Destaque

Estudos no CEU-MATÃO

cropped-pietro-ubaldi2.jpg

O CEU-MATÃO – Centro de Estudos Ubaldianos tem por finalidade o estudo e a divulgação das obras do professor Pietro Ubaldi.

O site está composto por várias categorias, representando o resumo do estudo dos livros:

1) A Descida dos Ideais

2) A Grande Síntese

3) A Lei de Deus

4) Deus e Universo

5) Grandes Mensagens

6) Princípios de uma Nova Ética

7) Pietro Ubaldi (dados do autor e materiais relevantes)

8) O Sistema

9) Ciência da Redenção

10) Queda e Salvação

11) A Grande Batalha

 

Clicando na categoria desejada, aparecerão todos os posts publicados sobre o livro, iniciando-se pela última publicação.

Ao final de cada publicação deixamos o endereço do e-book da obra referida.

Para os que estão iniciando o estudo das obras de Ubaldi, recomendamos iniciar pelo livro Grandes Mensagens, pois terão a oportunidade de conhecer as mensagens recebidas de “Sua Voz” e também a biografia do autor. Depois o livro A Lei de Deus e assim o caminho será palmilhado de acordo com o esforço de cada um.

Fazemos o convite, mas o caminhar terá que ser seu.

Outro detalhe do nosso site (www.ceumatao.com.br)  é possuir um cadastramento para seguir nossas publicações. Basta para isso realizar o preenchimento dos dados requeridos em “você está seguindo este blog”, no final da pagina.

Enfim, queridos amigos, espero que gostem da proposta de estudos do CEU-MATÃO.

Deixem seus comentários e sugestões para que possamos melhorar sempre.

Muita Paz a todos.

Adail e Denise Bottesini

 

adail@bottesini.com.br

A Ética Científica

queda-e-salva_ao-80_

A nova ética é teórica e prática ao mesmo tempo, no sentido que, enquanto ela se justifica até às suas primeiras origens porque as suas raízes se encontram nos princípios do S que regem a criação, tal ética se realiza até às suas últimas consequências práticas dentro do AS, em nossa vida de cada dia.

Ética completa porque vai do S ao AS, do absoluto de Deus ao relativo da criatura, e assim tudo abrange de um ao outro polo ao existir.

Ética universal porque contém todos os tempos, todos os planos de evolução, todas as éticas relativas; universal porque colocada no quadro geral do todo, desde as primeiras origens até atingir as últimas finalidades e a conclusão da obra de Deus.

Ética máxima porque na sua substância coincide com a Lei de Deus, e ao mesmo tempo mínima porque rege o universo até aos seus mínimos pormenores.

Ética que está acima de todas as divisões do relativo, é verdadeira para todos, acima de todos os partidos e religiões, independente da orientação e posição étnica, política, filosófica ou religiosa do sujeito. Ética verdadeira porque imparcial e positiva, não mais empírica concebida em função do homem, moral biológica, concebida em função das leis da vida, da evolução e do funcionamento orgânico do universo.

Ética à qual não se pode fugir, só pelo fato de ser descrente, cético ou ateu materialista. Não adianta negar, rebelar-se, pensar e agir com outra psicologia. A Lei continua funcionando igual para todos. Ela vence os vencedores do mundo, porque é mais poderosa e inteligente do que a força e a astúcia deles. Ela sabe se fazer compreender por todos, também pelo tipo involuído e ignorante, porque fala a linguagem da dor, linguagem que todo homem compreende, qualquer que seja a sua raça, nível social, crença ou forma mental. A cada erro segue automaticamente a dor corretora, pela qual cada um tem de se corrigir à sua custa. Trata-se de uma lei que está dentro da substância das coisas, sempre funcionando, que ninguém pode agredir e destruir, inatacável porque invisível, indestrutível porque inatingível. Ela constitui a essência do ser e este não a pode aniquilar, sem com isso ter de se aniquilar a si mesmo.

Trata-se de uma ética racional, que não se baseia no princípio de autoridade, mas na lógica e na demonstração das razões pelas quais é nossa vantagem obedecer. Sem mistérios são oferecidas as provas do motivo por que se afirma, porque temos de operar duma forma e não de outra, se explicam e justificam as consequências necessárias e inevitáveis de cada ato nosso.

Assim ela é também uma ética utilitária, porque impõe virtudes que levam ao bem e à felicidade de quem as pratica, deste modo não oprimindo, mas reconhecendo o direito à vida e à expansão.

Ela é uma ética objetiva, impessoal, que está acima dos instintos e forma mental da qual depende a ética comum, ética da própria vida e não só em função do homem e do momento histórico; não ética subjetiva, pessoal, relativa ao tempo e a quem a definiu para o seu uso, seguindo os seus gostos, os não controlados irracionais impulsos do subconsciente, seja do legislador, seja das massas, que para si estabelecem verdades pelo direito da maioria.

Chegamos assim, a uma ética cientificamente concebida em forma exata, não só racionalmente demonstrada e positivamente acertada e controlada, baseada na lógica dos fatos, mas geometricamente representável e matematicamente calculável, porque suscetível de expressão gráfica dos fenômenos da ética em forma de linhas e de campos de forças. Isto nos permite medir o valor quantitativo e qualitativo dos diferentes impulsos do ser, e das correspondentes reações da Lei, como também a extensão das superfícies dos campos de forças cobertos ou volume do dinamismo conquistado pela positividade ou negatividade na luta entre S e AS no caminho evolutivo ou involutivo.

A ética, assim, pode ser estudada como um momento vivo do grande fenômeno do dualismo universal, como um dinamismo de contínuos choques, isto é, ações e reações entre os dois termos opostos ( + e – ) do Todo, isto é: a Lei e o ser rebelde, o S e o AS. Ética sólida, como um teorema de geometria.

Esta é a ética que aqui oferecemos, a moral da qual o homem moderno precisa; ética séria, a única que os inteligentes, pela sua forma mental crítica e positiva, podem aceitar; moral prática, razoável, honesta, utilitária, que calcula com justiça e por isso convence, que dá o que promete e de tudo explica o porquê, a razão pela qual nos convém obedecer, e o bem que temos o direito de receber em troca do sacrifício que ela nos pede.

Ética evidente, onde tudo está claro, porque cada um pode calcular o efeito dos seus pensamentos e atos. Ética justa, que nos devolve o que lhe apresentamos, conforme o que merecemos, premiando os justos e golpeando os injustos com a dor e a desilusão. Elas se explicam como consequência lógica e automática do caminho errado, para a negatividade, que o ser toma quando desobedece à Lei. Tudo isto é implícito e fatal, pela própria estrutura de todo o fenômeno do universo.

Livro: Queda e Salvação

http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/QuedaeSalvacao.pdf

Faça seu comentário e participe de nosso grupo de estudos

A Ética Preventiva

queda-e-salva_ao-80_

Uma das características da ética deveria ser preventiva e não repressiva. É inútil chegar depois que o mal foi feito. Uma ética eficiente previne e evita o mal, impede que ele se realize, mais do que reprimi-lo depois com a punição. É o que acontece no S, onde a Lei estabelece qual tem de ser a ordem, os seres compreendendo e obedecendo, e o mal não se verificando. Estamos no terreno da positividade, onde não há lugar para nenhuma forma de negatividade: o mal e a sua punição e repressão. Aqui tudo está previsto e prevenido e naquela ordem a desordem não pode nascer.

Nós existimos nos antípodas, no AS, onde prevalecem princípios opostos. A mesma Lei de Deus irradia do S para o AS, aqui também presente, impulsionando para a sua ordem, mas o biótipo que aqui mora é um rebelde, que quer impor a sua vontade contra a da Lei e, apesar de ser à sua custa, pode fazê-lo, porque ele é livre. Estamos aqui no terreno da revolta, da desordem e da luta. Só o fato de que este é o tipo de ética vigorante em nosso mundo, constituiria uma prova bastante para demonstrar a teoria da queda.

Nós explicamos assim, porque a nossa ética não é filha da compreensão que espontaneamente evita o mal, mas é filha da luta; em vez de ser uma ética positiva, altruísta e educativa, cujo objetivo é realizar o bem, é uma ética negativa, egoísta e defensiva contra o prejuízo do grupo.

