A queda dos anjos (1)

du

“A criatura é livre, podendo, pois, agir contra o sistema”.

Essa é tese da liberdade de ação. Vamos desenvolver e analisar todas as consequências.

Como ocorreu essa monstruosa revolta de algumas células do grande organismo-universo, que, ao invés de funcionar harmoniosamente nele, contra ele se puseram, rebelando-se?

Onde se encontra a primeira raiz dessa anarquia na ordem?

Importante questão que se vincula ao problema da gênese do mal, da sua presença no mundo e da sua solução final.

Para compreender, observemos a estrutura do sistema.

Ela se baseia em alguns princípios fundamentais como o egocentrismo e a liberdade. A criatura, parte integrante do sistema, foi constituída como um esquema menor do esquema maior, cujo centro é Deus, de acordo com o princípio já mencionado dos esquemas de tipo único.

Essa dádiva, porém, de Deus, pelo qual  a criatura fora feita à Sua imagem e semelhança, constituía um poder muito perigoso se não fosse bem usado, pois continha em germe a possibilidade de um transviamento, possibilidade que o ser, exatamente pelos princípios do sistema, deveria enfrentar com as suas forças.

E as consequências, quaisquer que fossem, deviam ser suas, pois significa responsabilidade, em um sistema de ordem e justiça, a consequência do princípio de liberdade.

A quem objetar que um sistema perfeito não deve conter a possibilidade de erro, deve-se contestar que essa possibilidade que não é absolutamente necessidade, está implícita nos princípios supracitados, como sua consequência necessária, de modo que, para suprimi-la, seria imperioso suprimir os princípios que dão causa, cujo valor não se discute.

É natural que, onde exista um “eu” livre, seja também possível o mau uso da liberdade. E nem por isso o valor desta decresce. De outra forma não nos encontraríamos em um sistema de liberdade, mas de determinismo, no qual as criaturas não passariam de autômatos.

Ora, Deus não criou seres dessa espécie, mas sim criaturas participes das suas próprias qualidades. Dada a estrutura do Sistema, gera-se uma cadeia de férrea lógica, que conduz dos princípios a essas consequências. A criatura deveria, pois, necessariamente encontrar-se ante a encruzilhada da escolha.

O ser, portanto, dada a sua estrutura e a do sistema em que existia, deveria achar-se diante da possibilidade do erro. Em outros termos, o ser passava por uma prova, por um exame, de cujo resultado dependeria a sua futura posição, por ele livremente escolhida.

Ora, que o sistema contivesse a possibilidade de um erro, não significa absolutamente fosse ele construído errado ou defeituoso. Tanto é verdade que ele, como veremos, de fato não se arruinou pelo erro cometido; pelo contrário, por ser perfeito, tinha capacidade de auto-regeneração.

O Sistema estava acima do erro nele possível, e fora constituído para permanecer íntegro, inabalável, para qualquer acontecimento. Por isso podia permitir em seu seio uma possível violação e desordem, tanto mais quanto essa possibilidade tinha uma função, a de aprovar o ser  dando-lhe, segundo o princípio de justiça, se superasse a prova, o pleno direito de aquisição da sua posição de filho de Deus, somente depois de havê-lo merecido.

O Criador exigia da criatura uma livre aceitação do Sistema, um espontâneo reconhecimento das recíprocas posições nele, para então poder conceder ao ser uma livre co-participação em Sua obra, como o Sistema requer, o que seria impossível com uma criatura escrava ou um autômato.

A prova da livre escolha não foi, pois, um capricho, um acaso ou um erro do Construtor, mas fez parte integrante da lógica do Sistema, como necessária consequência dos princípios que o constituem.

A estrutura do edifício de conceitos e forças do Sistema, a natureza do Criador e a da criatura, os fins a atingir além da prova, tudo isto conduzia à necessidade de que a criatura devesse encontrar-se só e   livre na encruzilhada da escolha.

A possibilidade de erro estava implícita no Sistema, não como uma imperfeição, prelúdio de fracasso, mas como um elemento definido e desejado para determinados fins, como sua força e não como sua fraqueza.

Veremos, efetivamente, que esses fins são igualmente atingidos também por outra via e que a obra da criação permanece igualmente, como um triunfo do plano de Deus.

Livro: Deus e Universo

http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/DeuseUniverso.pdf

Faça seu comentário e participe de nosso grupo de estudos.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s