Evangelho e a hipocrisia

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É natural que o ideal, ao descer no ambiente terrestre, baseado na luta, seja entendido e utilizado em proveito do involuído que nele vive, ficando assim reduzido a uma mentira. Outra coisa não se lhe pode pedir.

Como se pode pretender que um tipo biológico AS se torne de repente um tipo S?

Como é possível que um tipo AS, que foi construído com a evolução terrestre e que ainda está situado ao nível da biologia animal, ponha-se a viver o Evangelho, se, por atávica experiência, profundamente impressa no seu ser, ele sabe que, desarmando-se como o Evangelho quer, fica vencido na luta e, por isso, deve morrer?

Como se pode pretender que a vida aceite num nível biológico inferior aquilo que, pelo fato de pertencer um nível biológico superior, resulta antivital em um nível inferior, no qual o Evangelho, como todo ideal superior, lei do futuro, redunda em um absurdo biológico?

Se a maioria costuma somente pregar o Evangelho, como não se limitar apenas a seguir a corrente que o uso impõe?

E isso sem jamais admitir que o Evangelho possa ser tomado a sério e que exista para ser vivido.

O involuído, ao contrário, com plena convicção, pensa em evadir-se dele honrosamente e, assim, fabrica para si mesmo um manto de hipocrisia.

O homem são e normal sabe muito bem que o Evangelho, integralmente aplicado, representa um perigo de vida para ele, que tem, portanto, direito à legítima defesa.

Sendo assim, se a revolta declarada é condenada, segundo a moral biológica do seu plano, não há razão para que ele não deva recorrer ao engano.

Eis como o Evangelho, na Terra, pode transformar-se numa escola de hipocrisia.

A verdadeira conclusão é que, se queremos evoluir, devemos passar das zonas que gravitam em direção ao AS para as que gravitam em direção ao S, superando a biologia do animal, para nos tornamos cidadãos da biologia do espírito.

Trata-se de começar a viver em função de outras finalidades.

 Hoje vive-se mais ou menos animalescamente. É necessário transformar a tremenda vontade de viver que existe em todos nós numa vontade de evoluir, porque evoluir é o que dá significado e valor à vida.

O supremo imperativo ético é convergir todos os esforços para evoluir em direção ao ponto Ômega, dado pelo S, o que dá, também cientificamente, um significado profundo e um valor superior à vida.

É contraproducente, na economia do indivíduo, viver só em função de limitadas realizações terrenas, imerso na biologia animal, na estupidez de uma luta de todos contra todos, para matar e ser morto.

A ciência deve entrar na vida para dirigi-la com inteligência.

Em nossos pensamentos e ações, devemos nos mover orientados pelo conhecimento. Religião e ciência devem cooperar para atingir, por caminhos diferentes, este conhecimento, de maneira a iluminar a nossa existência, porque não podemos e não queremos mais viver nas trevas da ignorância.

O mundo tem necessidade de uma visão orientadora global, que satisfaça sua sede de conhecimento e a sua necessidade de sábias diretivas, inspirando-lhe confiança.

Se religião e ciência não se aliarem para alcançar tal visão, tudo se afundará em nós, porque, com uma ansiedade de adultos, mais exigentes no conhecimento do que as crianças, as trevas, para nós, são muito mais insuportáveis do que foram nos séculos passados, quando a falta de maturidade tornava possível vivermos num estado de ignorância, inconscientemente tranquilos.

Este conceito constituirá uma psicanálise da humanidade, para eliminar seus complexos atávicos, como o instinto bélico, a ganância, o espírito de domínio, a estupidez do orgulho, a insaciabilidade do gozo etc., os quais, tendo sido assimilados no duro passado, constituem, de agora em diante, defeitos antivitais.

Livro: A Descida dos Ideais

www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/ADescisaDosIdeais.pdf

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