A evolução das religiões

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A mente humana abandonou hoje a ideia do absoluto imóvel para colocar-se no relativo em movimento, porque se deu conta, por amadurecimento evolutivo, que esta é a realidade da vida. Este fato deslocou as velhas bases das religiões, fundadas em outros conceitos. Entretanto elas se mantêm com a velha forma mental, resistindo assim às novas tendências.

Não é fácil de mudar rapidamente, pois as ideias têm uma vontade própria, que, uma vez lançada numa direção determinada, tende a continuar nela por inércia. As mentes, para terem uma sensação de segurança e não se equivocarem na formação da própria conduta, têm necessidade de crer que alcançaram a última verdade, absoluta e imóvel, pois somente uma tal verdade parece capaz de garantir uma segurança na qual se confie totalmente.

No entanto a mente, evoluindo, começou a perceber que as coisas estão situadas diversamente. Ela compreendeu então que o ser humano não possui absolutos e que ele, de fato, não sabe senão atingir progressivamente uma sucessão de valores relativos, os quais, através da evolução, aproximam-no cada vez mais do absoluto.

De tal contraste entre inovadores e conservadores resulta o fato de que as religiões, ao invés de favorecer o progresso do pensamento, tendem, pelo contrário, a travar o seu desenvolvimento. Assim o pensamento tem de avançar  por si mesmo, com o seu próprio esforço, arrastando consigo o peso morto de quem, para não se mover e impedir os outros de avançar, resiste, mas está pronto, quando lhe é conveniente, a aceitar as novas verdades. Na Terra, as velhas verdades são defendidas porque os princípios servem de base para manter posições que ninguém está disposto a abandonar.

Trata-se de leis biológicas que funcionam para todos os seres situados no nível evolutivo em que se encontra a raça humana na sua média. Um exemplo disso está no fato de que a base mais forte de uma amizade é a presença de um inimigo comum. A fraternidade entre os seguidores de um grupo nasce e se reforça, quando se condenam os de outro grupo. Estas são as leis biológicas que vemos aplicadas por toda parte. Passar de uma religião para outra não suprime o espírito sectário, que é qualidade humana.

O paganismo, com seus deuses e templos existiu como verdade, enquanto houve quem acreditou nele, porém, tão logo a humanidade deixou de crer nele, parou de existir e não foi mais verdade.

O suporte é psicológico. Os princípios existem na mente de quem crê, mas isto porque e somente enquanto eles acreditam. Criar uma corrente psicológica diversa, significa na prática destruir tudo. Compreende-se, assim, porque o maior trabalho de todas as religiões consiste em lutar para manter de pé a forma mental coletiva que as sustém. Por isso elas procuram basear-se no absoluto, no imutável, no eterno, sendo levadas também ao dogmatismo, com afirmações que concluem em inviolabilidade e indestrutibilidade, para resistir na luta contra todos os assaltos.

Esta é a razão pela qual as religiões temem qualquer um que desperte as consciências, porquanto é mais cômodo que estas permaneçam no sono. Afinal, verdades novas e conceitos mais avançados não servem para as massas, que se adaptam antes à lenta repetição mecânica secular, feita sem pensar, para se orientarem em direção ao alto, mas cansando-se o menos possível. E as religiões devem servir às massas, feitas de almas primitivas, cuja exigência é que lhes seja servido um alimento a elas proporcionado. E servi-lo é justamente a função dos administradores do ideal. Ambas partes acabam por caminhar em acordo, porque, no fundo, pastor e rebanho desejam a mesma coisa.

É justo, por lei da vida, que os jovens substituam os velhos, mas não é necessário que os jovens os matem por este motivo. Basta esperar que os velhos morram. Assim, quando uma religião, por falta de maturidade coletiva, não está em condições de aceitar novas verdades, a única solução é esperar. Mais tarde, ela irá procurá-las, porque se terá apercebido deque foi superada por elas. Então, com medo de não chegar a tempo, a religião correrá para incorporar as novas verdades, que ela mesma condenou inicialmente. E, de fato, é isto que costuma acontecer.

Livro: A Descida dos Ideais

www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/ADescisaDosIdeais.pdf

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