A visão do Todo

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Para tornar compreensível um fenômeno substancialmente abstrato, que abrange todas as formas do ser, do puro espírito à matéria, recorremos a representações geométricas, que nos facultaram a possibilidade de formar uma imagem de tudo.

Para compreender, vamos encarar o Todo no seu aspecto cinético, onde: 1) o impulso (α) representa um dinamismo livre em todas direções possíveis; 2) a energia (β) representa um dinamismo encarcerado na transmissão linear por ondas; 3) a matéria (γ) representa um dinamismo completamente fechado em trajetórias que retornam sobre si mesmas.

Nas grandes dimensões, a energia segue linhas curvas até ao fim, e estas retornam ao ponto de partida. Assim, o espaço é curvo, como o é também a estrutura atômica e planetária. Portanto tudo é curvo, porém não com uma curvatura estática e constante, mas sim em expansão e contração, por trajetória espiralóide.

Eis a trajetória típica dos movimentos fenomênicos, onde tudo tende a expandir-se ou a contrair-se: esta é a respiração do universo, em dois tempos opostos. Qualquer seja o ponto de vista, trata-se sempre de uma inversão para o negativo, que pode manifestar-se como congelamento ou solidificação cinética, como contração ou curvatura do Sistema, como um aprofundar-se do espírito na matéria, uma destruição da consciência, e assim por diante.

Podemos aqui fundir em unidade todos os fenômenos, desde o moral da queda dos anjos até à progressiva demolição do espaço a um ponto; desde o da involução, ou criação, até ao da evolução.

Deste modo, limitando-nos apenas à demolição do espaço (volume) até ao ponto, o conceito de progressivo achatamento de dimensões é puramente representativo. Na realidade, a substância do fenômeno é abstrata; é um pensamento reduzível a cinética, que pode involver no dinamismo linear da energia e aprisionar-se no dinamismo fechado da matéria.

Então, o que se contrai nas demolições do espaço não é o volume ou a matéria, mas sim a construção criada por esta ideia abstrata e nela projetada. O que se contrai não é apenas o movimento constitutivo da forma, mas o seu princípio abstrato diretivo, o pensamento que a isso preside.

Estamos frente ao inimaginável e inexprimível, isto é, à progressiva demolição do espaço por demolição do conceito diretivo do fenômeno espaço, como se a fórmula matemática que o rege fosse gradativamente perdendo os seus elementos constitutivos, simplificando-se cada vez mais, desprovida de seus componentes, até transformar-se em “0”. O zero seria o nada conceptual e matemático, o momento final e conclusivo na anulação do desmoronamento do sistema sinistrogiro.

Assim, por intermédio de representações de valor relativo, podemos formar uma ideia da real estrutura íntima, funcionamento e transformismo de nosso universo e de nossa posição nele. Nós, seres humanos, estamos a meio caminho, suspensos entre o abismo do aniquilamento e o cume da perfeição. Damos importância ao universo físico porque nele se apoiam nossos pés, mas pouco discernimos o universo espiritual, que, se quisermos evolver, representa a nossa vida de amanhã.

Transpondo os limites da estreita visão focada somente no universo físico e dinâmico, veremos o Todo como um sistema bipolar que pode deslocar-se para um ou outro dos seus polos e só existe realmente enquanto oscila entre os seus dois extremos opostos, os quais tende: um, para atingir a plena existência; outro, para atingir o aniquilamento.

Esses polos podem chamar-se positivo e negativo: do ser, em Deus; do não-ser, em Satanás. Ao primeiro se sobe evolutivamente, por γ→β→α ao segundo se desce involutivamente, segundo  α → β→ γ.

O sistema negativo não é senão a contraparte do positivo, com o qual forma uma unidade. Ele é, por sua natureza, destinado à anulação em favor do segundo, que, por sua natureza, está fadado à afirmação e ao triunfo final. O ser poderá oscilar, mas, no fim, deve tomar uma direção e sofrer as consequências da sua livre escolha.

Os dois polos são dois extremos a que tudo deve chegar. Quem sobe segue uma curva que se abre, em expansão, dilatando-se a tal ponto, que atinge o infinito em Deus. Quem desce, segue uma curva que se fecha em contração e que, restringindo-se sempre, acaba no vazio, em Satanás. Quer no positivo, quer no negativo, o Sistema obedece ao mesmo princípio da curvatura cinética.

De um lado temos, pois, uma cinética em abertura; e, de um  outro, em convergência sobre si mesma, fechando-se. De um lado, o ser se dinamiza, potencia-se e se liberta. De outro lado, esta se contrai, congela-se e imobiliza-se. Eis por que os anti-Sistemas sinistrogiros se enfraquecem, por não poder, como negativos que são, usufruir da divina irradiação positiva. Eles ficam, então, isolado no Sistema e imobilizados pela sua curvatura cinética progressiva, acabando afinal desgastados pelo atrito contra a corrente, anulados e reduzidos ao ponto, não-dimensão. Assim consolida-se a fratura e se dá a reabsorção do dualismo do Uno – triunfo final do Sistema sobre o Anti-Sistema.

Esta é a visão completa do universo uno, regido por um princípio único, que se inverteu em consequência da revolta da criatura, mas apenas para de novo endireitar-se: que se despedaçou, mas somente para reunificar-se ou, para anular-se, se o ser não quiser a existência.

Livro: Deus e Universo

http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/DeuseUniverso.pdf

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