O desenvolvimento mental

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O mundo manifesta uma fase de superação quando é levado em direção a um desenvolvimento mental capaz de conduzi-lo à espiritualização no mais vasto sentido, porquanto qualquer capacidade de caráter mental representa sempre um valor superior à de tipo físico, guerreiro e material, ultrapassando aquele velho estilo ainda tão apreciado em nosso mundo. Também a ciência é conhecimento e, por isso, não pode deixar de conduzir à consciência e ao progresso em direção ao espírito. É para este tipo de progresso que se move a evolução.

A consequência será a formação de um novo biótipo, espiritualizado no mais vasto sentido, fruto destas novas condições de existência. É assim que do involuído poderá nascer o evoluído, do animal humano do passado poderá nascer o verdadeiro homem.

Para a vida poder desenvolver-se em novas formas, mais avançadas, é necessário ela se libertar das coisas velhas, que ocupam o espaço disponível e a impedem.

O atual esforço criador para gerar a nova civilização cabe a nós, e dele devemos ser instrumentos heroicos, numa nova época de conquistas sobre-humanas.

Certamente, o involuído atual, dada a sua natureza, não está, de modo algum, pronto a dar de imediato tão grande salto para frente. Sem dúvida, o tecnicismo transformará o ambiente terrestre e as condições de vida do homem, produzindo depois profundas alterações também em sua natureza.

Em nosso mundo, o ideal pode existir somente enquanto pode ser explorado. Mas isto, neste nível, é justo, porque, antes de pensar em evoluir, é necessário assegurar a continuação da vida. Só quando estiver garantido o necessário para resolver este problema, será possível enfrentar outros, mais altos. Quem é assaltado pela fome não pode ocupar-se de cultura e espiritualidade.

Tributa-se grande admiração e veneração pelos valores espirituais, mas apenas em teoria, pois, na prática, apreciam-se e buscam-se de fato os valores materiais.

Exigir que, em tais condições, o involuído se ponha a evoluir, lutando pelos ideais, enquanto tem de lutar por coisas bem mais urgentes, representa um atentado à sua vida, sendo natural então que ele se defenda como pode.

Quem, para sobreviver, necessita primeiramente das coisas concretas que servem ao corpo, não sabe o que fazer dos maiores valores do espírito.

É assim que, na Terra, reino dos involuídos, está tacitamente convencionado que o ideal deve ser explorado para fins materiais, porque para outra coisa ele não pode servir.

O profundo instinto do atual subconsciente humano se formou como consequência das ferozes condições do ambiente em que o homem teve de viver no passado, sendo produto delas. Se tais condições mudam, certamente aquele subconsciente vai-se adaptando a elas, experimentando e aprendendo. Mas, para se adaptar à nova situação, assimilar a mudança e se transformar definitivamente, até fazer de tudo isto qualidades e instinto próprios, é necessário muito tempo. Deve-se formar uma nova simbiose com o ambiente, um novo tipo de convivência mútua.

Antes que possa aprender a atuar de maneira diferente, ele deverá atravessar e assimilar novas experiências, entregando-se a abusos e pagando as suas consequências, até aprender, à sua custa, a saber fazer sábio uso dos novos meios.

 Como pode conhecer os perigos da riqueza e abundância quem não provou senão as duras consequências da miséria?

É justamente a experiência que nos permite reconhecer o erro, tão logo incidamos nele. Mas como se pode, na primeira vez, reconhecê-lo e nele não cair, quando ainda não foram provadas as suas tristes consequências, sobretudo por ele se apresentar como salutar correção do erro oposto, cujos duros efeitos já se conhecem?

Uma repentina alteração das condições de vida de indivíduos despreparados para saber utilizá-las bem, não pode deixar de provocar instintivas reações de abuso, tendentes a compensar em primeiro lugar as dolorosas carências precedentes com a imediata realização desse ideal de gozo, por tanto tempo comprimido no subconsciente. Sucede, no entanto, que tais reações, dirigindo-se além de toda e qualquer medida, em sentido não evolutivo, devem ser depois corrigidas, para serem levadas de volta à ordem, com uma reação proporcional ao erro, em termos de sofrimento.

Assim o primeiro movimento de um involuído é a procura de uma super-satisfação dos instintos primitivos: gula, orgulho, ócio, sexo etc. É natural que o animal, uma vez livre da pressão que o disciplinava, restitua um impulso no sentido oposto ao que ele estava submetido.

O momento seguinte representa a escola que ensina a assimilar os frutos da experiência. Tem-se de suportar os prejuízos que se seguem ao abuso, até se aprender a eliminá-lo. Assim o indivíduo aprende a se autodisciplinar, fazendo sábio uso das coisas. Pouco a pouco, com a regular satisfação, forma-se o hábito, condição que acalma a ansiedade e leva à saciedade.

Então foi aprendida a nova lição, e o indivíduo, superada a oscilação entre carência e excesso, pode deixar de lado o problema, já resolvido, das necessidades materiais e cuidar, através de outras experiências, da solução de problemas mais complexos e da conquista de valores mais altos.

Portanto, num primeiro momento, ao invés da passagem para uma vida superior, teremos, pelo contrário, um reforço da vida inferior. Isto automaticamente leva a outro resultado, que é, primeiramente, ter de suportar as dolorosas consequências do abuso, para depois, através destes sofrimentos, ter de aprender uma autodisciplina e construir uma consciência, elementos básicos para a conquista dos valores espirituais. Estas são as fases do fenômeno.

Eis que, na economia da evolução, o nascimento espontâneo do abuso tem uma função definida, porquanto conduz a uma inversão de valores, eliminando os velhos e estabelecendo os novos. Sabemos que o sofrimento representa o agente corretivo do erro, tendo a função de endireitar as posições. Somente assim o homem poderá aprender a viver num plano mais elevado.

Esta análise nos mostra que, muito provavelmente, o primeiro resultado imediato será um retrocesso involutivo, pois, em princípio, a tendência será usar os novos meios com a velha forma mental, o que levará a uma retomada dos defeitos do passado, potencializada pelos novos poderes.

A construção espiritual, para elevar-se a um mais alto plano de existência, é fenômeno lento e complexo, constituindo uma maturação em profundidade. Para alcançá-la, é necessário lutar, sofrer e vencer. Não basta, para construir o homem, a gratuita ampliação das mais favoráveis condições devida exterior.

A evolução é uma laboriosa conquista, levando em direção à felicidade, que deve ser ganha, para ser merecida.

Livro: A Descida dos Ideais –  www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/ADescisaDosIdeais.pdf

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