O método da não-resistência

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O Evangelho não está perseguindo sonhos fora da realidade. Pelo contrário, tem uma lógica bem raciocinada e positiva. Trata-se tão-só de uma realidade diferente, que o homem, por não a compreender, julga errada, como coisa irrealizável.

Se o Evangelho não nos impele contra o ofensor, antes nos leva para o perdão, isto encontra sua plena justificação no fato de que a verdadeira causa que devemos combater não é o ofensor, mas nós mesmos, que, perante a Lei, merecemos a ofensa.

O homem pode intervir, realmente, não por si próprio, mas só para obedecer à Lei, quando esta quiser utilizá-lo como instrumento da sua justiça. Mas, que esta dependa só do homem é absurdo, porque a Lei é feita de ordem e equilíbrio, e a sua função fundamental é a justiça.

Então, praticar o método da não-resistência não quer dizer que justiça não seja feita em favor de quem a merece; apesar de o homem não se defender, nem por isso o transgressor deixará de ter de pagar o que deve pela sua transgressão, porque, caso contrário, não haveria justiça. Tudo o que se faz contra a ordem da Lei tem de ser pago, porque só assim pode tudo ser reconduzido a sua ordem.

Quando recebemos uma ofensa, não somos nós que devemos exigir do ofensor a necessária reparação, mas Deus, que é o juiz, necessariamente vai julgá-lo e impor Sua justiça, exigindo o pagamento da dívida e reconduzindo o transgressor a ordem da Lei. Não devemos achar que, com o perdão, a justiça não seja feita. Melhor para nós será a não-reação, ficando inocentes perante Deus: assim, não teremos dívidas a pagar, porque não transgredimos a Lei.

Desse modo, enquanto nosso ofensor fica esmagado pela reação da Lei, nós ficaremos livres e tranquilos, porque, não sendo devedores, por termos perdoado, antes sendo credores, a justiça de Deus, ao invés de nos perseguir, nos defenderá.

Observemos, então, qual é a técnica com a qual se desenvolve esse processo de defesa. Examinemos quais são as condições necessárias para que a Lei funcione e realize em nosso favor essa defesa. Antes de tudo é necessário que renunciemos a vingança.

Só quando tivermos atingido a completa libertação deste liame com nosso ofensor, poderá entrar em ação a Lei substituindo sua ação à nossa. Disto se segue que poderíamos afirmar: só se pode chegar a mais completa vingança quando tivermos destruído em nós todo o desejo dela, e; perdoando tudo, não tivermos feito nada para realizá-la, pelo contrário, deixando tudo nas mãos de Deus, isto é, entregue a reação da Lei.

O primeiro passo, então, é renunciar a vingança. O segundo é perdoar a ofensa. Mas, há ainda mais. Embora renunciando a vingança e perdoando a ofensa, podemos ficar com sua lembrança e com o rancor e ódio por ela gerados. Enquanto tivermos dentro de nós a ideia de um direito nosso não satisfeito; ele pertencerá a nós, e a Lei não poderá transforma-lo em direito seu; para tomar nosso lugar na defesa.

Para que isto aconteça, é necessário esquecer o problema de exigir justiça para nosso caso particular, porque só assim ele se pode tomar problema pertencente à Lei, que é o da realização da justiça universal.

A coisa mais importante é ficarmos isentos de qualquer dívida; o segredo de nossa vitória não é o de possuirmos força, mas de estarmos limpos de qualquer mancha. Por isso, não devemos ficar ligados ao ofensor, que representa a injustiça, nem sequer por um pensamento de vingança.

Quem apenas perdoa, não reage e não exige compensação, mas admite a ofensa e a dívida dos outros a seu respeito. Mas, para que se desloque completamente de nós para a Lei a função da realização da justiça, é necessário não conservar na própria mente nem a lembrança da ofensa nem a do ofensor.

Perdoar não quer dizer que o primeiro não tenha mais de pagar, e que o segundo não tenha de receber. É erro acreditar que o perdão seja para nós contraproducente. Ele representa vantagem, porque liberta quem perdoa de todas as más consequências, ao mesmo tempo que não apaga o débito do ofensor, o qual não tem de prestar contas a um homem (o ofendido), mas ao próprio Deus.

Só assim se pode sair do plano da injustiça baseada na força, que é o plano do mundo, e entrar no da justiça, que é o de Deus, o que para o homem justo representa a melhor posição e vantagem.

Não há dúvida de que tudo isso tem sua lógica e beleza, mas é verdade também que quase ninguém o pratica, julgando-o loucura. A fera também julgaria loucura mudar-se para as nossas cidades, onde não saberia viver. Cada um está adaptado ao seu plano de vida. E isto não destrói as vantagens do progresso.

Livro: A Lei de Deus

http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/ALeideDeus.pdf

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