Queda e reconstrução do Sistema (4)

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Se a queda fosse definitiva, a obra de Deus, que é a obra perfeita da primeira e verdadeira criação, estaria definitivamente falida, pela vontade apenas de algumas criaturas rebeldes. Ora, é absurdo, num sistema perfeito, fosse dado pelo próprio Criador tanto poder. Deus, como Onisciente, devia saber tudo de antemão.

Já dissemos ser a obra de Deus tão perfeita, que contém em si, desde o início, todos os elementos de recuperação, o remédio para seu autotratamento.

Isto se explica com o fato de que os espíritos decaídos continuaram a ser centelhas de Deus e ofuscaram, mas não destruíram, a sua natureza divina. É neste sentido que os homens também, em sua íntima natureza espiritual, derivada daquelas remotas origens, podem ser chamados deuses.

 Em outros termos, no Sistema corrompido em Anti-Sistema, através desses seres que o constituem, sem terem perdido as suas qualidades originárias de espíritos filhos de Deus (3º momento de Trindade), continua presente a Divindade, impedindo o Anti-Sistema da destruição completa. Trata-se de uma presença viva e operante. Eis onde se encontra o remédio para o autotratamento. É essa presença de Deus que representa e torna possível a salvação.

Deus continua centro do Sistema; o Anti-Sistema, por sua natureza negativa, pôs-se a girar em torno do polo oposto à Divindade, um pseudo-centro, negativo, mas Deus continua representando seu verdadeiro centro, que só pode ser um: o positivo. E não podia haver outro caminho de salvação para o Anti-Sistema. Foi dessa possibilidade que se derivou e só assim podemos explicar como tenha nascido, exista e seja concebível na Terra a ideia de redenção.

 Isto, entretanto, não significa que todo o Sistema tenha se desmoronado. No dualismo derivado da queda, a Divindade, mesmo permanecendo una, transformou-se, também, em novo aspecto. Temos o aspecto de Deus transcendente, ao qual se subordinou a parte incorrupta do Sistema, onde permaneceram os espíritos obedientes, na ordem da Lei; e temos o outro aspecto novo, de Deus imanente, que acompanhou o Sistema em toda a sua queda, permanecendo, como poder saneador de todos os seus males e diretriz do caminho evolutivo.

A isto tudo devemos a capacidade de recuperação do Anti-Sistema, que de outra forma não teria explicação. É assim que se torna possível, após o período da destruição ou período involutivo, o da reconstrução ou período evolutivo; só assim é possível esta inversão de rota, em sentido positivo, que o Anti-Sistema ignora, mas é impulsionado segundo uma direção e sob um conjunto de forças que ele não possui.

Logicamente, deveria continuar até à plenitude de sua negação, isto é, até atingir o completo e definitivo aniquilamento do todo no nada, sua meta final. E assim, pois, que ocorre o prodígio pelo qual o Anti-Sistema, chegando ao extremo da descida, retoma o caminho destruindo a sua própria obra de destruição, e concomitantemente a si mesmo, começando a reconstruir em direção oposta à sua, que não é mais a do Anti-Sistema, mas a do Sistema.

Eis a redenção, que consiste a evolução. E assim, no último momento, se opera a grande maravilha, isto é a vitória divina, ou seja, o Sistema vence o Anti-Sistema, reconstruindo-se sobre as suas ruínas.

Quer isto dizer que as trevas se purificam até se tornarem luz, a ignorância até tornar-se conhecimento, a escravidão até achar a liberdade do espírito, a dor até achar a felicidade, a morte até encontrar a vida, o mal até tornar-se bem, o caos do Anti-Sistema até inverter-se para tornar-se a ordem do Sistema. Então, aquela queda, que pode parecer uma imperfeição do Sistema, representa, pelo contrário, a sua maior perfeição.

O homem percorre agora este caminho de subida, no qual há luta entre o elemento negativo, que deseja a destruição, e o elemento positivo, que busca a reconstrução. Daí os contrastes entre os princípios dominantes em cada uma das diferentes fases de reconstrução da Lei, correspondentes aos vários planos de evolução; daí a luta entre o nosso passado de animalidade e o anseio instintivo de um futuro melhor, entre a realidade feroz de nossa vida e a sede de bondade e justiça; daí a necessidade de ficarmos submetidos ao esforço de progredir, e a insaciabilidade que nos acicata para horizontes cada vez mais remotos, a sede de infinito na alma fechada num corpo, acorrentado às suas imprescindíveis necessidades materiais.

Embora aqui se trate de problemas altos e remotíssimos em relação aos de nossa vida cotidiana, não podemos deixar de constatar como os primeiros explicam os segundos, e como a cada momento encontramos nestes a confirmação da verdade e das teorias que estamos desenvolvendo, as únicas que podemos aceitar como causas dos efeitos constitutivos de nosso mundo atual.

Tudo isso continua perfeitamente lógico, porque, como dissemos, tratando-se de problemas remotíssimos, temos em nosso relativo não um pedaço destacado do todo, mas como um espelho, pequeno e opaco, onde, não obstante, se reflete o Absoluto, cuja imagem, apesar de tudo, ali podemos ver reproduzida.

Livro: O Sistema

http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/OSistema.pdf

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