Ciência e Religião

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Se tudo caminha, é porque tudo se dirige a uma meta que, com este movimento, deverá ser alcançada. Tudo tende a completar-se e aperfeiçoar-se, porque sobe de encontro a um centro, em direção ao qual tudo quanto existe se eleva, à medida que vai evoluindo.

Não se trata de um centro físico do universo, mas de um centro-síntese, no qual a pulverização fenomênica se coordena e se organiza, chegando assim, da dispersão periférica, a um estado unitário, orientado em direção àquele centro.

A evolução revela-se-nos como um fenômeno de síntese múltiplo, que realiza muitas coisas, levando à ascese, ao aperfeiçoamento e ao melhoramento, mas também alcançando a complexidade, a organicidade e a unificação.

O ponto de chegada é o Todo-Uno.

A teoria evolucionista nos dá um conceito novo do universo e da existência.

O todo não foi feito por Deus de uma só vez, para sempre, de improviso, num dado momento. Pelo contrário, ele está continuamente se formando. O todo é resultado de uma criação contínua, obra de um Deus sempre ativo e presente, e não de um Deus que, uma vez tendo realizado sua criação, afastou-se dela, para ficar inerte, contemplando-a do alto de Sua glória, separado do fruto de Sua obra, que continua a existir estaticamente, por si mesma, agora independente da ação do Seu criador.

Para imaginar a atividade de Deus, o homem não tinha em sua mente outro modelo, senão aquele acessível a ele na Terra, quando se constrói qualquer coisa. Assim, inconscientemente, aplicou a Deus esta sua concepção antropomórfica, da qual não podia sair, porque não lhe era possível superar os limites em que o seu concebível estava encerrado, fixados pela sua experiência.

Hoje, tende-se a substituir a concepção antropomórfica e estática da Bíblia por uma outra, dinâmica, mais verossímil, que melhor convence a mente moderna, mais madura. Certamente, a superação dos velhos conceitos tradicionais é laboriosa, mas fatalmente ocorrerá. O homem já não é mais considerado segundo uma concepção egocêntrica, que o torna único objetivo da criação, situado num planeta que é o centro do universo.

Hoje, vemos o homem como elemento de uma imensa unidade orgânica. Ele não nasceu de uma vez, feito num só momento, mas é antes o resultado de um longo caminho percorrido, de formas biológicas inferiores superadas, que o precederam e encontram nele a razão da sua existência, a continuação do seu caminho e a coroação da sua obra evolutiva.

Do evolucionismo nasce, no lugar da velha moral estática, uma moral dinâmica.

A nova ciência nos diz que a vida evolui em direção à espiritualização, sendo este, portanto, o nosso porvir.

O passado nos mostra qual deverá ser o futuro, porque este não pode ser senão o prolongamento daquele, como sua continuação lógica. A nossa vida adquire assim um significado profundo, porque ela existe na direção de uma meta que podemos racionalmente prever qual seja.

Caminha-se e sabe-se para onde se vai.

O processo evolutivo tem as suas leis, mas o trabalho de realizá-lo está em nossas mãos. Somos nós que temos de executá-lo. Nós somos os construtores de nós mesmos, cooperando com a contínua obra criadora de Deus.

Nunca estamos sozinhos.

Todas as outras formas de existência estão junto de nós e vão avançando conosco, no mesmo caminho.

A ciência já começa dirigir-se para uma síntese, cerzindo os retalhos da especialização em que ela se ramifica e se subdivide. Ligando os vários momentos do conhecimento, ela se orienta em direção à unificação de todos os fenômenos num princípio central. Fatos isolados, dos quais primeiramente não se conhecia o nexo recíproco, integram-se numa complexidade orgânica e funcional, até formarem uma imensa sinfonia, na qual se sente encontrar a suprema visão do universo.

A tarefa da evolução humana é justamente aquela que a ciência está realizando hoje, ou seja, substituir cada vez mais o mistério e a respectiva fé pelo conhecimento, para mudar a posição do homem, afastando-o cada vez mais das trevas da ignorância (AS) e levando-o em direção à luz do conhecimento (S).

Livro: A Descida dos Ideais

www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/ADescisaDosIdeais.pdf

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