Deus e Criação (2)

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Existindo em um mundo emborcado do lado negativo, em relação a Deus, só sabemos conceber Deus como uma negação de tudo o que constitui nosso mundo. Pelo fato de sermos sombra, só podemos conceber Deus como a sombra concebe a luz, isto é, como o contrário de si mesma.

Este nosso mundo de matéria, percebido pelos nossos sentidos, não é Deus.

Este ou aquele fenômeno ou forma, em seu aspecto contingente, não é Deus. Mesmo Deus estando em tudo o que somos e vemos, tudo isso, por si só, não é Deus.

Ele está além de todo fenômeno e forma, de toda posição do particular.

Se se pudesse definir o infinito, a definição de Deus deveria estar para nós, antes, no negativo, isto é, como a negação de tudo o que para nós, em nossa posição, ao contrário, existe.

Todavia, a sombra não é, absolutamente completa. Ela contém sem dúvida, reflexos de luz. Isto porque no atual plano de sua vida, o ser humano já percorreu certo trecho do caminho da evolução, ou seja, já subiu uma certa parte do caminho da descida e com isto reconquistou um pouco da perfeição originária.

Ora, as definições comuns de Deus, em sentido positivo, foram obtidas com o elevar-se à potência infinita, as mínimas quantidades de perfeição reconquistada pelo homem ou intuída como futura realização a conquistar, isto é, os pálidos reflexos contidos na sombra.

Chegamos assim, não a uma definição, mas apenas a uma aproximação do conceito de Deus. Com efeito, não é possível uma sua definição, porque, como acima dissemos, não se pode definir o infinito. O infinito uma vez definido não seria mais infinito.

 Compreendido este ponto, continuemos a contemplar a visão.

Focalizando cada vez mais de perto, verificamos ser a esfera constituída não de uma, mas de três esferas, idênticas em tudo, e que cada uma se vai transformando na outra. Passamos, assim, ao segundo momento ou aspecto da visão. O primeiro deu-nos o conceito de Deus. O segundo dar-nos-á o conceito de criação.

Eis então que a esfera a qual chamamos de Tudo-Uno-Deus, por representar Deus como Unidade envolvendo o todo, inicia um processo de íntima elaboração, levando-a a uma profunda transformação.

Neste segundo aspecto da visão, a Divindade se distingue em três momentos sucessivos, constituindo a Trindade do Deus-Uno. Representa o assim chamado mistério da Trindade, encontrado em muitas religiões, em todos os tempos. Eis a Divindade, una e trina ao mesmo tempo.

No primeiro momento, acha-se Deus no estado de puro pensamento. Ele então existe como um eu pensante que concebe. O movimento da elaboração interior está só na ideação abstrata, que é de visão do plano, o qual depois se realizará nos momentos sucessivos; é formulação da Lei, isto é, dos princípios que irão reger tudo; é contemplação da obra futura, ainda no estado de imagem mental.

Mas, eis que tudo se transforma e passa a um segundo momento, quando a concepção se muda em ação.

O movimento da elaboração interior, de puro pensamento se torna vontade, que executa a ideia abstrata, põe em ação os planos concebidos, aplica os princípios da Lei.

A imagem mental torna-se ação e se encaminha à sua realização.

Chega-se, assim, ao terceiro momento, àquele em que a ideia, por meio da ação, atingiu sua realização.

Então o movimento da elaboração interior se completou, chegando à obra terminada, na qual, por meio da ação, a ideia originária do primeiro momento encontrou sua expressão final, de acordo com os planos concebidos e os princípios da Lei.

É neste terceiro momento que ocorre a gênese da criatura, ou seja, a criação.

Estes três momentos representam o que chamamos as três pessoas da Trindade, ou seja: Espírito (a concepção); Pai (o Verbo, ou ação); Filho (o ser criado). Cada um dos três momentos é sempre o mesmo Deus, que permanece assim o Todo-Uno e trino ao mesmo tempo.

Livro: O Sistema

http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/OSistema.pdf

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