A atmosfera do caos (aparente)

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Nossos movimentos evolutivos atuais são coordenados numa peleja de todos contra todos, o que faz do progresso uma marcha desordenada e fatigante, corroída pelos atritos, executada numa atmosfera de caos.

Desse modo, o trabalho necessário da evolução não se pode cumprir a não ser carregada de sofrimentos.

A desordem torna-se desastre para todos.

Apesar disso, nem todos se colocam em obediência, na disciplina da Lei.

Ao contrário, a maior inclinação do indivíduo parece consistir em pensar só em si, descuidado dos prejuízos que pode ocasionar aos outros. Surgem assim os astutos seguidores do caminho mais curto.

A sua maior tentação é a de saltar para além dos outros. Escolhem as estradas mais fáceis, que encurtam distâncias, para serem os primeiros, por qualquer meio. Infelizmente, a inteligência deles está se desenvolvendo só neste nível primitivo do individualismo caótico, ainda incapaz de compreender qualquer forma orgânica de funcionamento coletivo.

A sabedoria desses astutos que se julgam tão hábeis, que querem somente sua própria vantagem acaba no que vemos sempre acontecer, isto é, esmagamento recíproco, revoluções, guerras, destruição.

Quem vence, no fim, não é um vencedor.

Restarão apenas o caos e o sofrimento que permanentemente dominam o mundo.

O mundo está cheio de astutos seguidores do caminho mais curto. Eles estão presos às suas miragens de felicidade: a riqueza, a glória, o poder… Impele-os a cobiça, o orgulho, o desejo de domínio… É lógico que os conhecedores da ciência do proveito imediato, a curto prazo, pratiquem esse outro método, menos fatigante e mais vantajoso.

Seria loucura trabalhar e produzir, quando com o roubo se pode enriquecer mais fácil e rapidamente; quando se pode satisfazer o próprio orgulho chegando à glória com o engano e a mentira; quando há tantos atalhos para saciar o próprio desejo de domínio, chegando ao poder.

Assim pensam e fazem os astuciosos, enquanto olham com desprezo para os simples, que avançam ordenadamente na estrada de todos. Mas, nem por isso deixa de subsistir a Lei, que, empurrando os astutos para o abismo, com a destruição deles, procura libertar a vida dos elementos parasitários, semeadores tão-somente de desordem e sofrimento.

A visão psicológica dos primitivos poder-se-ia chamar de microscópica. Nessa sua forma mental eles estão mergulhados até o pescoço, de modo que não conseguem admitir nem compreender a visão psicológica dos evoluídos, que se poderia chamar de telescópica. Os primitivos estão apegados às verdades pequenas que se podem tocar com as mãos, às que eles julgam como realidade objetiva e única, enquanto negam, porque lhes escapa, qualquer outra realidade mais vasta e longínqua.

Eis que a necessidade da sobrevivência, da luta nos planos inferiores, leva à necessidade do desenvolvimento da inteligência, que é o meio para sair daqueles planos. Assim, só pelo fato de existir, a vida automaticamente tende a deslocar-se no sentido dos níveis superiores e a evolução a realizar-se.

O centro vital desloca-se das maxilas para o cérebro do lobo, até que ele, como aconteceu no cão, perde a ferocidade dos dentes, para transformá-la, convivendo com o homem, no poder muito maior da inteligência. Isto quer dizer que, com a evolução, têm de desaparecer mandíbulas e garras, agressividade e ferocidade, armas e destruição, para que vença a inteligência criadora e pacífica.

A nossa humanidade atual está ainda na fase das mandíbulas e das garras e as está usando para com elas desenvolver a inteligência. Eis como se compreende e se justifica a presença de tanta luta em nosso mundo.

Tudo na vida existe porque tem uma função a cumprir.

De outro modo não existiria.

Estamos ainda no nível animal, em que o ser é impelido pelas necessidades e cobiças materiais, muito mais do que pelas exigências intelectuais e espirituais. Domina o individualismo egoísta e separatista em função do eu, porque a evolução tem de cumprir, antes de tudo, a construção da personalidade.

Num grau mais avançado cuida-se, pelo contrário, de realizar um trabalho diferente, que é o de coordenar as personalidades na unidade coletiva da humanidade.

Então, a luta entre egoísmos rivais perde todo o sentido e torna-se empecilho, que é necessário afastar. A evolução conduz à união, e o indivíduo quanto mais evoluído, tanto melhor sabe viver em forma orgânica.

Desponta, assim, uma disciplina que regula as relações humanas e a conduta dos homens, quais elementos do novo eu múltiplo, que é a sociedade humana. Em lugar da revolta na desordem, valorizam-se as qualidades de ordem na obediência a Lei. Então, rebelar-se contra Ela torna-se loucura.

A vida vai doravante obedecer a princípios novos, que o ser pertencente a planos inferiores não pode compreender enquanto não os houver superado.

A baixa inteligência de luta e as astúcias que conduzem à desordem se transformarão na superior inteligência da disciplina na ordem.

Livro: A Lei de Deus

http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/ALeideDeus.pdf

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