Vemos aqui revelarem-se os dois métodos opostos: o do S e o do AS. A nossa ética é também educativa mas na forma emborcada que revela a posição do rebelde do AS, isto é, educativa não a priori, mas a posteriori, deixa o mal acontecer e depois intervém para corrigi-lo. Em outras palavras: para respeitar a liberdade de um ser rebelde, lhe é permitido errar e depois endireitar o erro por intermédio da dor. E é lógico que no mundo do AS, emborcado na negatividade, não haja outro caminho para chegar ao bem, a não ser o da dura lição de sofrimento.

Os seres do S ficaram inteligentes como Deus os criou compreendem que é a sua vantagem permanecer na ordem em obediência à Lei. Os seres do AS com a queda se tornaram ignorantes, o que lhes deixa acreditar que é vantagem existir em posição emborcada na desordem do caos. Mas a Lei continua firme em sua vontade de ensinar, o que neste caso é ainda mais urgente porque se trata da salvação de criaturas extraviadas.

Como é possível ensinar a seres ignorantes, incapazes por isso de compreender onde está a sua vantagem e o seu bem? Como é possível ensinar-lhes senão por intermédio do sofrimento? É a única coisa que conseguem entender, porque aparece depois do erro, como sua consequência, para ensinar a não cometê-lo mais.

Eis a razão pela qual a ética humana é ética a posteriori e não a priori, como a lógica exigiria. Mas tratando-se de um S emborcado no AS, é lógico também que no AS vigore uma lógica emborcada no absurdo. Dada a sua posição o biótipo comum não pode aprender a regra certa da vida, senão pelo caminho do sofrimento. E é o que de fato acontece. Na lógica emborcada do AS, este absurdo é perfeitamente lógico. Explica-se assim a técnica da tentativa, vigorante em nosso mundo; técnica de cegos ignorantes.

A automática condenação para os cidadãos do AS está no fato de que eles não podem chegar à positividade a não ser pelo caminho de negatividade, isto é, à felicidade, senão pelo caminho do sofrimento. Assim o homem tem de aprender à força a ética da sua salvação, constrangido pela dor a seguir a vereda que o leva para a felicidade, que ao mesmo tempo representa o seu maior desejo. Eis em que estranho jogo de absurdos se emborca a lógica do S quando o ser cai de cabeça para baixo no AS, constrangido à força a atingir a realização do seu maior anseio: a felicidade, que o ser vai invocando e procurando desesperadamente, mas que a cegueira em que ele decaiu lhe impede de ver onde o seu alvo está situado!

Tudo é absurdo enquanto o ser usa a psicologia do AS, mas volta a ser lógico, tão logo seja visto e julgado com a psicologia do S. E de fato a dor corrige o erro, ensina e ilumina a consciência, destrói a ignorância e reconstrói a sabedoria, reabsorve a negatividade do AS e reconstitui a positividade do S. Eis a razão profunda dessa estrutura e técnica, a do erro e sofrimento, com a qual a Lei se realiza em nosso mundo; eis a lógica fatal dessa ética a posteriori, corretiva e não preventiva, como a vigorante em nosso mundo.

Tudo o que existe na Terra assume as qualidades do AS. É por isso que aqui vigora não uma ética interior, mas exterior, não de dentro para fora, porque o ponto de partida é o espírito do S, mas de fora para dentro, porque o ponto de partida é a matéria do AS. Não uma ética de substância, mas de forma, não regra de pensamento, mas de atos, não uma ética baseada nos princípios gerais que orientam nas grandes linhas, respeitando a liberdade de quem compreende, mas uma ética apoiada sobre particularidades materiais, amarrada aos pormenores farisaicos, constrangendo quem não merece liberdade, porque não sabe e não quer compreender.

O deslocamento do S para o AS tudo transformou.

Eis então que, enquanto no S, porque o ser é obediente, tudo é livre e espontâneo, no AS, porque o ser rebelde, tudo é constrangimento à obediência. Isto é o que a criatura gerou com a sua revolta. A Lei ficou inatingível, acima de toda revolta e o ser rebelde ficou preso dentro dela, nem pode fugir. Logo que ele se arrisca a fazê-lo, a tentativa gera a dor que o paralisa. Quanto mais ele procurar rebelar-se, tanto mais a dor o aperta, até que ele tem de desistir.

De fato quem vai chocar-se com as reações da Lei? São os indisciplinados. Para os que obedecem e a seguem ordenadamente, a Lei não reage. Ela então fala somente da bondade de Deus. Para quem quer ficar dentro da ordem, tudo corre bem. São os desordenados que recebem de volta o choque que eles pretendiam lançar contra a ordem. A Lei não agride a ninguém, mas quer ficar íntegra, de pé, e responde com a mesma agressividade, de quando a sua ordem for agredida por uma vontade de desordem.

Livro: Queda e Salvação

http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/QuedaeSalvacao.pdf

Faça seu comentário e participe de nosso grupo de estudos

 

O Caminho da Evolução Universal

queda-e-salva_ao-80_

Tudo se vai transformando com a evolução. Quanto mais o ser sobe na escala evolutiva, tanto mais o determinismo se abranda e suaviza, tende a desaparecer, reabsorvido na liberdade que sempre mais se amplia, se expande e prevalece, à medida que o ser se avizinha do seu estado de origem. A planta se liberta mais do que o mineral, o animal mais do que a planta, o homem mais do que o animal, independência e amplitude de movimento cada vez maior, da água dos mares à superfície da Terra, á atmosfera com o voo, e agora no mundo planetário.

O homem possui uma vastidão de escolha que os animais regidos pelo instinto não conhecem, mas isto só na sua parte mais adiantada, a espiritual, enquanto nele sobrevivem os determinismos, que ele tem de aceitar, dos mundos inferiores (estrutura atômica e molecular na parte mineral, o metabolismo no nível vegetal, os instintos no nível animal).

A grande liberdade começa a aparecer só em cima no espírito, gradativamente, em proporção ao desenvolvimento deste, tanto mais quanto mais o ser se aproxima do S. Como a nossa ética e mais adiantada que a das feras, assim a do homem de amanhã será mais adiantada que a do homem de hoje, que as gerações futuras julgarão selvagem, como nós julgamos os nossos antepassados das épocas primárias.

Quanto mais o ser sobe, tanto mais ele se torna consciente e com isso cada vez menos compulsoriamente e mais livremente obediente à Lei. Assim se vai transformando essa ética universal do seu ponto mais baixo no AS, até ao seu ponto mais alto no S. Não é estranha essa maneira de conceber a ética, porque tudo o que existe está fundido em Deus numa só Lei unitária.

Chegamos assim ao conceito duma ética cósmica, em que se revela a presença universal da Lei de Deus, ética que nos seus níveis diferentes sustenta, em todos os seus andares, o edifício do ser, regulando a existência e dirigindo a evolução para reorganizar o caos na ordem. Ela representa a assistência contínua de Deus, no Seu aspecto imanente, ao lado e em favor do ser para que ele siga o caminho fatal de sua salvação.

Ética viva, inteligente, sempre em ação. Ela dirige o contínuo transformismo do relativo, operando pouco a pouco, tudo disciplinando, para reconduzir o caos ao estado orgânico do S, onde tudo estava na devida ordem. Se a revolta tudo deslocou na desordem, é por esse caminho que tudo vai voltando àquela ordem. Os egocentrismos separados, filhos da revelia, têm de fundir-se para colaborar em unidades coletivas sempre maiores até reconstruir a organicidade do Todo, voltando ao S.

Ética estupenda que desce do infinito e do absoluto. Ela expressa a suprema vontade de ordem contida na Lei de Deus. Ética global, presente em todos os níveis da evolução, em formas diferentes, cada uma adaptada à posição de cada ser. Temos assim diversas formas de manifestação da ética: atômica, molecular, celular, dos grupos celulares reunidos em tecidos, de cada órgão, para cada organismo no seu conjunto, do sistema nervoso e cerebral, dos sentidos, psíquica, espiritual, reguladora da ordem de uma determinada unidade. Assim todos os seres, caminhando na grande marcha da evolução, são orientados para um objetivo único, e embora adaptando-se às exigências de cada caso particular do relativo a Lei, dirigindo-os todos por um mesmo princípio, os leva para a unidade.

Agora na Terra está nascendo a nova ética social, internacional, mundial, que terá de reger em unidade o novo organismo coletivo da humanidade. Se a ética do homem primitivo do passado teve de basear-se no princípio da seleção do mais forte, que leva à agressividade e à luta, e se ao ter usado essa ética o homem atual deve o fato de ser o vencedor, dono do planeta, eis que hoje os objetivos que a vida tem de atingir são diferentes e por isso tem de mudar a ética que dirige a conduta do homem.

