Os movimentos da vida

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Os movimentos da vida se realizam acompanhados pela balança da justiça.

Eis a razão do aburguesamento. Ele representa um melhoramento, constituindo a compensação imediata com a qual a vida atraiu e induziu o ser ao esforço, recompensando quem se esforçou para ascender. Com isto, ela alcançou o seu fim, que é a substituição da velha ordem por uma mais avançada.

Isto nos explica também como é lógico que, tendo assim subido um degrau, a vida tenda de momento ao repouso, necessário para preparar um novo impulso para frente. A cristalização final representa o término desse processo evolutivo, após o qual se iniciará um outro.

Na economia da vida, esta fase representa o plano realizado e o fruto produzido, concluindo a execução de um passo a frente. O processo despertará novamente, quando tiver amadurecido para realizar o passo seguinte.

Assim se desenvolve a técnica do fenômeno da descida dos ideais na Terra por meio das revoluções.

 Descida do alto significa descida de planos de evolução mais elevados, o que é um conceito positivo. Trata-se da descida de algo que está em posição evolutivamente mais avançada até aos planos mais atrasados, para dinamizá-los e elevá-los em direção ao alto. E é o espírito que, encontrando-se mais alto, desce para elevar a matéria.

É como uma descida do divino no mundo, trazendo o Sistema para próximo do Anti-Sistema, para que este seja alvo. Trata-se de um processo de redenção.

Podemos, assim, traçar a linha que a evolução percorre na sua ascensão.

O dinamismo do ideal levanta uma grande onda, que conduz o homem a um nível biológico superior àquele no qual teve início o movimento. Alcançando o ápice da subida, decorrente do poder explosivo do ideal, a trajetória volta a descer, mas apenas até um certo ponto, o qual está sempre em um nível mais alto do que o precedente ponto de partida.

Desse modo, depois das revoluções, que representam uma reação evolutiva em subida por parte da Lei, verifica-se do lado oposto uma contrarreação involutiva por parte do ser, em descida, na qual ele tende a regressar ao nível precedente, sem contudo alcançá-lo  – condição esta pela qual se realiza o progresso – detendo-se um pouco mais acima, num ponto que, em relação àquele no qual se iniciou o movimento precedente, é mais avançado, a partir do qual será iniciado depois o novo impulso para frente.

A descida do ideal produziu pela explosão um abalo que rompeu os equilíbrios nos quais repousava a vida, deslocando-a e impedindo, assim, que ela reencontrasse os equilíbrios das posições anteriores.

Assim, foi abolida a escravidão, tendo sido introduzido na vida social um sentido de justiça mais profundo.

Em 2000 anos, o paganismo de Roma foi levado muito mais à frente, tanto que até lá já não é mais possível retroceder.

Se tiver de surgir uma nova revolução religiosa, como é provável que aconteça por meio da ciência, ela não poderá mais partir do nível do paganismo, mas sim de um nível muito mais adiantado, dado pelo cristianismo atual, e isto significa poder alcançar, no final da nova trajetória, um cume de onda evolutiva muito mais elevado do que o já alcançado agora pelo cristianismo, que partiu de bases muito mais atrasadas.

Os encarregados de executar o trabalho de personificar e divulgar na Terra o ideal são os tipos biologicamente mais avançados. Eles são incumbidos do lançamento de novos impulsos e, por isso, são chamados em missão, como dinamizadores da vida. Eles representam o princípio que, constituindo o fulgor de pensamento que se descarrega na Terra, desce dos planos superiores do espírito ao nosso mundo.

Aqui, na matéria, ele encontra a mulher fértil, que, na atmosfera de destruição, espera o homem fecundador aproximar-se dela, para refazer tudo desde o princípio, aceitando e absorvendo dele o poder que lhe dá forma concreta na vida.

No processo da descida dos ideais, os dois elementos se unem e ficam juntos para colaborar na gênese do novo. À ideia corresponde o dever de arrastar as massas, mesmo que isto signifique submergir-se no lodo. Às massas corresponde o dever de aceitar e absorver.

Enquanto a ideia apresenta e lança o pioneiro da evolução, as massas fornecem, com o rebanho de seguidores, a matéria a ser plasmada. Forma-se assim um processo de colaboração. Mesmo lutando um contra o outro, os dois termos, justamente porque lutam, abraçam-se. Se eles são inimigos, então entram em choque, mas isto os leva a se conhecerem melhor.

Com efeito, ao homem do ideal o mundo oferece o martírio, porém, logo depois de ter feito dele uma vítima, termina por glorificá-lo e venerá-lo. Assim se explica a contradição humana em que a perseguição é o precedente natural e habitual da aceitação e exaltação. Mas isto não é contradição. Trata-se apenas do choque entre dois termos opostos, que constituem os dois momentos diversos e necessários do mesmo fenômeno.

Este, assim, desenvolve-se num encadeamento de causas e efeitos, ao final do qual, do incandescente impulso de origem não restam senão as consequências fixadas na forma da vida. Mas isto é precisamente o que a vida quer, porque então a finalidade da descida do ideal – realizar a evolução – foi alcançada. Num mundo em que a existência consiste num contínuo vir-a-ser e qualquer  posição definitivamente estática é impossível, nenhum ser pode permanecer fixo em condições de imobilidade.

A descida dos ideais, realizada em ondas sucessivas, marca o ritmo do universal processo evolutivo, animando-o e sustentando-o, para que ele eleve e arraste tudo até Deus.

Livro: A Descida dos Ideais

www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/ADescisaDosIdeais.pdf

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