Transcendência e Imanência

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Foi o desmoronamento do Sistema no anti-Sistema que se formou a contraposição – transcendência e imanência.

Esta cisão do único aspecto, o absoluto de Deus, no de Deus transcendente e Deus imanente, representa justamente a cisão do Uno, que, como Uno absoluto, reúne em si os dois aspectos.

Ele é ambos ao mesmo tempo, estando acima da cisão, sem poder ser um só deles, ou seja, não é exclusivamente transcendente, exclusivamente imanente. Desta forma, compreenderemos que a visão dualística, a do Uno bipartido, é relativa à posição do ser no universo atual e no período da cisão, não possuindo valor absoluto.

Em outros termos, se encarado do seio de nosso universo, Deus pode parecer à criatura como imanente ou  como transcendente, isto é, poder ser concebido sob dois aspectos diversos, desde que saiamos do relativo para o absoluto, deveremos admitir a existência de Deus em um Seu só e único aspecto, que está além de qualquer dualismo e criação, ao qual denominaremos Deus absoluto.

O ser vive, presentemente, imerso na cisão. Se concebe a transcendência, é porque se coloca no aspecto imanência e,  se concebe a imanência, é porque se põe no ponto de vista da transcendência. Uma presume a outra e ambas são complementares, como duas metades do Uno indiviso.

O ser é incapaz de conceber fora de relações. Desaparecida a contraposição dos contrários, a sua percepção e concepção se anulam.

Para compreender, pois, o Todo Divino, o Deus absoluto, é imprescindível compreender ambas as metades da unidade e depois reuni-las. Compreender de Deus um só aspecto, qualquer seja ele, significa atingir uma concepção falha e unilateral.

Admitindo Deus apenas como transcendência, o ser se defrontaria com uma abstração, de tal forma destituída de expressão, que ela se confundiria no nada. O universo lhe pareceria, então, um autômato vazio de alma, um sistema estático, incapaz de reconstruir-se e reerguer-se até Deus.

Admitindo Deus apenas como imanência, chegaremos a um universo através de um caminho sem fim, não tendo ponto de partida nem de chegada, teremos uma unidade despedaçada, sem possibilidade de reconstruir-se.

É necessário compreender essa descida do Deus transcendente na imanência em seguida ao desmoronamento do sistema.

Quando este, por culpa da criatura, se cindiu em dois, Deus não quis abandonar o sistema invertido, conservando-se presente nele (imanência), para poder realizar assim a sua salvação, em um trabalho constante de reconstrução (criação contínua), pelo processo que denominamos de evolução.

Deus, em perfeita coerência com o princípio fundamental do Amor, acompanhou o edifício desmoronado que permaneceu Ele mesmo, embora em posição invertida, um Deus em negativo, como se Ele mesmo se tivesse invertido.

Desta maneira, Deus se faz, por Amor, imanente, e neste Seu segundo aspecto desce às formas, à criação, que assim se tornam em Sua manifestação ou expressão.

Eis de que modo o universo é regido pelo pensamento de Deus (a Lei).

No fundo do anti-Sistema está sempre o Sistema, no fundo dos espíritos decaídos, está sempre a originária centelha divina.

Não pode existir no universo nada que não seja Deus.

Será um Deus invertido, mas será sempre Deus.

Livro: Deus e Universo

http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/DeuseUniverso.pdf

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