Assim apareceu a civilização com as suas leis civis e religiosas, e com isso uma nova ética, pela qual furtar e matar, que no mundo selvagem eram virtudes do mais forte, são pelo menos em alguns casos oficialmente reconhecidos como culpa e crime. Isto porque a humanidade começou a encaminhar-se para o estado coletivo social orgânico o da convivência pacífica na colaboração. A humanidade, sem dúvida, está atingindo um novo plano de existência, com a mudança das regras que a dirigem: ética diferente, porque tem de atingir finalidades mais adiantadas, sendo necessário conquistar outras qualidades com outras normas de conduta. Eis por que o Evangelho que as representa não tem somente um significado religioso, mas também social e biológico.

Está sendo construída hoje a nova unidade coletiva constituída pelo estado orgânico da sociedade humana, fato que requer uma nova ordem e uma nova disciplina de cada indivíduo em função do interesse comum: conceitos antes desconhecidos e contraproducentes, hoje úteis e que por isso se valorizam, virtudes novas, mais adiantadas e inteligentes, que tomam o lugar das velhas, da força individual, desorganizada e destruidora, velhas virtudes superadas, socialmente negativas e criminosas, inadmissíveis nas novas condições de vida Ética diferente, em função de outras finalidades a atingir, porque a vida nunca para no seu trabalho de construção e agora quer levantar um outro andar do seu edifício e levar o homem para um mais alto plano de existência regido por leis diferentes, que têm de sobrepor-se ao passado, até apagá-lo.

Assim o método da luta entre egoísmos separados se tornará cada vez mais antivital e por isso condenado e repelido como desordem perigosa dentro da harmonia da nova ordem, dentro da qual é vantagem e interesse de todos ficar unidos em colaboração. A evolução progride pelo caminho da organização em unidades coletivas, cada vez mais vastas e complexas, dos seus elementos. O ponto final desse caminho é o estado orgânico completo do S, que abrange em unidade fundida em Deus todos os seres do universo.

O período da descida foi uma queda no separatismo, ou pulverização da unidade do S, num caos desordenado de elementos, no AS. O atual período de subida é representado por um inverso processo de reunião e fusão dos elementos separados, no originário estado orgânico do S. A humanidade não pôde deixar o caminho da evolução universal e agora tem de galgar um novo degrau em sua escada ascensional.

O Evangelho é exatamente a lei do “ama o teu próximo”, isto é, da convivência pacífica, da colaboração, do altruísmo que funde os egocentrismos rivais até agora em luta. O biótipo, modelo da raça, julgado o melhor, será quem tiver perdido as qualidades desagregantes do involuído egoísta de hoje, as virtudes da fera, substituindo-as pelas do homem civilizado.

É para explicar esse fenômeno e orientar o homem neste sentido, obedecendo às leis da vida, que a evolução está amadurecendo os novos destinos da humanidade. Tudo está pronto para se realizar, e se realizará esse novo destino, logo que a inteligência humana se desenvolver bastante para chegar a compreender.

Livro: Queda e Salvação

http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/QuedaeSalvacao.pdf

Faça seu comentário e participe de nosso grupo de estudos

Evangelho: Uma Lei Biológica 

queda-e-salva_ao-80_

Eis o conteúdo deste novo tipo de ética, onde é possível  contrapor uma concepção diferente da vida, em que o jogo contra a Lei é um absurdo anti-utilitário, perigoso e contraproducente. Finalmente um lugar onde há justiça, onde é possível ser sincero e honesto sem ter de pagar caro por isso.

Finalmente alguém em que se pode confiar e colaborar com amizade, um amigo que ajuda e não um todo-poderoso que vive só para si, contra o qual teríamos que nos defender. Finalmente um Deus inteligente, não apegado à forma, mas que compreende a substância, que vive ao nosso lado, luta e sofre conosco, que com justiça imparcial é vencedor absoluto dos maus onde quer que eles estejam, sem favorecer grupo algum para condenar todos os demais. Caem assim as barreiras interesseiras humanas: cada um é julgado não pela sua posição terrena, mas segundo o que ele é e merece, e os maus ficam maus e pagam, e os bons ficam bons e recebem, qualquer que seja a sua nação, grupo, partido ou religião.

Deus não é chefe desta ou daquela hierarquia religiosa, por ela monopolizado, armado contra os deuses de todas as outras religiões. Ele é universal, abraça todos, sem preferências e exclusividades; usa a Sua Lei e medida igual para todos e não uma para um grupo e outro para os demais. Sua justiça está acima de todas as injustiças humanas, é universal e não particular; é amiga de todos os justos e não somente dos seguidores de um dado grupo, considerados bons, e inimiga dos seguidores de outros grupos, somente por isso considerados maus. Acabe-se com essa psicologia animal de vencedor e vencido, pela qual tudo o que o primeiro faz está certo, e o que o derrotado faz está errado!

Encontramos nessa ética uma verdade firme, positiva, acima da luta, dos poderes e dos enganados do mundo. Ninguém lhe escapa. Não adianta possuir comando de grande chefe, recursos econômicos, força bélica ou política, nem ser massa de povo que, representando à maioria, faz o que quer. Não há como fugir. As nações têm de pagar como os indivíduos.

Ninguém pode fazer o mal impunemente. A Lei é um torno de ferro que nos prende a todos, nos aperta dentro do canal das consequências das nossas ações, ao longo da linha dos efeitos que têm de amadurecer, sem distância de espaço ou de tempo que os possa parar. Cada um tem de colher o fruto do que semeou. Têm de pagar os grandes e os pequenos homens de todos os partidos ou religiões. É a derrota dos espertalhões do mundo, contra os quais se levanta a lei do merecimento.

O mundo quer outras verdades, em função dos seus interesses. Mas aqui encontramos uma verdade mais profunda que ninguém pode abalar.

Eis a ética por nós sustentada. Ela representa uma revolta à revolta, uma reação contra o AS, para voltar ao S. Isto significa trabalho de retificação para chegar à salvação.

Procuramos aplicar à ética o método positivo da lógica, para convencer os que sabem pensar, oferecendo um produto de razão iluminada e não dos instintos do subconsciente.

Estamos percorrendo o caminho da reconstrução. Com a revolta, o “eu” da criatura (menor), que no S existia em função de Deus (maior), quis realizar o absurdo que Deus (maior) existisse em função do “eu” da criatura (menor). Esse absurdo, isto é, que o maior possa existir em função do menor, constitui o ponto fraco do AS, o que nos garante a vitória final do S.

Essa nova ética não é novo invento, porque, na substância, não é senão a do Evangelho. É, porém, um Evangelho racionalmente demonstrado, compreendido na sua lógica férrea e profunda, e sobretudo tomado a sério para ser vivido e não somente pregado. E é lógico que o Evangelho se encontra na linha que vai para o S. Esta ética não pode então deixar de repeti-lo. Ele, porém, aqui adquire outro sentido e importância. Ele se universaliza, sai dos limites de uma religião e se torna lei biológica, psicológica social, entrando no terreno positivo da ciência, que não poderá mais como até agora, afastar o problema com o seu agnosticismo.

Assim entendida, a doutrina de Cristo não é somente produto histórico, fruto de uma casta sacerdotal, bastando pertencer a outra religião ou ser ateu para não ter mais valor; ela é fruto vivo da vida em evolução, fenômeno sempre presente e atual. O Evangelho expressa uma lei biológica que terá fatalmente que se realizar no futuro. Trata-se de princípios universais, em que neles, acima de tudo, o homem pode acreditar, pensar e realizar-se. São princípios que permanecem independentes de sua aceitação e que ninguém pode alterar ou destruir.

A ética do mundo é relativa e progressiva e, no seu estado atual, representa apenas um nível de vida ou degrau da escada de subida que do AS vai para o S. Assim se deslocam as nossas concepções comuns da ética. Ela se torna um momento do fenômeno do transformismo universal.

É assim que cada plano de vida tem a sua ética diferente. As feras têm a sua ética que não é a do homem. Este tem a sua ética que não é a do super-homem. Dessa forma, desde os mais baixos níveis que se abismam no AS até aos mais altos que se levantam para o S, a ética, concebida no sentido mais vasto, de ordem e regra que dirige a vida do ser, se vai transformando, assumindo qualidades diferentes conforme a sua posição mais atrasada ou adiantada ao longo do caminho da subida, ou regresso do universo decaído para Deus.

