Por que existe a velhice?

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A velhice é produzida pelo impulso do AS, impulso negativo, destrutivo, antievolucionista, que funciona como freio do progresso em subida, porque quereria paralisá-lo. Este impulso do AS triunfa com a morte do ser, mas temporariamente, porque há também o impulso oposto do S, que logo volta e por sua vez prevalece, desenvolvendo-se em cheio com uma nova vida.

A revolta gerou o dualismo, e por isso a evolução é trabalhosa, porque para se realizar, ela precisa do esforço do indivíduo para vencer a resistência do AS, que quer o reino do anti-Deus, e não o reino de Deus.

O subconsciente representa o passado da evolução, o lado inconsciência, as trevas do AS. O consciente representa o futuro da evolução, o trabalho de construção da inteligência, a conquista da luz do S.

Podemos agora entender porque a nossa existência se alterna com duas formas opostas, em luta uma contra a outra, a vida e a morte. Este conceito, que quer dizer reencarnação, se baseia na própria estrutura dualista do nosso universo e na íntima natureza do fenômeno evolutivo. Eis por que o nosso eu oscila, ora acordado no consciente, ora adormecido no inconsciente, entre um estado de luz e outro de trevas, ora na posição de vida, ora na posição de morte. Isto porque ora vence e prevalece o S, ora o AS, fontes de dois impulsos opostos.

Podemos, assim, entender o que em substância é a evolução. Ela vai do inconsciente ao consciente, cumpre o trabalho da destruição do primeiro e da construção do segundo, consistindo na conquista da consciência, ou melhor na reconquista da consciência originária. Por isso vivemos experimentando, para despertar do sono da inconsciência, fruto da queda. Por isso a vida vai do subconsciente ao consciente e ao superconsciente, do mistério ao conhecimento prestando-se para o desenvolvimento da inteligência.

O livre arbítrio que cada ser possui depende do nível da evolução por ele atingido, porque depende da medida na qual ele possui consciência, inteligência e conhecimento. Da evolução depende o grau de liberdade, isto é, de libertação do determinismo da Lei, com que esta dirige os cegos involuídos, liberdade só possível quando surgiu a consciência necessária para se autodirigir.

Com a evolução aumenta a zona da consciência e diminui a da inconsciência. É a extensão dessa zona, num sentido ou outro, que nos revela o nível de evolução atingido pelo indivíduo.

Na velhice há para todos um regresso involutivo, como um enrolar-se da personalidade que se fecha em si mesma, encerrando em si os  resultados do trabalho da sua vida atual. Depois chega a morte, silêncio, vida introspectiva, em compensação da sua parte inversa e complementar — extrovertida, que chamamos também de vida.

Quanto mais o indivíduo é primitivo, tanto mais poderosa e real é a segunda forma de vida, e fraca, misteriosa e irreal é a primeira.

Quanto mais o ser é adiantado, tanto mais ilusória é a vida terrena, e mais poderosa, real e viva é a vida extra-corpórea depois da morte. Por isso o primitivo julga a perda da vida física uma grande perda e desesperadamente luta para a conservar, enquanto o evoluído possui a sensação de que a morte não o atinge, porque não apaga o seu estado de consciência acordada, no qual ele fica vivo, apesar da morte.

 A conclusão do processo é a conquista da imortalidade.

Este é o resultado final da evolução. Imortalidade de fato não é senão um estado contínuo de consciência acordada, de conhecimento da própria existência e da dos outros, de mente que percebe e de inteligência que entende.

Potencialmente tudo o que existe é eterno, indestrutível, imortal.

A verdadeira imortalidade é a que a evolução realiza levando o ser até o S, acima da matéria até ao espírito, do estado de inconsciência próprio do AS ao estado de consciência próprio do S.

Livro: Princípios de uma Nova Ética

http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/PrincipiosdeumaNovaEtica.pdf

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