Mudança de Planos

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A vida é escola para aprender e subir.

Temos verificado que o homem é impulsionado para as duras experiências da vida pelo seu instintivo e irrefreável desejo de felicidade, mas que esta, na Terra, não pode ser atingida. E temos visto que tudo isso se resolve numa corrida em busca de um inacessível ponto final, que se afasta de nós a medida que nos aproximamos dele. Acontece desse modo que a corrida, dolorosa e cheia de desilusões, conduz sempre a felicidade, apesar do caminho ser mais fatigante e amargurado do que o homem desejaria. Assim, o que parecia ser crueldade da Lei, revela-se como sua bondade e profunda sabedoria.

O mais importante disso tudo é que vamos subindo de um plano de existência para outro mais elevado, onde vão desaparecendo a prepotência, a injustiça, a maldade, as lutas e os sofrimentos que atormentam o ser nos planos inferiores.

Os diferentes planos de existência são regidos por princípios diferentes, de modo a desaparecerem lutas e necessidades, a medida que vamos subindo a escada evolutiva. Explica-se assim o fenômeno da Divina Providência, que é um fato que se realiza inclusive em nosso mundo, a benefício dos mais evoluídos, pertencentes, pelos seus merecimentos, a mais altos planos de vida.

Com a evolução tende a diminuir o esforço requerido para continuar a evoluir, tornando-se todos os benefícios cada vez mais gratuitos. Nos planos superiores de existência desaparecem, juntamente com todas as suas tristes consequências, as duras leis da animalidade e ferocidade, predominantes em nosso plano de vida.

Compreende-se e justifica-se, assim, a dura necessidade de trabalho em nosso mundo. A última razão da existência desse trabalho não se pode, no entanto, encontrar na Terra, porque dele, em última análise, aqui não fica nada de definitivo. Mas, existe um sentido: a construção que o homem realiza não está na Terra, mas dentro de si mesmo. Se não quisermos cair como presa da ilusão, é preciso compreender que o verdadeiro fruto do nosso trabalho não está na obra realizada, mas na lição aprendida, na qualidade adquirida, no progresso atingido.

O que permanece não é a obra realizada, mas é o conhecimento adquirido da sua técnica construtiva, com a qual se podem construir outras obras semelhantes em número infinito, abandonando-se as anteriores, que valem só como experiência. Este é o verdadeiro significado de todos os trabalhos e de todas as obras humanas. A Lei não cuida da conservação do fruto material, porque é o fruto espiritual que tem valor, e este fica gravado na alma de quem realizou o trabalho.

Podemos agora compreender o verdadeiro valor das coisas que chegam às nossas mãos. A Lei no-las deixa possuir, manusear, dirigir; contudo, cedo ou tarde, chega o dia em que temos de nos desprender delas e, então, teremos de devolvê-las a Terra da qual tomamos, devolver tudo, até o nosso próprio corpo. Assim, todas as coisas não nos são dadas senão por empréstimo, em usufruto temporário. Nosso é só o bom ou mau uso que tivermos feito das coisas recebidas. Todo o restante fica na Terra. Esta é a experiência e a riqueza acumulada, da qual somos donos, capital que teremos a nosso dispor nas futuras vidas.

Se a finalidade de tudo o que chega ao nosso poder é a de nos ensinar o uso certo das coisas, adquirindo-se o sentido da justa medida e as qualidades de ordem, autocontrole e disciplina, é justo que a Lei nos tire tudo, quando temos cobiça demais e fazemos mau uso dos nossos poderes.

Esta é a lógica da Lei, isto é, o caminho para chegar à abundância é o desapego. A lógica do mundo é uma contradição da lógica divina, e a prova disso são os frutos que nele se colhe, isto é, luta e necessidade, onde poderia haver paz e bens em abundância para todos.

A conclusão desta nossa conversa, por estranha que pareça, é que tudo podemos obter, e de graça, mas só quando não o desejarmos mais com cobiça, porque só neste caso á possuir não representará mais um perigo para nós. Se o escopo de tudo é evoluir, é lógico que seja tirado de nós tudo o que constitui a base de um apego excessivo, que não nos deixaria prosseguir em nossa obra mais importante: o progresso no caminho da evolução.

Na Terra há de tudo em demasia. O que falta é saber-se de tudo fazer bom uso. O homem ainda não aprendeu esta lição e, para evoluir, faz-se mister aprendê-la. Enquanto ele estiver preso aos seus baixos instintos de luta, esmagando todos com o seu egoísmo, ser-lhe-ia um dano possuir poderes maiores, e é lógico e bom que ele perca o que não sabe empregar senão para o seu próprio prejuízo. Isso revela a sabedoria da Lei. Assim, o homem está criando, com a sua cobiça de possuir demais, a sua miséria. Mas ele terá de experimentar tantos sofrimentos, até aprender que isto é loucura.

É assim que, desapegando-nos das coisas inferiores e apegando-nos às superiores, conseguimos subir um novo degrau na escada da evolução, realizando dessa forma aquilo que é a maior finalidade da vida, em vez de correr atrás de dolorosas ilusões. Eis pois que, como quer a bondade da Lei de Deus, a felicidade está em nosso caminho, esperando por nós, para ser atingida com o nosso esforço, vindo ao nosso encontro, se quisermos cumprir esse dever.

Livro: A Lei de Deus – http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/ALeideDeus.pdf

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