Eis então que vemos a ética tornar-se tanto mais determinística e compulsória quanto mais o ser que ela rege se encontra em baixo, perto do AS; e tanto mais livre e convicta, quanto mais o ser que ela rege se encontra no alto, perto do S. Fenômeno que tem a sua lógica e razão profunda.

Não foi Deus quem tirou a liberdade do ser, quando este involuiu pela revolta, mas foi o próprio impulso do ser que tudo emborcou; por ter iniciado um caminho às avessas, não pôde deixar de tudo emborcar, inclusive a sua liberdade na escravidão do determinismo, que é o seu oposto.

 A vontade do ser rebelde era de destruir a Lei para se lhe substituir, mas ela estava acima de toda tentativa de destruição. Aconteceu então que o ser conseguiu só emborcar a sua posição dentro da Lei e relativamente a sua liberdade. Todavia a Lei ficou de pé, mas para o ser não se conservou a forma livre do S, e sim na forma compulsória do AS. Tanto mais o fenômeno ocorreu, quanto mais o ser se aprofundou no AS. Eis a lógica e a razão desse fenômeno.

Tornou-se assim constrangimento á força o que antes era livre aceitação. O ser pôde transformar a ordem em caos no AS, mas além deste a ordem ficou íntegra para lhe impor o regresso do caos à ordem, deterministicamente, impondo ao rebelde louco a sua salvação.

Não se pode admitir o absurdo de um Deus vencido pela Sua criatura, a parte ser mais poderosa do que o todo, uma revolução que pudesse sobrepor-se a Lei e destruir a obra de Deus. Esse fenômeno se explica também como o fato de que com a queda e involução a linha da livre expansão do ser se foi sempre mais curvando sobre si mesma, o seu dinamismo se foi contraindo numa cinética sempre mais apertada em si mesma, até atingir a forma de movimento fechado nas trajetórias do átomo. Os seus elementos não podem sair delas, escravos completos das leis da matéria.

Esta é a ética da queda, obediência forçada no AS, nos antípodas da obediência livre dos espíritos no S. Os cristais têm de orientar as suas moléculas e moldar as suas formas conforme modelos exatamente pré-estabelecidos. No mundo inferior da matéria não se concebe desobediência. Ninguém pode desobedecer à Lei, isto é, a Deus. A obediência se realiza sempre: no AS como no S, mas no AS às avessas, sem liberdade. Assim o resultado automático da revolta foi para o ser ficar aprisionado no determinismo. No homem, que está subindo ao longo do caminho da evolução, há liberdade, mas limitada e logo que cometer erros, serão sempre corrigidos à força pela dor. Permanece a regra geral: perde-se toda a vantagem, logo que se fizer mau uso dela. Quem quer emborcar, acaba emborcando. A violação da Lei gera dor.

Livro: Queda e Salvação

http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/QuedaeSalvacao.pdf

Faça seu comentário e participe de nosso grupo de estudos

 

A Ética do Sistema

queda-e-salva_ao-80_

Descortina-se então um mundo novo, que a Terra não conhece e onde tudo é claro, justo e bom, duma sabedoria e duma beleza indescritíveis. Aparece então todo o absurdo da corrente concepção de Deus, pela qual não se pode chegar à obediência a não ser pelo caminho do terror, como exigem os selvagens, enquanto, pelo contrário, é vantagem e festa tornar-se, mesmo que seja em medida mínima, conforme as próprias forças, operários colaboradores de Deus na grande obra da evolução redentora da criatura decaída.

Se o homem concebe tudo às avessas, isto é devido ao fato de que ele está situado no AS. E a sua posição de emborcado que o leva a imaginar um Deus emborcado, que domina à força, que faz mau uso do Seu poder, nos atormentando com punições dolorosas, enquanto a causa dos nossos sofrimentos não é Deus nem a Lei Dele, mas a nossa desordem e desobediência a Ele e à Sua Lei. Deus não pune. Somos nós que nos punimos a nós mesmos.

Somente nós que estamos no AS podemos fazer alguma coisa de negativo, que vai contra a vida e a nossa felicidade. Representa o maior absurdo acreditar que alguma coisa desse gênero possa sair das mãos de Deus, que existe no S, representando o centro de toda a positividade.

Mas quem está situado no AS não pode conceber tudo o que se encontra perfeitamente lógico no S, senão emborcado no absurdo de que está feito o AS. Tal é a lógica do AS, a lógica do absurdo. Eis a ética atual e as suas bases psicológicas.

O tipo de ética que aqui explicamos é diferente. Nela não há lugar para enganos. Encontramos finalmente uma ética sem escapatórias. Ela é sincera, evidente, claramente demonstrada. Nela funciona em toda a hora e lugar, automática e infalível, a justiça de um Deus, que não é fruto pequenino da forma mental do homem, mas está bem acima de nosso mundo, porque junto de Sua bondade.

Deus é tão inteligente que não há astúcia humana que O possa enganar. Embora o primeiro desejo do homem seja o de aproveitar-se da bondade alheia, porque a julga fraqueza, Deus tudo isto previu e arrumou as coisas de maneira tão justa e perfeita, que Ele pode continuar infinitamente bom, sem que por isso seja possível aos seres inferiores explorar esta Sua bondade. Pelo contrário, como estamos demonstrando neste livro, substancialmente vigora uma lei de justiça, soberana e absoluta, pela qual tudo volta à fonte que o gerou e quem faz o mal o faz a si mesmo.

Quem entendeu a lógica e a técnica desse fenômeno sabe uma grande verdade que o mundo não conhece, ignorância que lhe custa caro, isto é, que fazer o mal nunca pode levar à própria vantagem, mas só ao próprio dano; sabe que querer ser astuto para lograr a Deus, significa só querer ser astuto para enganar a si mesmo. Perante tal sabedoria da Lei as armas humanas da força e da astúcia não têm poder algum.

 Finalmente a Lei corta as garras da fera e a justiça triunfa. Os inferiores podem gerar o inferno só para si. Que Deus se possa enganar é um absurdo em que só o involuído na sua ignorância pode acreditar. O que de fato vigora na substância é a lei do merecimento. Isto quer dizer o triunfo da sinceridade, bondade e honestidade, qualidades hoje tão desvalorizadas em nosso mundo que, seguindo a Lei do mais forte, as considera quase imperdoáveis fraquezas de doentes. Este é um Deus em que se pode confiar porque dá prova de ser de fato invencível, mais inteligente, cuja Lei não pode ser torcida: pode-se acreditar Nele e segui-Lo porque Ele sabe garantir a vida a quem segue a Sua Lei, que o inundo julga loucura; pode-se segui-Lo em segurança porque Ele é inviolável justiça que tudo retribui segundo o merecimento.

É interessante observar a técnica dessa luta em que, contra a força e a astúcia do homem, vence a sabedoria e a justiça de Deus. O ponto fraco do método do homem é a sua posição emborcada de cidadão do AS. Ele é forte e astuto, mas o seu egocentrismo separatista o expulsa do terreno do S, que é o do conhecimento, e o deixa isolado na sua ignorância. E no fundo dessa sua ignorância ele continua acreditando saber tudo. A revolta, filha do egocentrismo, significa orgulho; e o orgulho tira a visão. Mas, apesar de cego, o homem se julga bem apto a dirigir-se. Isto o faz um alucinado que acredita nas ilusões do mundo, nas miragens criadas pelos seus desejos, pronto a cair em todas as armadilhas de que o seu ambiente terreno está cheio.

É o exagerado crescimento do “eu”, é o orgulho deixando-o acreditar que bastam a força e a astúcia individual para vencer, sem levar em conta o fator merecimento. Mas só este pode constituir os alicerces firmes da construção de nosso destino e posição na vida, porque só o merecimento representa o verdadeiro valor. Apoiando-se sobre estas bases certas, respeitando os princípios de equilíbrio e ordem da Lei, qualquer posição pode resistir, porque é real e não arrancada com a força ou fingindo fruto de mentira.

Sabemos que esta ética não pode satisfazer os fortes e os astutos do mundo, ser compreendida e aceita por eles, mas somente pelos maduros que a merecem. Nada se pode ganhar de graça e os que não fizeram o esforço necessário para subir, têm de ficar em sua ignorância, com erros e sofrimentos, até ter aprendido toda a lição. Seria fácil demais resolver o problema da evolução e da salvação só porque alguém nos explicou o método com palavras. Os mestres ensinam, mas nós mesmos temos de fazer o trabalho de nosso amadurecimento, temos de aprender à nossa custa pagando as consequências dos erros para não cometê-los mais. É assim que os fortes e os astutos ficam surdos aos conselhos, e, acreditando saber tudo, não querem abrir os olhos para ver e, como é justo, ficam imersos no inferno que merecem.

