A Nova Era

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Quando um fenômeno chega à sua maturação, ele tende irresistivelmente a se precipitar na conclusão e, tal como um parto, deve necessariamente realizar-se.

O tema da descida dos ideais interessa neste momento, sobretudo porque ele nos expõe o programa a ser realizado, além de representar, evolutivamente, uma antecipação de estados mais avançados, que esperam ser realizados por nós no futuro.

Chegou a hora da escolha, o momento da curva decisiva, para dar o salto numa direção ou em outra. Alguma coisa está se movendo nas vísceras do fenômeno evolutivo. Por isso, inconscientemente, o mundo se encontra numa ansiosa agitação, desconhecida no passado. Se o salto falha, não se sabe como nem onde se irá cair. É imprescindível sermos sábios e previdentes. Mas só poderemos sê-lo com conhecimento e consciência.

A humanidade deve escolher entre as duas direções a tomar. O caminho estabelecido é apenas um, mas pode-se percorrê-lo para frente, evoluindo, ou para trás, involuindo.

O que está em jogo é imenso.

Existe a perspectiva de uma era de bem-estar, com um novo tipo de civilização, que, libertando o homem da escravidão do trabalho, poderá com isto oferecer-lhe novas atividades, muito mais elevadas, inteligentemente orientadas e realizadas por um biótipo humano mais evoluído, com outra forma mental.

O caminho está traçado pela Lei e, como já deixamos entrever, não pode ser percorrido a não ser ao longo do percurso involutivo-evolutivo. Ou se avança em direção ao S, ou se retrocede em direção ao AS. O perigo reside no fato de que, em vez de seguir no sentido de melhorar, dirigindo-se em direção ao S, este movimento se realize no sentido de piorar, deslocando-se para o AS. No 1º caso caminha-se para a salvação; no 2º  caso, para a perdição.

Permanece para ele, portanto, o perigo de continuar a se comportar como no passado e, assim, em vez de se encaminhar em direção a mais altas conquistas, começar a se exceder nas satisfações de tipo inferior, seguindo os seus impulsos de involuído, entregando-se ao abuso e excedendo-se na satisfação dos instintos mais atrasados, em vez de se dedicar à conquista de um progresso ulterior. É possível, então, vir-se a despertar e fortalecer a besta, em vez de se construir o anjo ou o super-homem.

Tomar o bem-estar material não como meio de progresso, mas como principal objetivo da vida, é prostituição do espírito, emborcamento de posições, continuação do caminho em descida em vez de em ascensão. Assim, ao ideal se substituirá o utilitarismo; à fé criadora, o céptico cinismo; à fraternidade, o egoísmo; ao progresso, a estagnação.

O perigo está em que o bem-estar termine transformando-se em retrocesso, num requinte e potencialização de animalidade. Tanto progresso será inútil, se a humanidade quiser entregar-se ao ideal de viver somente para gozar a vida, detendo-se numa exteriorização como fim em si mesma, em vez de fazer do progresso um meio para alcançar uma interiorização que utilize os valores materiais para desenvolver os espirituais.

O homem se encontra perante perspectivas ilimitadas, não só com liberdade e poder, mas também responsabilidade, desconhecidos nos séculos passados, tendo-se lançado velozmente em direção a radicais mudanças devida, com imensa possibilidade de novas realizações, que implicam em proporcionais consequências de alegria ou dor.

Nunca se deve deter o esforço para evoluir.

A supressão das dificuldades a superar e do esforço necessário para vencer e fazer avançar a vida, acaba por corrompê-la e corroê-la. Estabelecida a satisfação de todas as necessidades e desejos, restam o vazio, a inaptidão e a decadência, por falta desse dinamismo vital no qual se apoia a técnica construtiva das qualidades.

Quem renuncia à sua contínua autoconstrução se destrói.

A salvação está em continuar o trabalho com atividades mais elevadas, de caráter intelectual e espiritual, utilizando a libertação das necessidades materiais para levar a vida a um plano mais alto.

Cada conquista perde valor, se não serve para avançar. O caminho da subida está feito para ser percorrido. A lei é progredir. A evolução é uma pista onde não é possível se deitar para dormir. A vida reside no movimento. Se ela para, chega a morte. Todo o universo é movimento e apoia-se no movimento.

Tudo está pronto.

Falta somente a nossa boa vontade, a nossa adesão e decisão. Se a conquista e o resultado serão nossos, é justo então que o esforço também seja nosso. Quando tudo está pronto e as condições favoráveis existem para assegurar o êxito, ajudando no esforço, é culpável negar-se a realizá-lo.

Livro: A Descida dos Ideais –  www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/ADescisaDosIdeais.pdf

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