A justiça da Lei

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Acima das sagacidades humanas, o que de fato manda e acaba vencendo é a justiça da Lei.

O homem do 2.º tipo obtém a sua vantagem imediata de vencer no seu mundo e com essa satisfação recebe a retribuição do seu trabalho, momentânea que acaba com a vida. Na vida seguinte ele se encontra no mesmo nível evolutivo, sem ter ganho um passo.

O homem do 3.º tipo é um desterrado e vencido neste mundo, onde não encontra senão luta e sofrimentos, está envolvido num duro trabalho de evolução que o outro biótipo não conhece, mas constrói o seu futuro. Na sua vida seguinte ele receberá o fruto desse trabalho, porque se encontrará num mundo de nível evolutivo mais adiantado, usufruindo bens valiosos.

O princípio da evolução é que, todo esforço que o ser executa para subir, está compensado por um proporcionado melhoramento das condições da sua existência. Esta é a justiça da Lei.

Ora, se a vida é mais fácil para o homem do 2.º tipo, porque não se fadiga com trabalhos em sentido evolutivo, é verdade também que ele fica estacionário no mesmo nível e, do ponto de vista do seu progresso, a sua existência é inútil, representando perante o maior objetivo desta, um tempo perdido. Disso o indivíduo é avisado pela sua intima insatisfação, por uma sensação de vazio e cansaço de tudo, que o persegue e que para ele desvaloriza as coisas mais preciosas.

É regra geral: o que possuímos vale em proporção do esforço que nos custou o fato de o procurar. Eis então que o bem-estar no ócio tira todo valor à vida do indivíduo, que não pode deixar de sentir que não vale nada, porque não sabe fazer e não quer fazer nada. E assim que  pela dita lei de justiça, as  que parecem ser as melhores posições sociais, as que a maioria inveja, muitas vezes são as piores porque roídas por dentro por essa desvalorização do indivíduo, devida à sua vida inútil no bem-estar.

O homem do 3.º tipo, que luta desesperadamente contra o mundo para superar a sua própria inferioridade animal, não pode deixar de ter consciência do seu valor, que lhe testemunham as conquistas que ele está realizando. No meio dos seus sofrimentos sabe que se está deslocando para o alto, realizando o maior impulso da vida, que é do crescimento. Assim, ele possui uma personalidade rica, até ao ponto que ela na luta entre o subconsciente e o superconsciente, pode parecer múltipla e até patológica.

No meio dessa guerra para a superação, a personalidade fica fervendo numa contínua febre, que não aparece em quem está tranquilamente adormecido, radicado no 2.º nível. Febre pode significar complexos, crises de adaptação, desequilíbrio de impulsos e movimentos, conduta contraditória, que parecem sintomas de doença, quando representam crises de crescimento.

Sobre estas bases se levanta o destino de cada um, já marcado conforme sua natureza. Então, num mundo onde o que importa é parecer virtuoso, mais do que sê-lo, o homem superior acaba sendo o mais censurado, porque não trabalha para esconder os seus defeitos, mas para destruí-los, assim ajudando, contra si próprio, a agressividade dos outros. Deste modo, ao invés de se cobrir, se descobre; ao invés de se desculpar, se acusa.

O mundo se rebela contra tal emborcamento dos seus métodos, que soam como uma condenação para ele. Assim o homem do 3.º nível será sempre condenado pelo mundo como um escândalo, um mau exemplo, um perigoso descobridor de mentiras, porque ele incomoda estragando o fruto da trabalhosa adaptação milenária dos ideais às exigências da animalidade humana.

Eis o destino do homem superior no mundo: o de ser tratado como louco, condenado como rebelde, esmagado como merece um fraco vencido, enquanto é um vencedor da maior batalha da vida, a da evolução. Eis o conteúdo biológico dessa sabedoria que o mundo chama de loucura dos santos. Assim se desenvolve nos seus vários níveis, o complexo jogo da vida e de nosso destino.

Livro: Princípios de uma Nova Ética

http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/PrincipiosdeumaNovaEtica.pdf

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