Acontece então que todos encontram no mesmo ambiente terreno as mesmas oportunidades e os mesmos perigos, mas cada um escolhe segundo o seu tipo, assim revelando a sua natureza e acolhendo as consequências que merece. É lógico que quem entendeu o jogo das ilusões da vida não cai mais nelas. É justo que quem tem cobiça seja por ela atraído e caia nos perigos e que os que não têm cobiça os evitem, porque isto é o que cada um merece e porque é bom que quem não sabe, aprenda.

Assim quem ainda não subiu tem de subir. Quanto mais o ser se encontra atrasado em baixo na escala evolutiva, tanto mais para ele a lei é a força. Mas quanto mais ele progride, tanto mais esta se transforma em justiça. Assim à lei do “eu” separado e rebelde, se substitui a lei do “eu” organizado e disciplinado. A primeira é a dura lei do AS, a segunda é a do S. Tudo isto também é lógico e justo, e corresponde ao merecimento. Para quem com o seu esforço subiu, acima de todas as prepotências humanas funciona uma lei de justiça, que ninguém pode torcer ou enganar. Se o passado e o presente pertencem ao mal, por lei de evolução o futuro pertence ao bem, que não pode deixar de ser o vencedor final. Das profundidades da vida responde uma voz que satisfaz a procura desesperada dos honestos em busca de justiça. Esta voz nos diz que há para todos uma lei de justiça à qual ninguém pode escapar, torcendo-a ou enganando-a.

Livro: Queda e Salvação

http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/QuedaeSalvacao.pdf

Faça seu comentário e participe de nosso grupo de estudos

A Nova Ética Racional

queda-e-salva_ao-80_

Neste livro, Queda e Salvação, podemos explicar como estamos no momento presente, chegando a este ponto final de nosso caminho, da sua ética, falando da conduta humana, do erro e da dor, da Lei e da redenção.

O caminho é da ética racional, justificada pelo fato de que, por lógica dedução, ela desce dos princípios absolutos de Deus e da Sua primeira criação. É o caminho pelo qual Deus vai progressivamente sempre mais se aproximando de nós. Esta ética é a etapa final, o ponto de chegada deste caminho, é o momento em que Deus aparece entre nós vivo na Sua Lei, para nos salvar, dirigindo-nos e impulsionando-nos para o S. É assim que da teoria da queda chegamos à demonstração desta nova ética racional, que constitui o objetivo deste livro.

A ética hoje vigorante em nosso mundo, e as regras de vida que de fato o homem para si estabelece, não são produtos nem da lógica nem do conhecimento, mas são desabafo de instintos, produto do subconsciente. O ponto de partida desta ética é a fera, o seu ponto de referência é a animalidade. Pelo próprio fato de que a ética ensina a superação do nível biológico da fera, com isso ela reconhece e prova que o homem pertence a esse plano de vida.

Quando os mandamentos dizem: “não matarás”, com isso significam que o desejo do homem é o de matar, e quem quer agir assim é fera. Tanto isto é verdade, que o homem, apesar de todas as leis e sanções penais e religiosas, continua matando.

A ética representa uma tentativa de regular, disciplinar, apagar esses instintos, que demonstram o seu conteúdo fundamental.

As grandes massas humanas vivem nesse nível. Estes instintos encontram-se momentaneamente adormecidos, pois estão sempre prontos a reaparecer, como vimos nas últimas duas guerras, e também fora do terreno bélico, como cada dia vemos na delinquência.

E o que constitui as verdades que vigoram na prática, é a da maioria a cuja vontade os chefes mais iluminados têm de adaptar-se se querem ser obedecidos, caso eles não sejam da mesma raça e não possuam os mesmos instintos. Infelizmente o homem não é de forma alguma civilizado. Se ele assim se considera, é por orgulho. A civilização é apenas um verniz colocado na superfície, pintado por fora. Nos fatos o homem vive a lei a sua animalidade.

Isto não quer dizer que não exista na Terra uma ética superior. Mas ela não é produto do homem, desceu do Alto por revelação, ditada a seres superiores excepcionais que nô-la ensinaram. Mas esta é a ética oficial, a que está nos livros e nas leis, a que se prega, não a que se pratica. Ela representa uma tentativa para civilizar o animal humano.

É a esse convite e ajuda do Alto para se melhorar e subir, que os instintos inferiores gravados no subconsciente responderam com o método dos rebeldes do AS, lutando para eximir-se do esforço evolutivo, para se evadir desse jugo e libertar-se desse constrangimento. Os seres inferiores, ainda criaturas de AS, apegados à sua forma mental de rebeldes, procuraram, pelo contrário, aprender a arte de esquivar-se da disciplina.

Da escola da ética saiu uma contra-escola às avessas, a da sabedoria dos emborcamentos, própria do AS, a da sabedoria das adaptações, sagacidades, astúcias e escapatórias. Seguindo o instinto fundamental que é o do egocentrismo, ao invés de praticar as virtudes para se melhorar, a ética se emborcou na procura e na perseguição dos defeitos do próximo. Assim o homem conseguiu emborcar a lógica do S, na do AS.

Infelizmente o maior trabalho de todas as formas de cristianismo na Terra, isto é, dos seguidores de Cristo, em última análise se transforma, em grande parte, na arte de enganá-Lo, logrando a Deus por achar que aprendeu a evadir das Suas leis e respectivas sanções. Como verdadeiro cidadão do AS, o homem preferiu colocar-se na posição de luta contra a Lei do S, não para se transformar conforme os seus ditames mas para torcê-la, adaptando-a aos seus instintos inferiores. Assim a sabedoria dos deveres se tornou, nas mãos do homem, a sabedoria das escapatórias.

O homem acabou criando para si um Deus à sua imagem e semelhança, conforme a sua forma mental e instintos. Tudo isto foi trabalho despercebido, fruto de instintos, feito sem querer, nem saber, sem má fé, trabalho realizado no passado quando o controle positivo das ciências psicológicas que analisam esses fenômenos era desconhecido; trabalho profundo do subconsciente das massas, do qual as próprias Igrejas fazem parte, porque elas no seu conjunto não podem ser constituídas por biótipos diferentes do comum.

O homem criou para si, apesar das revelações das religiões, uma ideia absurda de Deus, vigorante na prática, produto da forma mental do homem, a única que ele sabe compreender porque corresponde aos seus instintos. A lei dele é a luta pela vida, que impõe a necessidade de vencer se quiser sobreviver. Donde o instinto fundamental do homem de se afirmar contra todos. Eis então que o Deus concebido pelo homem, para ser obedecido, tem de ser antes de tudo o mais forte, o todo-poderoso no sentido humano de arbítrio, embora se contradizendo, impondo com o milagre uma correção à Sua própria Lei, efeito do capricho duma vontade desordenada inadmissível na perfeita organicidade do universo.

Este Deus pode operar graças à vontade, fora da lógica e dos justos equilíbrios do merecimento. Ele é respeitado não pela Sua inteligência, justiça e bondade, mas porque está armado de punições infernais eternas. Isto revela o homem primitivo que não raciocina, não age por convencimento porque compreendeu, mas só pelo terror do seu prejuízo. Este homem não pode ser dirigido pelos caminhos duma inteligência que ele ainda não desenvolveu, mas só pelo temor do mais forte: temor que gera o desejo de escapar à força de Deus. Eis então que Ele se tornou um pobre ser, enganável com astúcias, susceptível de ser amansado com sacrifícios, ofertas e preces.

Ninguém pode sair da sua forma mental e conceber mais do que a sua ignorância permite. Se a psicologia do homem é a de subjugar o fraco e enganar o simplório, e se não possui outro cérebro senão este, como pode ele compreender que Deus está completamente acima desta forma mental?

Outro Deus representa para ele um inconcebível. De tal cérebro humano, filho das necessidades da vida material e feito para resolver os problemas desta, não podia sair outra concepção a não ser esta. O homem comum pensa: quem é o mais forte seja também o mais perigoso, porque a experiência com a qual ele construiu a sua forma mental lhe ensina que quem tem o poder nas mãos costuma fazer dele um uso egoísta, só para a sua vantagem e o dano dos outros. Os chefes que o homem conhece na Terra são, na maioria dos casos, dominadores que escravizam e exploram os seus súditos. Os cidadãos, por experiência milenária, consideram os governantes como patrões, seus naturais inimigos, como o é cada dono para o seu criado. Então é dever defender-se, é mérito e valor usar a inteligência não para obedecer, mas para torcer tais leis inimigas, a elas escapando com a astúcia. Eis o que está no cérebro do involuído.

