Trajetória no Destino

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É preciso entender que o processo da construção da personalidade é único, canalizado dentro do universal processo evolutivo, sujeito as regras estabelecidas; entender que é orientado dentro de um plano pré-ordenado e necessariamente orientado para um telefinalismo.

Tudo isto faz parte da técnica da reconstrução do universo.

A ignorância não deixa ver senão um nosso pequeno destino momentâneo, separado daquele imenso processo, isolado no vazio, enquanto tudo é lógica consequência e férrea continuação, como acontece no caminho de um projétil lançado no espaço.

No destino, a posição de cada momento está ligada àquelas posições de todos os momentos precedentes e sucessivos, o presente estava contido no passado e no presente está contido o futuro, E, uma vez iniciado um movimento numa dada direção, tudo tende a continuar movimentando-se na mesma direção.

Não há dúvida de que, apesar de nossa liberdade de introduzir na trajetória de nosso destino impulsos novos que o possam modificar, esta lei que estabelece o percurso de uma trajetória, uma vez que ela foi iniciada num dado sentido, representa no fenômeno um impulso de tipo determinístico ao qual todo o processo fica inexoravelmente sujeito.

Com a sua livre escolha, o ser se lança no caminho da vida numa direção ou outra, da qual ele depois não poderá sair senão por meio de impulsos seus, diferentes, lançados em diferente direção.

Mas até que ele realize com o seu esforço esta mudança, tudo continuará avançando na direção precedente. E mudar não é fácil. Não é fácil modificar os instintos. Eles representam uma massa lançada, uma velocidade adquirida, e por inércia, uma autônoma vontade de continuar, que não é fácil corrigir.

Como um projétil tem a sua trajetória no espaço, calculável segundo as suas características, assim a personalidade, no seu desenvolvimento, tem a sua trajetória no tempo, calculável segundo as suas características.

Essa trajetória no tempo é o que se chama destino.

Seja no espaço como no tempo, logo que aparece um movimento, tudo é consecutivo, aparece uma ligação entre antecedente e consequente, à qual o desenvolvimento do fenômeno fica amarrado sem saída. É por isso que o futuro, antes de se tornar presente, já está comboiado ao longo de uma linha marcada, que o prende antes do seu nascimento.

O efeito está envolvido, enredado no seio da sua causa, como o feto no seio materno como a planta na sua semente.

Tudo chega à existência por esse método de filiação, que é o que permite a conservação dos valores adquiridos, a continuidade no desenvolvimento, uma orientação constante no caminho evolutivo, um estado de ordem e organicidade neste imenso movimento de todo o universo.

Assim nada morre e tudo ressurge nesta contínua repetição do passado.

São estes liames que mantêm em unidade a imensa multiplicidade do todo.

Não há existência que não esteja em movimento, em perene transformação, mas sempre dentro da disciplina estabelecida por tais princípios.

Assim nascemos aprisionados pelo nosso passado, seja como indivíduos, seja como sociedade, constrangidos a andar de novo nos trilhos já percorridos, que no terreno da vida de contínuo escavamos com os nossos pés.

Livro: Princípios de uma Nova Ética

http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/PrincipiosdeumaNovaEtica.pdf

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