A Humanidade em Transição Evolutiva

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É inevitável que as concepções humanas sejam antropomórficas, pois foram conquistadas por um cérebro humano, como resultado das experiências vividas e, portanto, em função dos conhecimentos adquiridos no ambiente terrestre.

Não podemos, portanto, elevar as nossas construções ideais senão com este instrumento e sobre estas bases simples, dado que não possuímos outros elementos. Por esta razão, tudo o que está além destes limites encontra-se fora de nossa compreensão, não sendo concebido nem concebível.

Na nossa atual condição evolutiva a nossa interpretação dos fatos é uma distorção da realidade, condição pela qual o que julgamos ser a realidade não passaria de uma projeção antropomórfica, construída por nós com as ideias fornecidas pela nossa vida.

Se tudo o que existe está englobado no transformismo universal, então nem sequer as nossas concepções podem escapar desse processo, razão pela qual elas têm de ser relativas e progressivas. É indiscutível que, se o universo se transforma por evolução, também por evolução se transforma o órgão mental com o qual o percebemos e julgamos.

Julgamos ter alcançado a realidade, mas esta é apenas a realidade que o indivíduo alcança por si mesmo, naquele dado instante, a qual varia com o observador e o momento, modificando-se para diferentes observadores e, com o decorrer do tempo, para o mesmo observador. É assim que as nossas verdades não expressam outra coisa senão a maneira pela qual elas são vistas e concebidas por cada um num dado momento. As verdades são, portanto, relativas ao observador e progressivas no tempo.

Nenhuma forma de existência parece ser possível, se não for considerada como um vir-a-ser, e o homem deu-se conta de que tudo é movimento, seja no universo físico, no dinâmico ou no espiritual.

Este é o patrimônio mental que nos é dado possuir, o qual se resume em representações antropomórficas limitadas e a verdades progressivas.

Transformismo e relatividade progressiva, não se mantém por si sós, mas necessitam de um ponto absoluto que, cumprindo a função oposta, sirva de suporte. A isso leva o próprio princípio do dualismo universal, pelo qual cada posição existe em função do seu oposto, somente sendo possível reconstruir a unidade através da reunião das duas metades divididas. É como o reencontro do positivo e do negativo e vice-versa, para formar um mesmo e único circuito.

A contínua e fugidia mobilidade se apoia na solidez do imóvel, do qual necessita, para que não se perca tudo num futuro imenso, sem equilíbrio, orientação e significado. Esta fluidez deve ser um movimento na ordem, pois, de outra forma, levaria, ou até mesmo já teria levado há muito tempo, tudo a naufragar no caos. A instabilidade não é admissível senão em função de uma estabilidade, assim como a relatividade não se sustém senão em relação a um absoluto.

É a própria ideia do relativo no qual vivemos que nos leva, por reflexo, à ideia do absoluto, mesmo que não nos seja dado conhecê-lo diretamente.

O vir-a-ser da existência não se detém jamais. Porém somente é possível um transformismo como um meio para alcançar um fim, e não como um processo sem solução, que se movimenta eternamente numa determinada direção.

Somente assim tal movimento não se anula no vazio, mas complementa-se com a sua fase contrária, em função do seu ponto de referência fixo, de partida e de chegada, que lhe imprime uma direção, sem a qual ele não pode existir.

Isto significa que, em nosso universo, não se pode existir senão movendo-se na direção involutiva ou na direção evolutiva, progredindo ou retrocedendo, afastando-se ou avizinhando-se de Deus, que é o princípio e o fim, pois tudo existe em função de Dele.

 

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