Mas logo que se desenvolver um pouco a inteligência, aparece o absurdo de tudo isto. Deus não é de maneira nenhuma um chefe desse tipo, Ele não domina para escravizar e explorar as Suas criaturas, as Suas leis são sábias, e benfazejas, obedecer a elas não é dano, mas vantagem. Tal Deus é muito inteligente, justo e bom. Pode-se falar com Ele, porque sabe bem compreender, e o homem honesto nada tem o que temer Dele.

Ele não está morando nos céus qual soberano no meio da Sua corte, olhando de longe para o nosso inferno selvagem só para receber na Sua glória egoísta as nossas humildes homenagens. Mas Ele está sempre presente, vivo entre nós operando ao nosso lado, tomando parte na vida e nas dores dos Seus filhos; não precisa de ministros e intermediários hierárquicos para nos comunicarmos com Ele, e quando falarmos de coração aberto e tivermos o ouvido bastante sensibilizado para ouvir a Sua voz profunda, Ele responde, dizendo-nos coisas maravilhosas, bem diferentes das que dizem os homens.

Livro: Queda e Salvação

http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/QuedaeSalvacao.pdf

Faça seu comentário e participe de nosso grupo de estudos

 

Filho da Luta

CAPA-CIENCIA-E-REDENCAO

Irmão, deixa teu nicho de sombras, onde lamentas o passado de dores que viveste. O sol da esperança  tornará a raiar anunciando o Reino de Deus nas estradas do porvir.

Ergue-te e caminha. Não podes deter-te.

Deixaste a Casa do Pai, onde te plenificavam as virtudes que o Senhor por bondade doou-te.

Malbaratando-as, tornaste-te um poço de incontidos desejos, pois anseias ardorosamente por reconquistar os bens perdidos, dos quais te sentes genuíno herdeiro.

No desterro do exílio, fizeste-te um peregrino da vida e não encontras repouso. Sois feito para caminhar.

Estacionar no ócio ou na apatia é para ti a própria morte.

Estafaste tuas forças na grande batalha da vida e na conquista de habilidades que já não mais te servem à caminhada evolutiva. Com a alma em penúria, e os alforjes da consciência vazios de divícias eternas, lamentas agora tanto esforço na aquisição de valores efêmeros. Enfim, amontoando desilusões, compreendes então que todo atributo erigido em bases ególatras, nas areias do Relativismo, não pode resistir à onda do tempo, que tudo desfaz em seu inesgotável pulsar.

Urge, irmão, corrigires os desvios do desejo. Não te demores no prélio em defesa dos interesses do ego inferior. Abandona as armas da perfídia e atira-te na conquista dos tesouros imorredouros do amor e da sabedoria, aqueles que os ladrões da decepção não alcançam sufocar, a traça do arrependimento não faz soçobrar e a ferrugem do tédio não pode consumir.

Cria não na efemeridade das formas exteriores, mas edifica no espírito construções imperecíveis que detenham o sabor de eternidade. E cuida de alicerçá-las nos tirantes da sabedoria, nas vigas da beleza, nos traços da harmonia e nas rijas colunas do verdadeiro bem, para que vençam as procelas do tempo e sirvam-se ao soerguimento da perfeição em ti mesmo.

Deixa à margem do caminho o pesado fardo do pretérito, que já não te serve à ascese redentora e atira-te na reconquista do relicário celeste que dilapidaste. Lembra-te, nosso Pai aguarda-te na alvorada do porvir, ansioso por conferir-te a inesgotável abundância de todos os bens.

Sufoca, irmão, a inferioridade em que te comprazes, e segue mirando o futuro majestoso que te aguarda na cascata dos séculos. Desperta para o amor. Aspira ao verdadeiro amor. Vive intensamente o amor, se almejas aportar nas magnitudes divinas. Enfim, irmão, exalta a glória de Deus nas alturas celestiais e implanta, com boa vontade, a paz na Terra!

 

Saltos Evolutivos

CAPA-CIENCIA-E-REDENCAO

No superconsciente encontra-se ainda o repositório de soluções para todos os problemas que afligem o ser em sua longa excursão ascensional. Ele está pleno de recursos criativos que dotam o espírito de órgãos sempre mais apropriados ao desenvolvimento das habilidades adormecidas em seus refolhos, aguardando oportunidades para se realizarem nas variegadas dimensões da evolução. Por isso, a evolução não tateia possibilidades, apresentam-nas, porém, já prontas para os grandes desafios que a vida a todos impõe. Evoluir, portanto, nada mais é que mergulhar nas possibilidades de um futuro que já está devidamente preparado, esboçado nos painéis interiores do ser eterno.

Embora dadivosa, a providência divina, responsável pelas aquisições do futuro, não as oferta gratuitamente ao ser, mas exige-lhe o empenho em sua posse, para então brindá-lo com a merecida conquista.

Por isso, o esforço próprio é condição prioritária e indispensável ao labor evolutivo.

O fato, no entanto, leva-nos a considerar que a evolução caminha, na verdade, aos grandes saltos e não por gradual progressão, como entenderam muitos de seus estudiosos. O gradualismo evolutivo existe apenas nos reduzidos limites da necessária adaptação às condições do ambiente. Para ir adiante, no entanto, não basta a adaptação gradual, faz-se preciso ultrapassar as fronteiras das possibilidades, empreendendo verdadeiros saltos evolutivos.

Acenando como um convite aos audaciosos, esses saltos evolutivos acham-se já patenteados nos limiares do superconsciente, o qual intimamente conduz o progresso. Basta o empenho do ser na aquisição de melhorias para que as conquiste como sua merecida vitória. A sabedoria da vida, patente na evolução, atira-se em auxílio a estes que avançam, predispondo-os à inteligente construção de novos e revolucionários modelos que os dotarão de melhores recursos para a superação de seus desafios. Desse modo é que surgem paulatinamente na evolução novas espécies, as quais já comparecem na arena da vida com diferenciados órgãos mais bem preparados para o desempenho de novas funções, demonstrando-se a presença de patente sabedoria em suas complexas elaborações.

Eis por que não há registros fósseis perfeitamente intermediários às diversas espécies delineadas na esteira do desenvolvimento. Os famosos elos perdidos não existiram de fato, pois os seres que vão à frente já se apresentam na liça carnal com soluções definitivas e devidamente preparadas para a superação dos obstáculos naturais que a vida lhes impõe. As tão propaladas mutações biológicas são movimentos completos e perfeitamente coordenados por inteligência superior, jamais produtos do acaso. Surgem já prontas no palco da vida, pois do contrário o ser que as portasse incompletas não poderia sobreviver e transmitir à prole suas conquistas.

A evolução então não caminha às cegas, como julga a ciência do mundo. Embora por vezes ela tateie possibilidades e, não se pode negar, acidentes ocorram em seu percurso, em decorrência da ignorância que passou a mover o espírito que caiu, a natureza sabe muito bem por onde deve seguir, a fim de conduzir todos os seres às culminâncias da perfeição.

Faz-se então imprescindível admitir que os saltos evolutivos integram a jornada ascensional, fazendo-se seu mais expressivo fator de progresso, sem os quais não seria possível o avanço do espírito. Logo, evidencia-se para nós que a linha do desenvolvimento passa por períodos de lenta estagnação, nos quais o ser se demora na vivência das conquistas já sedimentadas, para então romper periodicamente em pulsos verdadeiramente revolucionários, plenos de novos e premeditados recursos, os quais quebram a aparente quietude fenomênica do gradualismo adaptativo.

Desse modo estamos postulando que a evolução constitui-se de vagarosos impulsos adaptativos, entrecortados por aparições abruptas e já completas, dotadas de inteligentes criatividades. E assim, adaptações lentas e criações súbitas alternam-se na mecânica evolutiva, produzindo diferenciados órgãos e novas espécies, favorecendo aos espíritos mais rapidamente ganharem os patamares superiores da vida.

 

Estratificação Progressiva

CAPA-CIENCIA-E-REDENCAO

Observemos ainda, irmãos, que, na escalada do desenvolvimento, feita de retornos periódicos, o ser promove uma paulatina estratificação de valores evolutivos, em forma de camadas que se sedimentam em torno do núcleo do eu. Camadas que o fazem dilatar-se rumo a uma expansão interior e não exterior, como vimos.

