se fecha, dobrando-se sobre si mesmo, sem nada ter deslocado na estrutura do Sistema. No conjunto tudo volta a seu lugar, no fim a correção neutraliza o erro, a expiação reabsorve a culpa.

Mas o nascimento do ciclo fez aparecer um conceito novo: o movimento, o transformismo fenomênico, o não poder existir senão como um “tornar-se”, conceito que só existe no ciclo da queda, que é justamente feita desses seres imperfeitos, que correm atrás da perfeição para alcança-la.

É evidente que, se no Sistema reina a perfeição, não se pode conceber aperfeiçoamento nem movimento necessário para alcança-la, e não existe o fenômeno como nós o conhecemos, no sentido de um “tornar-se”.

Podemos conceber o transformismo de nosso mundo fenomênico, como uma corrupção da imobilidade própria do Sistema, vendo a essência de nosso universo, a origem, a razão e o significado dos princípios que o regem.

Podemos também ver as causas mais remotas e profundas de sua estrutura atual. Acha-se assim o ser encaixado numa posição em que é imprescindível necessidade o viver em formas sem duração, num mundo em que nada resiste ao tempo; é necessário o transformar-se, preso a uma instabilidade contínua, à qual nada pode escapar. E não haverá paz enquanto não se tiver percorrido todo o ciclo até o seu final.

Explica-se com isso a fatalidade inevitável da necessidade de progredir e a razão pela qual o ser está constrangido a esse esforço pela própria ânsia insaciável que está no fundo de sua alma, que aspira sempre o melhorar.

O sinal da perfeição perdida está impresso com caracteres indeléveis em nosso espírito, que não a esqueceu e tem fome de reconquista-la.

A insatisfação o instiga e acicata, constrangendo-o à corrida, queira ele ou não. E o ser corre, impulsionado por essa ânsia. Deus o espera no final da corrida, e desde já o convida, o ajuda, lhe abre os braços para recolhê-lo em Seu seio.

A corrida para a perfeição é dura, mas deverá ter um fim.

O trabalho é penoso, e compete a nós executa-lo, mas foi merecido, somos auxiliados e os resultados são nossos. A visão satisfaz a todas leis de nosso mundo físico e dinâmico, como desenvolvimento de forças, tanto da justiça como da ética.

Deverá o ser viver na febre da insatisfação, até que seja satisfeito; terá de viver no mal e na dor, até que tenha aprendido à sua custa a viver com disciplina na ordem da Lei.

Assim, na escola da dura experiência, o ser aprenderá que sua vantagem maior não é rebelar-se contra a Lei, como se faz na Terra, mas sim obedecer a ela. E dessa forma, nessa escola, ele passará de classe em classe, aprendendo cada vez mais e melhorando.

A marcha levada à originária pureza do Sistema deve ser toda limpa com nosso suor.

Até aquele momento, terá de viver o espírito a serviço das necessidades materiais de sua forma física, deverá voltar a encarnar-se, fundindo-se com ela, para desmaterializar essa matéria até que ela alcance a condição de espírito, que quer gera-la em sua desordem. Não há outra solução possível que consiga destruir essa forma da substância que se chama matéria. E isto porque a substância é indestrutível, e uma forma dela como o é a matéria, não pode ser eliminada senão quando venha transformada em outra sua forma, que, neste caso, é o espírito.

É assim que a matéria só pode ser destruída quando for reabsorvida em outra forma da substância indestrutível, como o é o espírito. E isso porque a substância tem apenas três formas, e delas não se pode sair.

Assim, o significado profundo da evolução de nosso universo é dado por esse conceito de espiritualização, pelo qual toda a matéria existente deverá desaparecer como tal, por desintegração atômica, e, por meio das formas dinâmicas, voltar ao estado originário da substância, da qual proveio.

Livro: O Sistema

http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/OSistema.pdf

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