Imanência Divina

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Na sua ignorância, o homem acredita que a sua pequena biologia terrestre representa, em todos os seus níveis, uma completa biologia do universo; e não entende que, em níveis superiores de existência, situados ao longo do caminho da evolução, possam vigorar leis tão diferentes na proteção da vida que ao pé delas os nossos atuais métodos se tornem absurdos e prejudiciais, ao mesmo tempo que prevalecem outros, nos antípodas dos nossos, tão distintos que parecem emborcados.

O homem não entende que a Lei é viva, que representa um pensamento a querer manifestar-se, e que ela está pronta a funcionar assim que o ser lhe excite o funcionamento com os seus movimentos.

A Lei faz isso em relação àqueles movimentos que dependem da natureza do indivíduo, a qual é consequência da posição por ele ocupada na escada da evolução. E então lógico que a lei feroz da seleção do mais forte no plano físico funcione só no plano animal-humano, no seio da biologia desse nível, ao passo que outra lei, esta de harmonia e de justiça, funcione num plano superior, no seio da biologia desse nível.

A Lei apenas aceita o método da luta pela seleção do mais forte nos níveis inferiores, onde tal método representa uma defesa da vida. Mas tudo se transforma, na evolução do AS para o S, incluindo o método dessa defesa, o qual deixa de ser representado pela supremacia bestial de um indivíduo sobre outro, como convém num mundo em estado de caos, passando a ser constituído por uma posição de obediência na ordem, como convém num mundo que atingiu o estado orgânico, onde os impulsos inimigos (AS) chegaram, através de tanta luta, a coordenar-se em harmonia (S).

Em palavras simples se diz que Deus defende com a sua justiça os honestos, que o mundo condena e persegue. Deus protege quem Lhe obedece. Quem observa a Sua Lei, por Ele está defendido. A defesa de Deus representa a arma que salva os honestos, o grande poder dos que abandonaram as armas da força e da astúcia.

Tudo isto está escrito na Lei, que representa o pensamento de Deus e a Sua vontade de que tal pensamento se realize.

Essa Lei está feita não apenas de princípios que dirigem o caminho da vida, mas também de impulsos para que eles se tornem realidade. Essa Lei foi escrita pelo próprio Deus no funcionamento do Universo, através da Sua criação, e toda a fenomenologia a realiza; tudo e todos têm de lhe obedecer se não lhe querem sofrer as reações.

A Lei representa, então, não somente um princípio de ordem universal inviolável, mas também um compromisso entre o Criador e a criatura, garantia absolta para esta de que a Lei sempre responderá, com exatidão, aos movimentos do ser, consoante os princípios estabelecidos, e sempre em proporção ao merecimento do ser.

Esta conclusão é importante  e dela depende a nossa conduta; é importante, porque desse modo o indivíduo sabe que ao cumprir o seu dever de obediência à Lei ele tem o direito de receber em troca uma ajuda que o defenda. Esse é o princípio pelo qual funciona a Providência de Deus.

O que sustenta o homem honesto condenado pelo mundo é a certeza de que Deus, mais do que todos, também respeita a Sua Lei, merecendo por isso toda a confiança.

A ideia que as religiões nos dão de Deus é a de que Ele criou o universo, tirando-o do nada ou do caos. Mas depois de haver estabelecido a Sua ordem, Ele ter-se-ia ausentado para os céus, de lá ficando a olhar de longe a Sua obra, sem tomar parte ativa no seu funcionamento.

Ora, queremos salientar aqui que nada é mais absurdo que essa ideia da ausência de Deus, que nos permite imaginá-Lo afastado, longínquo, e assim mais facilmente enganável, quando, na verdade, a lógica exige e tudo nos fala da Sua presença viva e contínua entre nós no funcionamento orgânico do todo, tudo dirigindo, de perto vigiando, controlando, velando e realizando.

Este fato acarreta importantes consequências no terreno da ética, porque um Deus tão próximo penetra toda a nossa vida por dentro e por fora, é uma atmosfera em que todos estamos mergulhados, que todos respiramos e da qual não há possibilidade de nos separar.

 Trata-se de um Deus que está conosco em todo lugar e a toda hora, inclusive fora dos templos, no meio da nossa vida de luta, um Deus independente de seus ministros, o que elimina a possibilidade de enganá-Lo.

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