Compreendamos melhor esse extraordinário fato. Comparemos os estratos interiores que se depositam em nosso imo como um edifício de inumeráveis andares. Erigido em puro tecido espiritual, esse arcabouço evolutivo é um admirável constructo da consciência que se projeta dentro de cada um de nós, sob a orientação da Engenharia divina. Sua base é a matéria densa e seu cimo é a imponderabilidade do Absoluto. Notemos, destarte, que essa construção, em decorrência da inversão promovida pela queda, ergue-se em posição oposta às nossas habituais referências. Seus andares inferiores desfraldam-se na superfície de nossa consciência, e os superiores projetam-se na profundidade de nós mesmos, ocultos nas brumas do futuro. Como já dissemos, o mundo das formas é nosso limite exterior, a nossa base. Nosso real crescimento ocorre então em direção ao interior, onde se esconde o Divino e para onde se dá nossa verdadeira expansão. Dessa forma, enxergamos o edifício evolutivo emborcado, em relação aos nossos comuns referenciais.

Na evolução percorremos os andares desse edifício, estagiando por demorados milênios em cada um deles, onde adquirimos habilidades e atributos necessários para se seguir adiante, até ganharmos suas rarefeitas altitudes. Ascendemos passo a passo, subindo de cada vez alguns poucos degraus, no entanto, a evolução cíclica, que já vimos, obriga-nos a descer por eles periodicamente, para tornar a subir, a fim de sedimentar como convém suas lições. Como já consideramos, todo passado precisa ser revivido, até que suas lições estabeleçam-se no espírito em forma de conhecimento intuitivo e automático. Isso porque, no grande edifício da evolução, só se avança por recapitulações. Assim, o ser recorda o que já viveu, revive e resume para firmar ensinamentos e depois continuar sua jornada. É a exigência impreterível do progresso rumo à angelização.

Em cada andar há uma lição importante a ser aprendida, sem a qual não se pode avançar. Fato que exige do caminhante do devenir demorar-se por incontáveis séculos em cada etapa, até que todos os seus ensinamentos convertam-se em conhecimentos instintivos, passíveis de realizar-se sem esforços, e devidamente acondicionados nos painéis de sua consciência eterna.

Analisemos ainda mais de perto o pavilhão do progresso. O ser pode perceber, em cada andar que estagia, mesmo que de forma imprecisa, os dois patamares que lhe são adjacentes: o superior, a ser alcançado no passo seguinte; e o imediatamente inferior, que acabou de ser percorrido. O primeiro representa seu futuro próximo; o segundo, o resumo de todo o seu pretérito. Portanto, o espírito, em sua ascensão pelo edifício da evolução, sobe, tendo a todo instante a percepção de três de seus andares: aquele em que ele está presente, o qual é seu consciente, ativo, onde se operam suas elaborações atuais; o andar de baixo, representando o resumo de todo o seu passado, chamado subconsciente; e o de cima, conhecido por superconsciente, que lhe acena permanentemente com as conquistas de seu futuro próximo e longínquo. Esses são os famosos três andares da casa mental que todos portamos nos painéis psíquicos, entretecidos em puro tecido consciencial.

Notemos ainda melhor, irmãos. A edificação evolutiva não é uma construção retangular, como poderia nos parecer à primeira impressão. Ele tem a forma de um funil que se abre rumo ao infinito, sendo propriamente um vórtice, como vorticoso é nosso universo e espiralada nossa caminhada, como já vimos. Ascendemos por esse funil em volutas de subidas e descidas, rumo ao infinito interior que nos banha a alma, como já consideramos.

Portanto, irmãos, o edifício evolutivo está desenhado segundo a trajetória universal dos movimentos fenomênicos, que já estudamos. No entanto, ele não se desenha na dimensão espaço-tempo como nossa parca razão nos determina, mas, sim, no substrato ainda incompreensível da consciência.

— O vértice emborcado dessa estrutura, como dissemos, toca a matéria densa, e sua abertura superior termina no Absoluto, onde nos aguarda o Divino. Eis o caminho que já está traçado no imo de cada um de nós e que vai da “Terra” ao “Céu”. Em cada alça em que nos demoramos, conseguimos visualizar a voluta imediatamente superior e percebemos as emanações da vizinha curva inferior, representando o super e o subconsciente, respectivamente. Ascendemos, portanto, sob o império de dois domínios de impulsos antagônicos, o superior, que nos convida às realizações do porvir; e o inferior, que nos vindica as vivências do passado. Essa disparidade de estímulos contraditórios excita-nos a uma luta constante contra os hábitos do passado, que evocam nossos velhos prazeres, renitentes em desaparecer; e o futuro, que nos estimula à aquisição de novas habilidades e renovadas alegrias. O pretérito nós já conhecemos, por havê-lo vivido intensamente; já do porvir, desconfiamos e hesitamos em atirar-nos em sua conquista. Gera-se assim o drama do crescimento, próprio de todo ser em evolução. Para subir, a lei evolutiva cobra-nos, portanto, a indispensável renúncia ao passado e a ousadia de atirar-nos ao desconhecido, a fim de conceder-nos os relicários do futuro.

O devenir está feito de virtudes e qualidades a ser alcançadas. Todo ser o experimenta aos poucos, com desconfiança, temeroso de perder as bases do provisório presente no qual se assenta. Uma vez, no entanto, que o espírito assimila em totalidade as novas virtudes do andar superior, fixando-as como habilidades adquiridas, ele termina por ascender a esse patamar, passando a vivenciá-lo como seu ambiente natural. Nesse momento, o que lhe era superconsciente torna-se então seu novo consciente. Assim o futuro se faz presente. O que lhe era antes o consciente transforma-se em bagagem, depositada em forma de instinto no subconsciente. No entanto, um novo superconsciente vai acenar-lhe imediatamente à frente, apresentando-lhe novas habilidades e virtudes a serem conquistadas. Assim o ser caminha através do edifício evolutivo, percorrendo pacientemente seus inumeráveis andares até atingir seu pináculo, a resolução final, onde tem marcado seu reencontro com o Divino.

Essa interessante técnica ascensional assemelha-se aos sedimentos geológicos superpostos pelo tempo na evolução da Terra, e por isso a denominamos estratificação por camadas. Seu resultado último será a paulatina dilatação de nossa consciência até que ela coincida com a Consciência divina, fundindo-nos em seu bojo.

— Algemada ao passado e aspirada pelo futuro, a alma em evolução viverá permanentemente o conflito entre o velho que não quer morrer e o novo que hesita em nascer. Esse entrechoque evolutivo que todos vivenciamos na laboriosa alçada do progresso, a princípio poderá parecer-nos injusto, uma vez que nos submete ao constante esforço de renunciar às conquistas já sedimentadas e o temor de aventurar-nos rumo a futuro incerto. Todavia, para o espírito que caiu, esse é o caminho natural possível, porquanto as lições do pretérito não se devem a uma errônea pedagogia de crescimento imposta pela inteligência divina, mas ao próprio anseio da alma que almejou distanciar-se do Criador e viver intensamente os equívocos do ego inferior. Essas construções do passado são suas, não de Deus, por isso compete-lhe, sim, abdicar-se de seus falsos valores. Logo, elucida-se que a evolução é, em última instância, um processo que colima não só a reconstrução dos bens perdidos, mas igualmente o laborioso desmantelamento dos transatos equívocos pretendidos, frutos nada mais que da revolta primária. E assim compreenderemos melhor todos os aparentes contrassensos facilmente identificáveis nos ínsitos mecanismos da evolução.

Essa é a única forma, irmãos, de aceitarmos a aparente injustiça existente no processo ascensional. Sem o corolário fundamental da queda, não teríamos como explicar, mais uma vez, exatamente por que o progresso exige tamanha diligência e esforço na aquisição de atributos superiores e empenho ainda maior no desfazimento do pretérito. Seria um imenso paradoxo do ponto de vista da didática divina. Logo, aclara-se-nos que as virtudes elevadas que o espírito negou necessitam agora ser pacientemente refeitas na linha do tempo, em laboriosos tentames, para que voltem a integrar-lhe o patrimônio individual. Já o passado, eivado de males e erros livremente desejados, requer pertinaz renúncia para ser definitivamente desfeito.

