DEUS — DUAS CONCEPÇÕES

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Deus existe. Uma prova poderia ser a que nos é oferecida pelo materialismo ateu que O nega. Assim como a sombra implica a presença da luz, também a negação pressupõe a existência do que se nega. Portanto, se negamos uma coisa, é porque ela existe. A negação de Deus prova a Sua existência.

No caso do materialismo ateu essa negação não representa, porém, a negação de Deus no que Ele é,  mas é uma negação somente do que o homem, num dado momento histórico, pensa que Deus seja, isto é, da representação que ele naquele tempo faz de Deus, conforme o grau de evolução atingido.

Há, então, dois pontos bem diferentes e distintos: o que é Deus em Si mesmo, no absoluto, acima da compreensão humana; e o que é Deus como ideia concebida pelo homem no seu relativo, a imagem que ele faz de Deus conforme os seus poderes de representação. O primeiro caso foge-nos completamente, porque está além do nosso conhecimento. O segundo caso representa tudo o que conseguimos saber de Deus, isto é, uma representação a nós relativa, mas progressiva em função do grau de evolução por nós atingido.

O materialismo da ciência negou somente a única coisa que ele podia negar, isto é, o que o homem conhecia: o conceito relativo vigorante nas religiões, no período histórico em que o materialismo apareceu. Disto se segue que o clássico materialismo ateu não representa, hoje, senão uma negação da velha concepção de Deus sustentada pelas religiões, enquanto a própria ciência acabou desembocando numa mais adiantada concepção de um Deus que ela não pode mais negar, mas, pelo contrário, tem que aceitar, porque explica e funde em unidade os parciais resultados daquela ciência, a eles dando um sentido orgânico e telefinalista, sem o qual tudo fica abandonado na desordem do acaso e no mistério de tantos problemas ainda não resolvidos.

Assim, na economia da vida, o materialismo ateu não foi um meio para chegar à negação de Deus, mas só para destruir a velha ideia que Dele o homem fazia nas religiões, e com isso atingir outra nova, mais evoluída, completa, convincente. De fato, a nova ciência destruiu a concepção materialista da matéria, que desintegrou, desmaterializando-a em energia.

Essas duas concepções de Deus, com tudo o que delas decorre, sobretudo a respeito da conduta humana, nos conduz ao terreno da ética, que estão em luta, como sempre acontece entre o que está morrendo e o que nasce no seu lugar. A primeira está fixada nas religiões e na respectiva forma mental, filha do passado menos evoluído. A segunda e representada pelos espíritos mais amadurecidos, que se rebelam contra o passado, antecipam a nova maneira de conceber Deus e as relações do homem com Ele.

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