A Luz não se contamina

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A descida do ideal é uma dádiva do Alto, constituindo uma irradiação provinda de Deus, que se faz assim imanente mesmo nos mais baixos planos involutivos, a fim de salvar o ser, atraindo-o para si, impulsionando-o a evoluir em direção ao alto.

Mas este impulso, por si só, não basta, se ele não for secundado pela boa vontade e esforço do ser, cuja liberdade é respeitada, de modo que ele pode aderir ou não, ficando livre para tomar a decisão de evoluir.

O esforço para subir deve ser da criatura, porque, conforme determina a justiça, somente pode ser ganho o que tiver sido merecido.

Para poder transformar os demônios em anjos, os anjos devem misturar-se com eles, sem contudo deixarem de ser anjos.

Para iluminar melhor a Terra, a estrela tem de descer até ao lodo, mas nem por isso deve deixar de ser estrela, tratando pelo contrário de iluminá-lo, para lhe vencer a opacidade, até que o lodo se transforme em estrela.

As condenações, as perseguições, as quedas ao longo do caminho são partes necessárias do processo da descida dos ideais e da sua afirmação. Quando se observa bem, descobre-se que estes impulsos negativos terminam por se emborcar, funcionando positivamente, a favor, e não contra o processo.

Vê-se então que estas dificuldades têm uma potência criadora, porque excitam uma reação a favor do perseguido, que adquire assim auréola de martírio, excitando automaticamente a admiração do mundo.

Tratemos de desenvolver estes conceitos, observando alguns casos onde resulta mais evidente a contradição entre os dois opostos: o ideal e a realidade biológica. Mesmo estando escondida debaixo do ideal, esta contradição constitui uma realidade e acaba por se manifestar.

Frequentemente, o ideal é usado sobretudo para mascarar esta outra verdade, bem diversa. Assim se explica como o fato de se seguir o mesmo princípio e programa, que deveria levar à união entre os seguidores, leva na prática à rivalidade e à divisão, fazendo eles se destruírem mutuamente, em vez de se unirem, de modo que a fraternização se transforma em sectarismo e antagonismo religioso.

Aqui vemos dois impulsos opostos em luta: o do evoluído, querendo levar à unificação na ordem (Sistema), e o do involuído, tendendo ao separatismo, que culmina no caos (Anti-Sistema).

O que prevalece sobre todas as ideologias é esta realidade da vida, que se encontra escondida, trabalhando atrás delas. Esta realidade, na medida do possível, adapta as teorias a si mesma, transformando-as e invertendo-as, sendo que, se não puder fazer isso, então ela as repudia, livrando-se delas.

Esta é a história da descida dos ideais à Terra. A vida quer, antes de tudo, a sua própria continuação e, portanto, somente aceita os ideais quando estes lhe servem para os seus fins, utilizando-os onde e enquanto eles sejam utilizáveis para ela, de modo que, quando não lhe servem mais, ela os lança fora como um estorvo inútil. Aceita-os, enquanto isto lhe convém para evoluir, que é a sua grande e principal finalidade, porém, tão logo esta evolução se torne demasiado arriscada para a sua existência, a vida está sempre pronta para recuar até às suas posições mais atrasadas, que são mais seguras.

A vida tem uma inteligência, sabedoria e vontade próprias, interessando-se e, somente por isso, permitindo apenas o triunfo daquilo que lhe serve para os seus fins. Esta é a razão pela qual a mecânica das revoluções é mais ou menos a mesma para cada um dos seus tipos, sejam elas políticas, sociais, econômicas, religiosas etc. A lei que lhes regula o desenvolvimento parece seguir um mesmo modelo.

A vida impõe esforços, mas sempre em vista de uma melhoria, o que é lógico e justo, pois ela, por meio da evolução, quer ascender do Anti-Sistema ao Sistema, e isto significa salvar o ser do mal, da dor e da morte, eliminando toda a negatividade que afoga a vida, tanto mais quanto mais ela for involuída.

É instintivo, efetivamente, que os deserdados mais atrasados não arrisquem suas vidas numa revolução, correndo o risco dos perigos inerentes, apenas para nada, mas somente realizem um tal esforço para alcançar condições de vida melhores. De resto, é por isto que a vida faz as revoluções, pois sua finalidade é evoluir, o que significa melhorar, subindo em direção a um nível biológico mais elevado.

Livro: A Descida dos Ideais

www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/ADescisaDosIdeais.pdf

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