O determinismo da Lei

du

Na ciência analítica o sistema racional é mais periférico que a síntese e o método intuitivo, que concebe por visão. Assim, o homem periférico está mais deterministicamente sujeito à Lei, dado que a ignora e a ela se sujeita sem conhecê-la. É menos livre, menos provido de livre arbítrio, qualidade do evoluído. Enquanto este é autônomo, as massas humanas, contrariamente, são como rebanhos impelidos pelos instintos, fios através dos quais a Lei os dirige.

Quanto mais evoluído for o indivíduo, tanto mais sabe manejar estes fios que movimentam os instintos e paixões, dos quais é senhor. Desta maneira, torna-se independente da submissão e, se obedece à Lei, o faz porque a compreendeu e preferiu segui-la. A sua harmonização na ordem é consciente e espontânea. Obedece, porque compreendeu. Torna-se um súdito de grau superior, que colabora conscientemente, não o fazendo por força ou pelo temor de punição.

Trata-se de uma posição inteiramente diferente na hierarquia dos seres, muito mais vizinha do centro, resultando daí que todas as qualidades da criatura se traduzem em bem e alegria.

Esta transformação é fatal, como fatal é a reconstrução do sistema desmoronado.

Quanto mais involuído for o ser, havendo perdido no desmoronamento a própria liberdade, tanto mais está sujeito ao determinismo da Lei, que quer a evolução, isto é, tanto mais é compelido pelas forças da Lei a evolver, em face da sua ignorância.

Quanto mais evoluído for o ser, tanto mais terá retornado à liberdade, tendo adquirido consciência da Lei, seguindo-a espontaneamente, sem mais constrições, porque compreendeu que nela estão seu interesse e felicidade.

Deus, que respeita o princípio de liberdade, jamais obriga alguém a aceitar a Sua Lei; entretanto, nos graus mais involuídos, após a liberdade haver desaparecido pelo desmoronamento, Ele prossegue impulsionando.

Quando ela começa a reconstruir-se, a criatura pode compreender que, através da própria experiência, ela conclua que na Lei de Deus residem o interesse e a felicidade e que fora dela existe apenas a dor.

Assim, qualquer seja a posição em que o ser se encontre, quer de involuído, quer de evoluído, da pedra ao santo, uma impulsão existe sempre, que atua constantemente no sentido de sua evolução.

O sistema desmoronado tende sempre automaticamente a reconstituir-se. Automaticamente, porque a presença de Deus é imanente no sistema.

Eis os maravilhosos resultados da evolução: espiritualizar-se, desmaterializar-se, sensibilizar-se, transferir o próprio centro de vida consciente cada vez mais na profundeza do “eu”, onde está a centelha divina, que é a causa da existência.

Que ensinam todas as religiões senão um  afastamento permanente do mundo periférico, para que nos avizinhemos do centro?

É necessário compreendermos o que isto significa e qual a utilidade da virtude para que devamos segui-la.

Trata-se de nos afastarmos das ruínas de um universo desmoronado no qual nos encontramos imersos corporalmente, destacarmo-nos de sua forma de vida animal, para aprendermos a viver uma vida diversa, a vida do espírito, que contém a parte íntegra do ser, tanto menos corrupta, quanto mais nos aprofundarmos ativamente em plena consciência, no interior do “eu”, até aí encontrarmos Deus.

Despertar até esse ponto, eis o problema. E nada mais há de melhor que a dor para despertar a alma que, na realidade, desejava esquivar-se às provas, furtar-se ao esforço e aguardar no ócio.

Livro: Deus e Universo

http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/DeuseUniverso.pdf

Faça seu comentário e participe de nosso grupo de estudos.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s