Deus-Todo-Uno

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Antes que qualquer coisa tivesse princípio, fora do tempo, nascido depois, existia Deus que foi, é e será sempre o Todo, ao qual nada se pode tirar, nem acrescentar, mesmo em sua criação, que não pode estar acima ou além, mas sempre, como Sua emanação.

Sua característica fundamental era o amor, qualidade pela qual se exprime a natureza de Deus, princípio de que derivam todos os outros, primeiramente a liberdade do ser e, depois, as outras como o bem, a bondade, a harmonia, o poder, o conhecimento, a beleza. a felicidade etc., em suma, tudo o que de mais belo e melhor o ser possa imaginar.

Deus, causa primeira sem causa, não tem princípio nem fim e tudo gera sem ter sido gerado. Deus simplesmente “é”, e tudo Ele “é”, não encerrado no limite de nenhuma dimensão.

As várias dimensões nascerão depois, entre as quais o tempo e o espaço, apenas como limites do ser, enquanto Deus é o ser sem limites.

Eis, então, que Deus transcendente, que “é” acima e independente de qualquer criação Sua, acima da atual, como de qualquer outra possível, eis que Deus realiza, com respeito à atual, a Sua primeira criação, feita de espíritos perfeitos.

Ele destacou do Seu seio, por Amor, seres feitos à Sua imagem e semelhança, para amá-los, incluindo-os na Sua própria felicidade.  Isto ocorreu  segundo um sistema, cujos princípios fundamentais eram aqueles mesmos que observamos na natureza do Pai, que os gerara.

Nesse sistema tudo era feito à Sua imagem e semelhança: Ele era Único e tudo encerrava, nada havendo fora e além Dele e dos Seus princípios e perfeição.

Ora, dada a liberdade do ser, inata no sistema, por ser da natureza de Deus, de que ele proviera, essa primeira criação perfeita degenerou, com consequência da revolta examinada nos capítulos precedentes.

Parte dos seres permaneceu íntegra, incorrupta e assim se conservou sempre, mantendo-se no sistema perfeito originário, por haver aderido livremente ao Deus transcendente, outra parte rebelou-se e, por isso, corrompeu-se. dando origem a um segundo sistema, derivado e  imperfeito, invertido, de  oposição a Deus, tendo o centro em ponto antípoda, em polo oposto, no anti-Deus, em Satanás.

O sistema único cindiu-se então em dois – Sistema e anti-Sistema – nascendo o dualismo de dois sistemas opostos, um perfeito e o outro imperfeito, não mais segundo um esquema de unidade íntegra, como antes, mas segundo um esquema de unidade cindida, que não pode existir, senão constituída de duas partes inversas e complementares, opostas e fundidas conjuntamente.

De então por diante, a unidade não poderá mais ser obtida a não ser através da luta entre as duas partes contrárias, princípio universal, que encontramos por todos os lados. Por esta razão, o nosso universo é construído de acordo com  esse esquema, desde o caso máximo até o caso mínimo.

Agora podemos compreender por que Deus transcendente e não somente pessoal, visto ser um  “Eu Sou”, da mesma forma que todas as criaturas feitas á esta imagem e semelhança, mas também  porque Ele pode ser considerado acima e independente de qualquer criação Sua, além do bem e do mal, isto é fora do esquema dualístico em que está baseado o universo atual.

O dualismo nasceu com o referido desmoronamento do sistema em seu anti-Sistema e está destinado a ser sanado, representando, pois, apenas um momento na Divindade. Deus “é” sempre, antes do desmoronamento e depois da reconstrução, além deste período dualístico.

No absoluto Deus “é” simplesmente uno, acima desta cisão, que concluirá na junção das duas partes e que, por isso, constitui apenas um episódio no divino e eterno existir.

Livro: Deus e Universo

http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/DeuseUniverso.pdf

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