A realidade religiosa

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A realidade religiosa atual é que temos, de um lado, a casta sacerdotal que justifica a sua existência e posição de domínio enquanto representante de Deus, com poderes espirituais dos quais depende a nossa vida futura. Do outro lado, temos o termo oposto, representado pela massa dos fiéis, que procuram os meios para se assegurarem nas melhores condições de vida na sua continuação depois da morte. Cada um dá o que tem.

Assim, a casta sacerdotal oferece ao mundo a solução do problema da vida de além-túmulo com a salvação eterna, e recebe em troca os recursos materiais e o domínio do qual precisa para viver. Do outro lado, a massa dos fiéis recebe da autoridade espiritual para isso encarregada por Deus, a garantia de uma vida futura feliz, executando apenas algumas praticas exteriores e afirmando que acredita em coisas que não entende, nem lhe interessa entender.

Realiza-se, assim, a troca que permite a convivência, qual meio necessário para chegar, nesse nível evolutivo e conforme as suas leis, à simbiose. Assim cada um está pago com a moeda que o outro lhe oferece. Simbiose entre o espiritual e o material, cada um dando o que tem ao outro, a quem falta. O espiritual concede o paraíso e obtém a sua posição material; o material dá vantagens concretas, mas exige por isso ser pago, e toma as vantagens espirituais.

Então, para receber a sua posição na sociedade e nela a manter, era necessário que o poder religioso não lhe pedisse sacrifícios demasiados, permitindo-lhe ser possível atingir o seu objetivo, a salvação final, praticando uma moral que consinta muitas escapatórias, pelas quais, com o mais profundo respeito pelas práticas exteriores, é possível dar bastante satisfação aos instintos involuídos, o que a maioria mais exige.

Deste modo todos estão satisfeitos, porque cada um acredita ter sido o mais astuto, recebendo mais do que dá: o espiritual, dando promessas de salvação, mas recebendo a vantagem bem positiva da sua posição social; o material, ganhando a salvação com o mínimo incômodo e esforço possível.

O único que não ficou satisfeito foi Deus, cuja justiça reclama e exigirá pagamento de ambas as partes, pois o único a não ser enganado é exatamente Deus e que o engano cairá em cima dos dois enganadores, os quais não poderão deixar de pagar os terríveis efeitos da sua astúcia. Só na ignorância do primitivo se pode acreditar que seja possível intrujar a Deus.

Entretanto, as religiões desconhecem ainda o conteúdo da Lei e os princípios que regem a vida, de modo que não os podem ensinar. Enquanto não entender tudo isto o mundo continuará vivendo satisfeito com esse acordo, o qual, embora lhe ofereça a vantagem de satisfazer o seu instinto de aproveitar de tudo com a sua astúcia, o condena depois a pagar inexoravelmente o seu erro e dívida à justiça divina.

Esse jogo corre bem enquanto o homem permanece nas suas atuais condições de involução e de ignorância, as quais não lhe permitem aperceber-se como para ele é prejudicial tal método de enganos, que no fim não deixará de o levar a pagar esse erro, à sua custa e com o seu sofrimento.

 A dor cumpre, assim, a tarefa de lhe ensinar a conhecer a Lei, e a não mais errar por ir contra ela. Deste modo, pela dor, a mente humana irá aprendendo cada vez mais, e com isso começará a entender quão louco e perigoso é o seu atual método.

O homem funciona ainda impulsionado irresistivelmente pelos seus instintos, fruto do seu passado; ainda não soube libertar-se deles, evoluindo, e continua satisfeito ao obedecer-lhes cegamente.

É assim que quem tem o poder e manda, muitas vezes é levado a aproveitar-se dessa posição não para cumprir uma tarefa diretiva, mas para dominar e levar vantagem sobre os seus dependentes, que, por sua vez, procuram pagar aos chefes na mesma moeda, defendendo-se o mais que podem e tentando todas as escapatórias para se evadir das leis.

Julgam-se, assim, inteligentes e sábios.

Neste esforço de superação recíproca está o nosso maior trabalho, a satisfação do nosso orgulho, a prova da nossa inteligência e do nosso valor.

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