O Anti-Sistema

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O dom da liberdade, concedido por Deus à criatura, para que ela se Lhe assemelhasse, era completo.

Ela poderia aceitá-lo, grata, como poderia ter dito: “Não! não aceito”.

A revolta foi o primeiro passo no sentido desta recusa, visto que a tentativa de existência autônoma era, mantendo-se negativa, uma primeira tentativa de não-ser.

A insistência definitiva na revolta significava o desejo de anular-se, ou seja, a recusa em aceitar o pacto da existência.

É lógico que quem não aceitasse a pacto ficasse fora do sistema, pelo qual, quem não aceita a existência se anula, retornando ao estado anterior à gênese, ao do não-existir.

O existir significa a afirmação na alegria e o não-existir significa apenas uma negação crescente da alegria na dor; por que a ser, mesmo livre, prefere a segunda via?

Tudo, pois, no sistema, concorre para o seu bom êxito, para a triunfo do bem, mesmo o mal e o erro.

Um sistema, expressão de um Deus perfeito, não podia deixar de ser perfeito.

A lógica impõe, de modo absoluto, a presença dessa perfeição.

De outra forma tudo se desmorona e nada mais se explica e justifica.

E, no fundo do universo atual, mesmo quando em parte continue ele caótico, vemos uma sabedoria profunda que rege a ordem e nela enquadra mesmo esse caos, regulando-o.

A verificação dessa perfeição que nos impõe confiança, porque nos diz que, tudo quanto a criatura faça é por Deus utilizado e guiado para o bem.

O sistema de Deus é o sistema do ser, do “eu sou”, do qual Ele é o centro.

Dado este esquema do grande organismo, positivo, vemos que a rebelião tentou instaurar em  seu seio, para submetê-lo, um sistema de esquema oposto, do não-ser, o negativo que, sendo contrário, não podia representar senão a sua reviravolta, segundo a esquema da “eu não sou”.

Então, deu-se a fratura. De um lado, o sistema do esquema “eu sou”, em Deus, do outra, um contra-sistema do esquema, o do “eu não sou”, em Satanás.

“Eu sou o espírito que sempre nega”, diz Satanás, no “Fausto” de Goethe. E a sua verdadeira natureza, isto é, a estrutura segundo o esquema do “eu não sou”, o princípio inverso, segundo o qual Satanás é construído, que lhe inquina o organismo até às raízes e a que o mina, sem cessar, impelindo-o à anulação.

Este sistema rebelde é formado de muitos “eu sou”  menores, que, ao invés de coordenarem-se hierarquicamente no sistema de Deus, quiseram isolar-se, formando uma hierarquia oposta de centros autônomos.

Podemos imaginar o sistema positivo como um processo giratório dextrogiro.

Ora, esses elementos rebeldes, constitutivos do contra-sistema, podem ser imaginados como tantos outras centras menores que, em vez de continuar rodando nesse mesmo sentido dextrogiro, como impunha o sistema, harmonizando-se com o seu movimento e alimentando-o com o próprio impulso concordante, puseram-se a girar em sentido oposto, sinistrogiro, contra a corrente, opondo-se ao seu movimento, na tentativa de gerar, assim, um movimento contrário, através do qual pudessem dominar o primeiro, para impor o próprio.

Puseram-se, dessa forma, a agir como freio e não como impulso, intentando inverter a rota das trajetórias, iniciou-se a desordem, a revolução tendente a transformar a ordem em caos, fenômeno que daí por diante passou a repetir-se de acordo com a mesmo esquema, ainda que em escala menor, estando sob nossos olhos e reproduzindo o mesmo princípio, quer na campo espiritual, quer no campo material, pois que ele continua o mesmo, agora como então.

Os dois campos são conexos. E como a criação física procede do pensamento, também o caos espiritual pôde logo transformar-se em caos físico, do qual nasce e continuamos a ver nascer o nosso universo astronômico.

A pretensão era inverter o sistema. Mas esses elementos não eram o centro. Eram planetas e não a sol. E por mais que se coalizassem em um contra-Sistema, não passavam do que eram, isto é, centros menores, elementos periféricos. Por mais que pretendessem ser sois, eram apenas planetas.

Era, pois, impossível que o contra-Sistema pudesse vencer o Sistema.

Livro: Deus e Universo

http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/DeuseUniverso.pdf

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