A lei do progresso

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A lei do progresso trabalha continuamente para tirar o homem da sua triste posição, impulsionando-o a evoluir. Através de incessantes e duras experiências neste baixo nível de vida, o homem acabará forçosamente por atingir o amadurecimento necessário para compreender a estupidez de um método de quem só sabe agir em obediência cega aos seus instintos de inconsciente.

O homem terá assim de aprender a pensar e, depois, a comportar-se com inteligência e consciência.  Pela fatal lei do progresso a mente humana terá de se abrir, a fim de poder chegar a dirigir a vida com métodos mais inteligentes, honestos e vantajosos.

É exatamente essa mudança que hoje se começa a realizar. A mente humana está saindo das nuvens da menoridade, faz perguntas e pede respostas, não mais aceita só por fé cega verdades baseadas no mistério, começa a raciocinar e  olhar as coisas com espírito crítico, antes de obedecer, exige ver claro com a lógica e a razão, pede a quem manda que justifique a sua posição, quer ver o que está atrás dos bastidores das verdades proclamadas e da autoridade que nelas pretende basear-se, não mais ficando satisfeita com palavras tradicionais e afirmações teóricas.

Chegou a hora de explicar tudo, com sinceridade e justiça, se quisermos que os indivíduos obedeçam às leis. Os jovens pedem esse nutrimento novo e fresco, porque nas religiões apenas encontram um nutrimento rançoso, que hoje ninguém mais digere,  consumida pelo uso dos séculos, forma essa para adormecidos, de palavras aprendidas de cor, cansadas pelo peso do tempo, com o sentido já perdido para o ouvido moderno.

Os jovens de hoje cansam-se e não prestam mais ouvidos. Eis de onde nasce a hodierna indiferença, o absenteísmo espiritual, o desinteresse de quem não toma a sério, por falta de convicção.  Indiferença que desemboca no materialismo ateu, no epicurismo, na filosofia animal do primitivo, fruto do desespero da alma insatisfeita que, precisando de uma filosofia qualquer para se dirigir, não achou coisa melhor.

Os jovens estão famintos de sinceridade, honestidade, justiça, desiludidos do passado, que muitas vezes lhes soa a engano, pelo mau uso que foi feito de tantas verdades. E se eles estão revoltados, não é por maldade sua, mas porque encontram falta de bondade e ficam tristes e desnorteados pela falta de uma orientação sadia, coerente, convincente, que os ajude a navegar no oceano desconhecido da vida, dando a esta um significado e uma finalidade a atingir, que justifique e valorize tantos esforços, luta e sofrimentos.

No nível animal-humano, a vida se desenvolve num regime de luta, porque tal é a lei desse plano evolutivo. Disto decorre que, em tal ambiente, a regra é os bons serem explorados e eliminados por não serem fortes nem astutos. Para o nosso mundo, a bondade é uma forma de fraqueza que cada um pode ter o direito de explorar, utilizando-a para sua própria vantagem.

 Se o mundo, porque lhe convém, gosta de imaginar Deus infinitamente bom, é necessário entender que Ele não é bom só para que seja possível explorar Sua bondade com o engano, mas que Ele é sobretudo inteligente, de modo que ninguém O pode lograr e com a sua astúcia evadir-se da Sua Lei, como o homem almejaria, de acordo com a sua forma mental. É  preciso compreender que, sendo Deus bom, não é por isso um simplório que possa ser enganado.

Perante Deus e a Sua Lei é loucura querer ser astuto, porque não há escapatórias. Quem faz o mal tem de pagá-lo à sua custa, não importando se é crente ou não. A nossa opinião, a nossa fé religiosa ou filosófica, não pode fazer mudar as leis da vida.

Mas o homem não gosta de semelhante conceito, antes prefere, e por isso imaginou, um Deus bom que se pode enganar. Esta é o que é, em forma positiva, para todos, incluindo os ateus, e não é o resultado do que cada um, conforme a sua natureza, gosta mais de crer.

O homem aceita o conceito de um deus enganável porque isso lhe agrada, ao mesmo tempo que satisfaz o seu instinto de prevalecer acima de todos, e assim pensa ser possível aproveitar-se desse Deus.

O que de fato ocorre é o contrário do que o homem pensa: Deus abandona ao poder de reação da Lei quem quer fugir à obediência, enquanto defende os sinceros e os honestos, os quais, seguindo o método da justiça, não querem se aproveitar de ninguém, e isso apesar do mundo, seguidor do método da luta, os explorar e esmagar, já que naquele nível eles são considerados simplórios e  tolos, isto é, o biótipo do fraco a ser eliminado, pela lei da seleção.

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