Origem e função dos instintos (2)

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Da falta do indispensável nasceu o instinto sadio da previdência, mas o excesso desta gerou a cobiça de possuir, produziu a avidez de apoderar-se de tudo para acumular recursos, criou o instinto da avareza que espolia o próximo com o excessivo apego às coisas.

Explica-se, assim, como da necessidade da defesa nasceu, para os fracos, a arte do engano, cujo excesso gerou o instinto da mentira, a qual não permite discernir a verdade do fingimento.

Isso criou um ambiente de traição insuportável para todos, e a necessidade de ser honesto e sincero para corrigi-lo.

Se desta maneira se compreende a origem dos instintos, ou seja, a necessidade de cumprir uma função de auxílio à vida, revela-se também a outra necessidade de dominá-los conforme os princípios da Lei e de corrigidos, reconduzindo-os até seus limites.

Se os instintos não se modificarem paralelamente à evolução, as qualidades que antes eram úteis à vida se tornam prejudiciais, à medida que ela progride.

O verdadeiro progresso é constituído por esta íntima transformação da natureza do ser, que adquire hábitos e constrói instintos superiores, por cima dos antigos, num contínuo processo de melhoramento e aperfeiçoamento.

É assim que, como já dissemos, o egoísmo separatista e o desenfreado individualismo do homem primitivo têm de transformar-se no altruísmo unificador, indispensável ao homem evoluído, que terá de viver no estado orgânico da humanidade do futuro.

Este fenômeno da reorganização do caos – isto é, da reordenação da desordem na ordem, do excesso na moderação, do abuso na disciplina da Lei, pelo fato de ser fundamental no processo evolutivo, e de ter, por isso, absolutamente de realizar-se, é automático.

Entramos aqui no aspecto determinístico, no ponto de vista inviolável da Lei, no qual não pode entrar a livre-escolha do homem. Este é irresistivelmente levado a realizar em si mesmo o controle de seus instintos por intermédio do autodomínio, e até que se disponha a aprender a viver na ordem, permanecendo dentro dos limites marcados pela Lei, terá de sofrer as dolorosas consequências que disso derivam.

É lógico que para um ser livre e ignorante, cada experiência implique também a experiência do excesso e do abuso, o que traz como consequência de condições opostas às da satisfação, a qual se encontra somente dentro dos devidos limites.

É assim que cada ato nosso nos leva, conforme sua natureza, a um correspondente resultado, isto é, tudo o que foi feito dentro das regras da Lei tem como consequência um estado de satisfação, e tudo o que foi feito fora dessas normas tem como consequência um estado de aflição.

Falamos da verdadeira satisfação, sadia, pacífica, duradoura, e não da satisfação mórbida, enganadora e transitória, cuja tendência final, pelo motivo de ter sido atingida pelo abuso contra as regras da Lei, é a de conduzir-nos à sua lógica conclusão: o sofrimento.

Desta maneira, sem constrangimento algum, o ser livre tem de sair do erro, expulso automaticamente para longe dele, porque é repelido pela respectiva sensação de desgosto.

Através da própria experiência, ele mesmo vai cada vez mais relacionando sua dor com o erro cometido.

Assim, a Lei vai ensinando ao ser, ansioso por movimentar-se, ardente de desejos, mas inexperiente, como agir com inteligência, sem cair na dor.

Livro: A Lei de Deus

http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/ALeideDeus.pdf

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