A evolução faz-se, portanto, laborioso trabalho de reaquisição de habilidades, mediante esforço próprio, merecidamente exigido para um ser que negou o primado do amor e a ordem que a complacência divina ofertou-lhe ao nascer. É faina individual e exaustiva que requer do espírito o emprego de todas as suas forças, não só para ascender, mas para desapegar-se de seus transatos equívocos. Todavia, por graça do Senhor, faz-se um labor orientado pela Sua sabedoria, cuidado pela Sua providência e amparado pela Sua misericórdia.

Observemos ainda que, embora individual, a lide evolutiva não pode ser levada a efeito isoladamente pelo espírito. Quis o Senhor que caminhássemos em agrupamentos afins, unidos por ideais comuns, de forma a amparar-nos uns aos outros. Por isso, ninguém ascende aos Céus desacompanhado. Devemos marchar juntos.

Os mais hábeis vão à frente e assumem o comando da vilegiatura, mas todos precisam zelar pelos que se demoram na retaguarda. Aquele que quiser chegar primeiro será o último, pois somente impulsionado pelo verdadeiro amor é que se vai realmente adiante na evolução.

— No superconsciente encontraremos então o fim de nossa jornada. Ele está vivo e palpitante em nosso imo e convoca-nos a todo o momento a conquistar seus atributos superiores. É nosso guia permanente incansável que nos orienta a cada passo na longa excursão redentora que empreendemos. O segredo da mais rápida ascese pelos degraus do edifício evolutivo consiste então em saber ouvir e obedecer à voz oculta desse eu superior, o qual nos acena com as realizações do porvir, sem dar ouvidos aos destoantes ecos do passado.

Ressaltemos, a fim de que o tema se nos torne claro, que a superconsciência está adaptada a cada estágio em que o ser se demora. Do contrário ela se faria um ideal sempre inatingível. Nossa bagagem de possibilidades superiores acena-nos com as aquisições suscetíveis de ser angariadas no passo imediato ao estágio em que nos encontramos, e jamais nos oferta valores e virtudes que estão absolutamente fora de nosso alcance. Desse modo, o superconsciente do mineral é o vegetal, estágio superior que o convida à vivência da organicidade. Para o vegetal é o mundo animal, onde o ser experimentará a liberdade de movimento e a aquisição dos instintos. Do animal, será o reino hominal, estágio que lhe permitirá viver a inteligência e experienciar os ricos ensaios da razão. Já na consciência superior do homem mora a santidade, que o evoca à evangelização de suas condutas, preparando-o para a decisiva angelização. E a angelitude aspira pela divinização absoluta, quando o ser, enfim, termina por reintegrar-se ao Pai.

Assim, por extensão, o subconsciente do vegetal é o reino elementar; do animal, é o metabolismo vegetal; do homem, é a instintividade animal. E quando o espírito conquistar a santidade, a inteligência que na atualidade o serve ser-lhe-á um reflexo automático. Exercitando-se na prática da bondade, chegará o dia em que o amor, o  maior de todos os atributos, ocupará seu subconsciente, fazendo-se instintivo em seus hábitos. Então ele terá alcançado o reino angelical e habitará o Paraíso.

 

Dinâmica Evolucional

CAPA-CIENCIA-E-REDENCAO

Resumindo então nosso conhecimento atual da mecânica evolutiva, consideramos que todos os males que o espírito caído exterioriza no trânsito dos evos, nas sábias mãos do Criador, passam a trabalhar em favor de sua ascensão, transformando-se em infalíveis impulsores do progresso.

O regime de lutas, por exemplo, decorrente do embate de interesses antagônicos em que se converteu a vida inferior, e um dos maiores males a imperar no universo derrocado, ao desencadear o princípio de seleção natural, torna-se, sob a ação da Lei, poderoso agente da evolução.

A grande batalha da vida, que nasce não só da necessidade de sobrevivência, mas igualmente da ânsia de desmedido crescimento dos seres contraídos pela queda, é aproveitado como fator de desenvolvimento individual das potencialidades divinas adormecidas no âmago de cada um.

No enfrentamento, predadores e presas, inimigos pretensamente naturais na arena da evolução, terminam por se conhecer, preparando-se para amar e mutuamente se sustentarem através do afeto, no distante amanhã. Além disso, o acirrado combate proporcionará, como já vimos, o desenvolvimento de órgãos e habilidades necessárias à sobrevivência, sendo por isso considerado um dos mais importantes propulsores extrínsecos da evolução. A despeito de ser em si um mal, será utilizado pela sabedoria divina para fazer avançar o espírito, pois no perfeito funcionamento da Lei, tudo, até mesmo o mal, deve trabalhar em prol do bem e do amor.

Atiçado na guerra de vida e morte que a natureza lhe impõe, o espírito necessitará desenvolver destreza e inteligência para sobreviver e impor-se ao meio. E assim, os violentos entrechoques, onde vemos o germe do ódio e da maldade que acompanhará a alma por largo tempo no transe evolutivo, terminam por promover igualmente o necessário desenvolvimento de todos.

Todos esses poderosos impulsos trabalharão ativamente para levar de volta ao Absoluto o espírito que de lá partiu. Almejando a própria realização, lutando para crescer e sobreviver, experimentando a frustração e a dor, o ser fugirá do sofrimento que encontra nos baixos níveis da vida, em busca da felicidade que começa antever existir apenas nos reinos superiores do espírito. Assim, ele se evade dos círculos infernais que caracterizam a vida inferior e passa a aspirar pelos bens genuinamente divinos, que intuitivamente sabe estarem ocultos em seus panoramas íntimos. Intentando escapar a todo custo da morte e da destruição, que lhe provocam terríveis padecimentos; almejando superar os limites da matéria, que lhe frustram o anseio de expansão; esforçando-se por escapar da arena de lutas pela sobrevivência, que lhe é tremendo cansaço; persuadido a fugir da dor que os reinos inferiores lhe infligem; esquivando-se das sombras, que lhe obscurecem a consciência; e ansiando por libertar-se das agruras do mal, que lhe solapam a felicidade, o ser subirá sempre, embalde com enorme dificuldade, em busca da luz divina, rumo às supremas realizações do porvir.

Além de tudo isso, recordemos que a evolução é uma síntese cíclica. Por isso os seres são experimentados e reexperimentados na vida em numerosíssimos ciclos de renascimentos e mortes. Carreando em si eficiente instrumento de registro, a memória espiritual, a alma arquivará todas as suas ricas elaborações de vida.

Recapitulando sempre suas lições, terminará por fixá-las em forma de conhecimentos automáticos, cuja bagagem denominamos, em seu conjunto, de instinto. Portanto, a reciclagem permanente da evolução, por meio da reencarnação, imposta a todos os seres, promoverá a gênese de automatismos. O passado percorrido permanecerá na memória do ser e jamais será olvidado, nutrindo-o com os conhecimentos já aprendidos.

Obrigado a refazer o caminho percorrido ao fim de cada nova etapa, o ser recorda e fixa aprendizados. Dessa forma, seguro das conquistas do passado, ele poderá seguir adiante em busca das aquisições evolutivas que o futuro já lhe tem preparado.

Eis então que observamos a ontogênese repetir a filogênese orgânica a cada desenvolvimento embrionário do ser, no início de nova vida física no mundo denso, como já estudamos. E assistimo-lo, ao fim de toda etapa carnal, recapitular também a completa linha de progressão dos envoltórios dinâmicos que o servem, antes de reingressar nas esferas além do túmulo. Assim prosseguirá a alma, evoluindo agora em dois mundos distintos e complementares: a esfera densa e a sutil dimensão do além, entretanto, não menos física.

Destarte, no plano espiritual, a alma, nos primórdios da vida animal, não tem uma existência ativa.

Portando ainda o pensamento fragmentário e sem a clara consciência de si mesma, condição que somente conquistará no reino humano, o espírito permanece em repouso após cada desencarnação. Nessa etapa ainda primitiva, o ser vivo desencarnado encista-se, como já nos referimos, formando um condensado de energias, onde repousa, em estado de hibernação, até ser atraído novamente ao nicho da carne. Gravitam os seres, nesse estado límbico, em torno dos irmãos que permanecem nas lides físicas, aguardando o chamado para novo renascimento.

Somente com o pleno desabrochar da razão, no reino humano, é que nascerá de fato o mundo espiritual, tal como o conhecemos hoje, quando então a alma desencarnada, nutrindo-se com o pensamento contínuo, consegue manter a integridade de seu corpo dinâmico após o desenlace carnal. Sustentada pelo cérebro perispiritual que agora se mantém íntegro na nova realidade do além, a consciência prossegue desperta, pronta para continuar, a passos acelerados, seu progressivo desenvolvimento.