PREFÁCIO

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Com este volume, inicia-se a Segunda Trilogia da obra, chamada brasileira porque escrita no Brasil, em relação à primeira chamada italiana, escrita na Itália.

Retomamos neste escrito, os conceitos dos volumes: A Grande Síntese e Deus e Universo, a fim de fundi-los num só, numa única visão de conjunto, ou seja, num único sistema (religioso, ético, científico etc.) que abarque em síntese todos os fenômenos do Universo, orientando-os para um único centro e objetivo; um sistema que dê a chave e esgote o problema do conhecimento, pelo menos nas suas linhas gerais.

Por isso, este volume se chama O Sistema, pois representa um conjunto de princípios em que cada fenômeno se coordena, para formar um todo orgânico. Nesta visão global, a concepção científica de A Grande Síntese, vista em função do homem, fundir-se-á, permanecendo nela inserida, junto com a concepção teológica do volume Deus e Universo, vista em função de Deus.

A Grande Síntese é uma visão do Alto, isto é, vinda do Espírito para baixo, ou seja, para o mundo físico da matéria até ao homem. O volume Deus e Universo é uma visão de baixo, isto é, do plano humano para o Alto, ou seja, em direção ao pensamento de Deus Criador.

O livro nasceu no primeiro semestre de 1956. Havia então terminado o período da grande batalha e o horizonte se havia tornado mais claro. A luta, se bem que não terminada, ao menos não exigia toda a minha atenção e energia, podendo se organizar na forma dum trabalho mais regular e ordenado. Com o meu espírito mais livre pude então dirigir-me para novos caminhos.

Mudou meu estado de ânimo e não mais oprimido pela luta indispensável à sobrevivência num ambiente hostil, um sentido de libertação e de alívio me permitiu, em vez de olhar para a Terra a fim de defender-me, levantar os olhos para o Alto, contemplando visões. Nasceu deste modo este meu novo livro, que representa o maior amadurecimento espiritual até hoje atingido.

Mas para ele me arrastaram também, as forças que dirigem a minha vida, e isto através de conhecimentos exteriores, independentes da minha vontade. O Brasil é um grande país, onde o público se interessa por questões difíceis de alta teologia, coisa que não é comum em outros lugares.

De tudo isso nasceu a necessidade de esclarecer ainda melhor como se desenvolveu o processo da criação, enfrentando-o novamente, com métodos inspirativos de pesquisa,  completados e controlados pela lógica e pela razão.

Neste volume, O Sistema, a questão foi toda reexaminada: a visão foi novamente vista em seu conjunto e em seus pormenores. Deste novo exame crítico e analítico, resultaram confirmadas todas as afirmações precedentes, e demonstradas com maior evidência.

Eu teria gostado muito que a crítica alheia me houvesse apontado erros. Mas, tal como ocorreu na Itália, com a condenação de A Grande Síntese, a crítica limitou-se não a ver se a teoria era verdadeira ou falsa à luz da lógica e dos fatos, mas apenas a ver se ela correspondia a uma unidade anterior de medida, dada pela medida da própria doutrina.

Qualquer verdade nova se acha diante de outras verdades já admitidas. Se a nova verdade concorda com elas, é julgada verdadeira. Se não concorda, é julgada falsa. Assim, as verdades novas que se estão desenvolvendo nestes volumes são diferentemente julgadas. Há sempre luta entre o velho e o novo. O primeiro possui as posições já conquistadas, mas envelhece e se cansa. O segundo deve conquistá-las, mas é jovem e tem direito à vida. Ninguém pode deter o progresso que, apesar dos conflitos, continua a avançar sempre impassível. Trata-se de uma lei irresistível da vida. Basta esperar. Para compreender o novo, precisa-se de tempo.

Por isso, tudo se reduz a explicar ainda melhor, cada vez mais clara e evidentemente, até que se compreenda. A única dificuldade que pode surgir como causa de dissensões, é não se haver explicado bastante. O remédio diante de qualquer condenação é apenas o de insistir, explicando sempre mais claramente. O problema não é de modificar, mas de ser compreendido.

Assim nasceu este livro. Embora susceptível de contínuos desenvolvimentos, agora ele já esclarece tudo, pelo menos em suas grandes linhas especialmente a mim próprio, que sou difícil de convencer. E ele me convenceu. Eliminou, em meu atual estado de amadurecimento, todo resíduo de dúvida, que sempre permanece no fundo da mente de qualquer pesquisador honesto.

Assim a teoria da queda não só não morreu, como se reforçou em mim, fundindo-se com a concepção de A Grande Síntese e absorvendo-a. Por isso, essa teoria continuará a constituir a espinha dorsal das obras que estou escrevendo, de modo que os meus futuros livros não só a confirmarão, como continuarão a elevar-se nestas bases, esclarecendo cada vez mais, desenvolvendo, aplicando, convencendo. Quanto mais se estuda o que é verdadeiro, menos dúvidas se tem.

Foi assim que a Verdade sempre caminhou desta forma. As resistências fazem parte do seu processo evolutivo. Trata-se de uma lei igual para todos, que nós não podemos modificar, devendo apenas aceitá-la. É justo e devemos defender as velhas verdades já conquistadas. Mas, às vezes, repudiando e sufocando o que é novo, para defender o patrimônio já possuído, tenta-se impedir a vida de conquistar outro patrimônio melhor. No entanto, como é explicado neste volume, o impulso do progresso vem de Deus e, como tal, esse impulso é o mais forte e não pode deixar de vencer.

São Vicente, Natal de 1956

Livro: O Sistema

http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/OSistema.pdf

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