Éticas opostas

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O sistema social do involuído, consequência do seu tipo de ética, é pesado porque se baseia no egoísmo, na desconfiança, na luta. Por isso ele requer infinitos controles, pelo fato de que cada célula do organismo tem de ser constrangida à força a cumprir o seu dever. E os povos têm de carregar esse peso, à força, mas merecido, porque outro meio não há em nosso mundo, para manter um início de ordem, necessário, para se encaminhar para um nível mais adiantado de vida.

Eis porque a sociedade tem de suportar o peso de leis coercitivas, armadas de sanções penais, e tropeçar a cada passo com regulamentos, administradores, fiscais, verificações, burocracia, tribunais, polícia, cadeias etc., e outras tantas delícias da moderna organização social.

Tudo isto representa um trabalho contínuo, despesas, desperdício de energia, perda de tempo, atritos e complicações, até a necessidade de manter um exército para defender a ordem interior e a segurança contra os inimigos exteriores.

Tanto tormento desaparece naturalmente no nível do evoluído que, conhecendo a sua posição no organismo coletivo e o correlativo dever, o cumpre livremente, colocando-se sem atritos no lugar que lhe pertence, porque ele sabe que nisso está o seu interesse, mas um interesse inteligente e consciente, diferente do egoísta e destruidor, praticado pelo involuído.

Trata-se de dois tipos de ética opostos, com todas as suas consequências.

O tipo de ética do involuído é exterior, formal, de superfície, apegado às aparências que deixam possibilidade de enganos; sistema que, para se realizar, necessita de um constrangimento que chega de fora e do apoio da força material ou psicológica, precisa do medo do dano ou da cobiça da vantagem, porque só por estes impulsos o egoísmo do indivíduo, mergulhado na sua ignorância, sabe funcionar.

O tipo de ética do evoluído é interior, substancial, profundo, ligado a verdades que não deixam possibilidade de enganos; sistema que se realiza espontaneamente só pelo apoio do convencimento, porque a consciência despertou, tirou o indivíduo da sua ignorância, de modo que agora, livremente, ele pode dirigir-se com o seu conhecimento.

O eu vai assim despertando cada vez mais, aproximando-se das raízes espirituais do ser, funcionando sempre mais com as qualidades do S, e sempre menos com as do AS. Trata-se de um lógico desenvolvimento da evolução, de uma necessária conquista biológica, que leva consigo um novo tipo de ética e estilo de vida, conforme o telefinalismo de todo o fenômeno que vai do AS para S.

A ética do evoluído é mais livre, todavia mais rigorosa que a do involuído. Às exigências da substância é mais difícil de se subtrair do que às exigências da forma. O evoluído, pela sua própria lógica, tem de exigir virtude antes de tudo de si, porque a sua finalidade é subir. O involuído, pela sua forma mental diferente, é levado a exigir virtude, antes de tudo, dos outros, porque a sua ética é de luta, para os sobrepujar. O primeiro procura a honestidade antes de tudo em si mesmo, para benefício dos outros. O segundo procura a honestidade antes de tudo nos outros, para melhor explorá-los em seu proveito. O evoluído pede que os outros pratiquem a honestidade que ele primeiro pratica para seu próprio bem. Ao passo que o involuído pede que os outros pratiquem a honestidade, que ele não pratica, em seu proveito.

Quem vive num plano biológico mais adiantado não pode deixar de ficar aterrorizado pelas culpas que possui, na sua ignorância, quem pertence a um plano biológico mais atrasado, conservando perfeita convicção de inocência. A delinquência das feras assassinas é honesta em relação à moral delas. Com a evolução, subindo de um nível e respectiva ética a um nível e respectiva ética superiores, muita coisa julgada moral se torna imoral.

Para a forma mental do evoluído a nossa sociedade atual, no terreno civil como no religioso, admite como lícitas ações e métodos que aquele biótipo não pode praticar e aos quais ele se rebela porque, para ele, são profundamente imorais, e representam um instintivo produto do subconsciente, tolerável apenas na ética de um nível de existência ainda animal.

Quando não é o evoluído a julgar o involuído, mas o contrário, é lógico que então seja a ética do evoluído a condenada como utopia. É natural que assim seja julgado pelos atrasados um nível de existência mais adiantado e a sua ética diferente. Fechados no seu egocentrismo, eles acreditam que a sua verdade particular seja toda a verdade.

Livro: Princípios de uma Nova Ética –

http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/PrincipiosdeumaNovaEtica.pdf

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