Deus e Universo – PREFÁCIO (introdução)

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Numa grande reviravolta da minha vida e da vida do mundo, nasceu este livro, subitamente, como uma explosão. Foi escrito em vinte noites, pouco antes da Páscoa de 1951, aproveitando-me de uma bronquite que me forçava ao repouso, furtando-me ao trabalho diurno normal, necessário para a manutenção de minha família. Escrevi-o sob intensa febre, que facilitava a elevação do potencial nervoso, na solidão gelada de Gubbio. Como aqui está registrada, a visão me apareceu, em vinte etapas ou capítulos, nos imensos silêncios daquelas longas noites hibernais.

Qual explosão de pensamento e de paixão, este livro não poderia revelar-se a não ser à aproximação da Semana da Páscoa, após um longo e íntimo tormento preparatório. Sob a exposição fria e racional, que pretendeu, sobretudo, ser fiel às visões, oculta-se e arde essa paixão, a ânsia do inexplorado, o terror de debruçar-se sozinho sobre os abismos dos maiores mistérios, a imensa festa da alma pelo conhecimento obtido.

 No esforço aqui dispendido para galgar os últimos cimos, como coroamento da Obra, há como que uma vertiginosa desesperação da alma, que se sente perdida e desfeita diante do lampejo de uma concepção que não é sua, que dardeja sobre ela, ofuscando-a e arrebatando-a para os vértices do pensamento, onde tudo se faz uno, e para os vértices das sensações, onde alegria e dor se unificam num imenso espasmo de êxtase.

Este livro, que não é meu, apareceu assim como um relâmpago, para trazer a solução dos problemas últimos, em meio a uma humanidade descontrolada, delirante com os sofismas e os requintes da decadência, neste momento em que a História está procedendo à liquidação da velha civilização europeia.

A hora é apocalíptica, porque é a hora da justiça quando todas as almas e os valores da humanidade devem ser joeirados, de uma forma implacável, a fim de que tudo o que não seja vital se incinere.

Estamos asfixiados por montanhas de falsidades e a vida se rebela por que está faminta de verdade. E a verdade deve ser dita a qualquer custo, pois que o mundo em breve será sacudido pelos alicerces. Ela deve ser dita antecipadamente, de uma forma clara, simples e una.

Urge lançar a semente da ideia que deverá reger o novo mundo do terceiro milênio, aquele que ressurgirá da destruição do atual.

Este é o décimo volume desta Obra, que agora, depois de haver superado infinitos obstáculos, transborda pelo mundo e, de puro sistema de conceitos, está se transformando em vida. O milagre, predito com exatidão, ainda que proibido, torna-se realidade: o milagre consiste em que um homem sozinho, pobre, cruciado de dores, votado à renúncia e esmagado sob o peso de um árduo trabalho, consiga sobrepujar tudo isso e lançar uma ideia ao mundo.

É que, em geral, onde existe o que, humanamente, por inexplicável, se chama milagre, está Deus e, onde Deus está é possível chegar-se até aos fundamentos.

Há quarenta anos luto com esta certeza e os fatos de cada dia mais a confirmam. Em breve surgirão os volumes undécimo e duodécimo; – aqui já estão lançadas as suas bases . Desta maneira, uma obra completar-se-á pela trabalho penoso e íntimo de um homem, a fim de que o mundo possa, afinal, enxergar claro todos os problemas e, assim ser levado, unicamente pela via da razão e do utilitarismo, a uma vida mais honesta e justa e a fim de que a fé seja demonstrada, fazendo-se a paz entre ideias e homens.

Quis, por isso, interrogar, por meio de recente contato direto, os povos mais jovens das Américas; encontrei-os preparados para compreender melhor as nossas ideias do futuro do que a velha Europa. E, graças a isso, agora tampouco devemos preocupar-nos se a difusão destas ideias se faz aqui com mais lentidão e se as edições em italiano se vão tornando cada vez mais lentas, em face das dificuldades sempre crescente do ambiente.

Essas dificuldades locais não mais conseguirão conter a divulgação da Obra que se desenvolve no mundo. O importante é que tudo seja logo escrito e publicado, não importa onde. Outras gerações, depois, após outras provas, virão e compreenderão.

Gubbio, Páscoa de 1951.

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