A cosmogênese

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A ciência é um esforço da inteligência para subir a Deus, mesmo quando O nega, pois, nesse momento, ela representa a tarefa de resolver os problemas e descobrir a verdade com seu próprio trabalho, por si mesma, em vez de aceitar tudo pela fé, gratuitamente, já resolvido, sem labor, abandonando-se passivamente nas mãos de um Deus que invocamos para nos socorrer.

A época da concepção estática do universo e da vida, que encorajava a nossa inércia mental, qualificando-a como virtude, está superada. Hoje, abre-se o caminho para a concepção dinâmica, pela qual percebemos que o paraíso não se conquista somente com a negação da vida terrena e com a renúncia, mas sobretudo pela afirmação de um modo positivo, trabalhando e conquistando no terreno do pensamento e do espírito.

Para compreender o homem, é necessário vê-lo como ele realmente é, em função das leis biológicas que regem o plano de evolução no qual ele se encontra situado, e não abstratamente, separado desta realidade em nome de princípios a ela estranhos.

Tudo que diz respeito ao homem, cada produto da sua atividade – ética, economia, política, religião etc. – é entendido em função das leis da vida, dentro das quais ele se move e às quais, sem saber, obedece.

Todo fenômeno que se refere ao homem é, portanto, uma função biológica – única forma de se poder compreendê-lo e está, como fenômeno antes de tudo biológico, inteligentemente dirigido aos fins da evolução.

Eis a grande concepção teilhardiana: a cosmogênese em contínua ascensão e a constatação de que o homem, agora tornado adulto, está maduro para tomar a direção da evolução da vida no seu planeta e, por isso, deve assumir conscientemente essa tarefa, tornando-se responsável por ela.

Certamente, dizer ao homem que Deus o criou à sua imagem e semelhança pode ser útil para efeitos educativos, enquanto o investe de uma dignidade que ele, através da sua conduta, sente-se compelido a respeitar. Se quisermos, porém, compreender o homem nos seus impulsos, instintos e ações, devemos vê-lo em função das formas de vida já vividas por ele, na sua posição no topo da escala zoológica, da qual ele emerge, mas faz parte, ou seja, observá-lo em relação à sua posição biológica, e não metafísica, pois, ainda que esta represente o futuro a ser vivido, o homem ainda conserva em si os traços mais profundos daquela outra, já vivida, bem diferente do tipo metafísico.

Sucede então que, enquanto o evoluído é um instrumento de descida do ideal à Terra para o progresso da humanidade, o involuído é naturalmente levado a ver este ideal sob seu ponto de vista inferior, situado no plano da biologia do animal. Por isso o involuído tende a abaixar e reduzir o ideal ao seu nível, para fazer dele o uso que acabamos de ver, utilizando-os não em função de princípios superiores, mas sim para desfrutar de tudo em sua vantagem na luta pela própria sobrevivência.

É natural que o involuído tenda a arrastar tudo para o seu plano de evolução e, portanto, não saiba fazer outro uso do ideal, anão ser procurar extrair dele uma vantagem material. Enquanto o evoluído tende a levantar tudo em direção ao S, a tendência do involuído é afundar tudo em direção ao AS. O primeiro purificará tudo que tocar, o segundo contaminará tudo, destruindo os valores espirituais que o primeiro constrói. Enquanto a tendência constante de um é endireitar o AS no S, a do outro é de emborcar o S no AS.

Dessa forma, podemos explicar o que sucede no mundo. É assim que os ideais, observados do ponto de vista do involuído, podem parecer loucura antivital, perigo de morte, porque estão contra o seu mundo e pretendem desviá-lo para outras finalidades, que não são as do seu plano biológico, o qual representa todo o seu reino.

Os ideais são, portanto, negados e repelidos, ou então bastante torcidos, para se adaptarem à Terra. Mas vemos também que, na sua luta para vencer em seu nível, toda a sabedoria do mundo, quando observada do lado oposto, sob o ponto de vista do evoluído, pode parecer igualmente loucura antivital, porque seguir quimeras, com resultados transitórios e fictícios, não conduz à ascese, que é o objetivo da vida, nem à afirmação no plano espiritual, que é o mais importante.

Então, para seguir em direção ao alto, ele despreza e repele a sabedoria do mundo, que somente é reconhecida de acordo com o ponto de referência escolhido para o seu julgamento. É fato concreto que cada um quer e deve, antes de tudo, realizar-se no seu plano de evolução, conforme a sua própria natureza.

Livro: A Descida dos Ideais

www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/ADescisaDosIdeais.pdf

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