Viver na Lei

du

O grande modelo é Deus, que todos os seres, inclusive o homem, devem seguir. Esse Deus se encontra no centro do sistema, tudo centralizando em Si, para tudo irradiar de Si, e as criaturas devem existir à Sua imagem e semelhança, isto é, como tantos outros sois menores que irradiam, quais centros de sistemas menores.

Certamente, a criatura é livre e pode, pois, agir de modo contrário. Mas esteja bem certa de que é lei também que todo o sistema se volte contra ela, para esmagá-la, como a um inimigo. A grande corrente da vida vai contra quem pretende inverter a rota do ser, prejudicando-o.

Ela o coloca frente ao dilema: rearmonizar-se com a Lei, enquadrando-se de novo nela, ou ser eliminado. E os salutares golpes da dor, ainda que atenuados pelos impulsos do Amor, não serão sustentados enquanto não se tiver conseguido a correção ou destruição.

O ser é livre de violar, mas somente em seu dano e não tem nenhum poder para dobrar ou anular as leis da vida.

Eis a perfeita justiça alcançada pelo Amor, respeitando diferenças e desigualdades necessárias que exprimem a posição atingida, cada qual com sua fadiga e vontade de subir.

Assim se compreende o Evangelho, quando diz que não ganha a própria vida quem a conserva egoisticamente para si, mas somente quem a dá aos outros. Recordemo-nos de que somos células de um grande organismo e de que nenhuma célula pode crescer e viver isolada, pensando exclusivamente em si mesma e em seu próprio benefício, mas somente pode fazê-lo em relação às outras, em favor do organismo inteiro.

Uma célula absolutamente egoísta representa em qualquer organismo um germe revolucionário, uma revolta à lei do Todo, uma atividade perigosa que é logo sufocada no interesse geral, um cidadão rebelde que urge ser expulso da sociedade.

Tal é a grande parte da moderna humanidade materialista, para quem o egocentrismo é egoísmo separatista e exclusivista de cada um contra o próprio semelhante. E efetivamente as leis da vida procuram isolar esse tipo biológico, como um cancro ou tumor, para destruí-lo. Com o próprio egoísmo, ele desejaria sustar o livre fluxo da vida, como quer a divina lei de Amor, e a vida o põe na encruzilhada: seguir a rota da Lei ou ser esmagado por ela.

O homem moderno não conhece esses princípios, age como uma célula que quisesse viver exclusivamente para si, isolando-se da corrente de todo o funcionamento orgânico de que é parte.

Mas o sistema tem como centro Deus e não o homem e ninguém pode alterar a realidade dessa estrutura do universo. E, assim, quando um centro menor, fazendo mau uso da liberdade, tende a agir contra o Todo, então os impulsos do conjunto orgânico se encontram contra ele para expulsá-lo do sistema. Veremos, dentro em pouco, como pode surgir essa atitude rebelde das criaturas e quais as suas consequências.

Acumular com exclusivismo egoísta significa caminhar contra a maior corrente da vida, agir com prejuízo, significa pôr-se em posição invertida, não obter senão resultados negativos. E quanto mais porfiadamente o homem lutar nessa direção, buscando vencer por ela, tanto mais se afastará das fontes do ser, para perder-se no deserto em que o isolarão as forças da vida, que dele se arredarão como de um pestilento.

Deus é Amor e sempre dá. A divina corrente do Todo está baseada no princípio do dar. Agindo em contrário, o homem pretenderia opor-lhe, como uma muralha, o oposto sistema, do tomar! Então, a muralha não susta a corrente, mas a corrente destrói a muralha.

A nossa economia, porventura, não está baseada no princípio “do ut des” (dou para que dês)?

Se a balança da justiça assim se apresenta, isto significa egoísmo pelo qual eu não darei se tu não deres. Se não tiveres para dar, morrerás, o que a mim não importa. E se não deres, eu não darei.

Este princípio de compensação, que são as bases reconhecidas da economia vigente, constitui a mais lídima manifestação do egoísmo.

Uma economia desse tipo, em face das mais profundas leis da vida, éticas e espirituais, das quais é ilusório querer furtar-se em qualquer procedimento nosso, resulta também utilitariamente negativo, isto é, contraproducente.

Efetivamente o mundo econômico-financeiro não passa de uma série de crises em cadeia que formam uma única, perene crise insanável porque ela não se origina de um particular momento ou posição, mas de todo o sistema.

Livro: Deus e Universo – http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/DeuseUniverso.pdf

Faça seu comentário e participe de nosso grupo de estudos.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s