Queda e Reconstrução do Sistema (2)

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Encontramo-nos, agora, situados diante do terceiro aspecto da esfera do Tudo-Uno-Deus: o de Deus-Filho.

Tudo continuava existindo em perfeita ordem, segundo a Lei. Fora dada por Deus, à multidão dos espíritos, uma livre autonomia de vontade, com a condição desta ser coordenada em harmonia com a Lei, em função Dele.

Este poder estava nas mãos deles que, sendo livres, podiam dirigi-lo mesmo em direção errada, contra a ordem, contra a Lei, contra o próprio Deus. Bastava aquele poder, ser canalizado pela vontade livre deles, para fora do caminho justo, e ocorreria a queda.

Foi justamente este o fato novo que aconteceu.

Pelo uso errado de sua liberdade e um excesso de expansão do eu, por um egocentrismo exagerado e sobretudo invertido, ou seja, não centrífugo, isto é, que partindo de si mesmo trabalha a favor de todo o organismo, como deve ocorrer com todas as células sãs e disciplinadas, mas centrípeto, em função do próprio eu, foi implantado no sistema o princípio anárquico do egoísmo em lugar do princípio orgânico da cooperação.

Dessa forma, o estado de fusão unitária se subverteu no dissídio separatista. Iniciou-se, por isso, no seio do sistema, todo de natureza afirmativa ou positiva, o arremesso de um impulso oposto, todo negativo. Não se tratou simplesmente de uma desordem qualquer, que semeasse o caos no seio da ordem.

Dada a natureza do impulso de onde nascera, essa desordem assumiu uma direção precisa e significou exatamente o emborcamento do Sistema num estado antagônico ao anterior: o Anti-Sistema.

Com efeito, o nosso atual universo é baseado no dualismo: Sistema e Anti-Sistema, e só assim podem ser encontradas e compreendidas as suas primeiras causas. Só assim podemos compreender por que, em nosso universo, tudo se baseia no contraste dos elementos, impulsos e conceitos opostos e complementares.

Dessa forma nasceu este triste mundo, nossa triste herança e consequência da queda, mundo em que, em contraste com o bem reina o mal, com a alegria a dor, com a luz as trevas, com o conhecimento a ignorância, com o espírito a matéria; e apareceram todas as forças e conceitos ao negativo, o que não existia antes no Sistema, sendo agora qualidade exclusiva do Anti-Sistema.

Por isso, se no fundo deste aparece o caos, não se trata de um caos desordenado, feito ao acaso, mas de uma desordem, justamente porque, com o Anti-Sistema, se chega ao polo oposto da ordem, no qual esta se apresenta emborcada, em seu estado contrário.

A lógica, implícita na perfeição originária do Sistema, permanece íntegra em qualquer transformação sua.

Porém, nem todos os espíritos se rebelaram, de modo que a desordem não foi geral, ou seja, não abrangeu toda a terceira esfera ou aspecto da Divindade, aqui chamada o Filho. Assim, nem todo o Sistema se transformou em Anti-Sistema. Uma parte do Sistema permaneceu íntegra em sua perfeição, enquanto na outra parte, rebelde, a ordem se desfez na desordem.

Naquele momento tremendo, a unidade se partiu em dois, e ocorreu a grande cisão de que nasceu o nosso universo corrompido, no qual vivemos justamente nesse estado de cisão, ou seja, separados da alegria, na dor; da luz, nas trevas; do espírito, na matéria, numa palavra, em tudo invertidos no negativo, como é lógico ocorrer no seio do Anti-Sistema.

Então, todos os que tinham querido mandar, em vez de obedecer, caíram, de um estado de límpida visão, num universo de ilusões; todos os que tinham querido dilatar demais as devidas dimensões do próprio eu, permaneceram aprisionados nas restritas individuações da forma e, da ilimitada liberdade do espírito, ficaram constrangidos à escravidão das necessidades da matéria, no cárcere do próprio restrito egoísmo.

Dessa maneira, enquanto uma parte caiu, outra parte dos espíritos permaneceu intacta, em sua perfeição, no Sistema. Assim o Tudo-Uno-Deus resultou como que partido em dois; uma parte continuou na perfeição do Absoluto e a outra foi formar a estrutura material e espiritual de nosso universo.

Devemos compreender bem, não representar este a verdadeira criação, como se crê, mas uma contrafração, uma inversão sua, um seu verdadeiro estado patológico, embora transitório e curável. Em outros termos, o nosso Universo não é a criação, mas uma sua doença, que lentamente se vai curando.

Livro: O Sistema

http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/OSistema.pdf

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